O Poema Ensina a Cair
Raquel Marinho
Perseguindo a ideia de Lawrence Ferlinghetti - "a poesia é a distância mais curta entre duas pessoas" - esperamos, a partir de algumas escolhas poéticas dos nossos convidados, ficar mais perto deles e conhecê-los melhor. Um projecto da autoria de Raquel Marinho. "Melhor podcast de Arte e Cultura" pelo Podes 2021 - Festival de Podcasts. "Melhor podcast de Entrevista" pelo Podes 2025 - Festival de podcasts
Perseguindo a ideia de Lawrence Ferlinghetti - "a poesia é a distância mais curta entre duas pessoas" - esperamos, a partir de algumas escolhas poéticas dos nossos convidados, ficar mais perto deles e conhecê-los melhor. Um projecto da autoria de Raquel Marinho. "Melhor podcast de Arte e Cultura" pelo Podes 2021 - Festival de Podcasts. "Melhor podcast de Entrevista" pelo Podes 2025 - Festival de podcasts
Filipa Martins: "O que eu sinto quando me relaciono com um poema é a chegada a um destino."
Episódios
"A poesia dá-te um convite a um reconhecimento, a uma nomeação. E eu percebi desde muito cedo queeu para escrever precisava de mostrar o caminho, ou seja, precisava de levar o leitor pela mão. E isso consigo sobretudo através do romance. " Escritora, argumentista, realizadora, Filipa Martins começou cedo a inventar histórias alterando, por exemplo, os finais dos livros que lia. Entrou no jornalismo por mão própria, quando um dia se apresentou na recepção do Diário de Notícias com os textos que havia escrito, e pediu ao porteiro para falar com alguém porque queria pedir um estágio. Tem vários livros publicados, o mais recente No Meu Fim Está o Meu Começo, edição Quetzal, parte de uma história pessoal e biográfica para uma reflexão sobre o Estado Novo e sobre o tempo presente. Sobre isso e muito mais conversamos neste episódio que, como costuma acontecer, faz paragens obrigatórias nalguns pooemas. Filipa trouxe T. S. Eliot, o poema de onde tirou o título deste mais recente livro; Natália Correia, a poeta sobre quem escreveu uma biografia chamada O Dever de Deslumbrar, e Sophia de Mello Breyner Andresen.
A poeta brasileira Mar Becker esteve em Portugal e aproveitou a visita para lançar o seu livro PRIMEIRO ROSTO, edição Sr. teste, numa sessão ao vivo na Dialogue Gallery, em Lisboa. Essa sessão, onde não apenas falamos do livro, mas também da sua biograia e do seu percurso na escrita, foi gravada e é agora aqui reproduzida. É uma óptima ocasião para conhecer melhor esta autora que se chama, na verdade, Marceli Andresa Becker, mas preferiu adoptar o nome Mar, como explica num poema: “diminuí meu nome próprio, de marceli para mar, na tentativa de que em mim a operação pressionasse o corpo a alcançar um correlato sanguíneo para este paradoxo da língua: sustentar numa palavra muito pequena – numa sílaba – a imagem do imenso, a devastação, assim forçado, empurrado, o uivo conseguiria enfim projetar-se”.
Leonardo Padura nasceu em Outubro de 1955, em Havana, Cuba. Vive desde sempre no bairro de Mantilla, periferia de Havana, na casa construída pelo pai. Estudou Literatura Latino-americana. Tornou-se jornalista de investigação para a revista literária Caimán Barbudo em 1980, antes de se dedicar à escrita. O seu primeiro romance, Fiebre de Caballos, foi escrito entre 1983 e 1984. A personagem Mario Conde apareceu pela primeira vez em 1991, acompanhou-o em muitos dos seus livros. O seu mais recente livro, Morrer na Praia, edição Porto Editora, atravessa um período de 60 anos da história cubana, e tem como ponto de partida um parricídio. Conversamos sobre este novo livro, naturalmente, mas também sobre a sua biografia, desde quando ainda na infância sonhava ser jogador de basebol, até às primeiras e determinantes leituras propostas por um senhor chamado Carlos que trabalhava na biblioteca, passando pelo trabalho de jornalista, e pelo ofício da escrita. Convocamos para a conversa alguns dos seus autores de eleição e também algumas reflexões sobre o que é Cuba no dias de hoje.
A escritora canadiana Anne Carson, que venceu o Prémio Nobel da Literatura deste ano, tem, felizmente, vários livros publicados em Portugal. Um chamado Antigotriz pela editora Companhia das Ilhas; outro chamado Eros, o Amargo e Doce pela editora Edições 70, e 5 livros publicados pela editora Não Edições: Autobiografia do Vermelho; A Beleza do Marido; Vidro, Ironia e Deus; Águalisa e Homens nas Horas Vagas. Neste episódio especial do podcast, conversamos com o editor da Não Edições João Concha sobre uma autora que acompanha e publica há vários anos, tentando perceber como se descreve a sua escrita que sendo difícil de rotular ou encaixar numa gaveta, tem a característica de misturar géneros literários.
Tiago Bettencourt regressa ao podcast para um episódio especial: uma conversa ao vivo nos Jardins do Bombarda, em Lisboa, intercalada com versões do seu mais recente disco FOZ, feitas de propósito para a ocasião. Ao longo de mais de duas horas, percorremos todas as canções e as letras do disco, mas também a biografia de Tiago Betrencourt. Esta gravação foi realizada a 17 de setembro de 2026, 1 dia depois do seu aniversário, o que deu lugar a um momento igualmente surpreendente de partilha com o público.
É conhecido por Sr. Teste, nome da editora que divide com Catarina Domingues, mas chama-se Ricardo Ribeiro. Começou a ler precocemente, tudo o que apanhava, sobretudo na biblioteca da Escola Secundária de Massamá (que tinha livros, para uma biblioteca escolar e nas palavras de Ricardo Ribeiro, fora do comum). Quando era adolescente, ajudava o pai a construir cenários para televisão e teatro, mas sempre que podia fugia para o carro e ficava a ler. Foi nesse contexto que conheceu uma pessoa com quem haveria de "trocar cromos" sobre livros, a mesma que lhe deu a dica para um primeiro emprego numa livraria chamada Clepsidra. O primeiro contacto com leitores foi nessa altura, quando andava na casa dos 20, e alguns desses antigos clientes ainda hoje o procuram para pedir ajuda com o livro A ou B. Trabalhou depois em mais livrarias, até se dedicar exclusivamente a encontrar livros raros para leitores urgentes. Entretanto, nasceu o Sr. Teste, um projeto editorial que leva a cabo com Catarina Domingues, "uma ideia louca de editar autores que nos são íntimos e caros, e torná-los acessíveis da melhor forma possível ao leitor.". Para a nossa conversa trouxe: Herberto Helder, O Amor em Visita Philip Lamantia, Visão Nocturna Robert Bringhurst, A Beleza das Armas Luiza Neto Jorge, um dia acorda-se Mário Cesariny, You are welcome to elsinore
Recuperamos a conversa que tivemos com Jorge Palma em Janeiro de 2024, emitida em semanas diferentes, agora num único episódio. É uma forma de tornarmos mais acessível este registo belíssimo, e também de o homenagearmos e recordarmos. Como costuma acontecer aqui, trata-se de uma entrevista de vida com pontos de paragem obrigatórios nos poemas que o marcaram mais. Neste caso, alguns dos poemas transformaram-se em canções. "Eu apodero-me das tais variadíssimas coisas eacontecimentos e pessoas e absorvo-as e transmito-as. Depois, as coisas que passam pelo meu filtro e surgem depois, no papel, na gravação, saem completamente diferentes já daquelas que eu tinha absorvido. Há um trabalho de adaptação e de imaginação. Às vezes o resultado é completamente diferente da fonte."
"Eu só tive filhos porque existe música. – Porquê? porquesenão eu não tinha sonhado, não tinha acreditado que era possível ser feliz. A música salvou-me." Conhecemo-la por Marisa Liz, chama-se Marisa Pinto Oliveira Pinto, e nasceu em Lisboa em 1982. No 9º ano disse à mãe que passaria de ano se a seguir pudesse ir estudar música, e foi assim que chegou à EPMA - Escola Profissional de Música de Almada. Demorou a aprender a ler, a aprender as coisas ao ritmo da maioria dos colegas, e na altura não sabia que a origem dessas dificuldades estava no diagnóstico que chegaria muitos anos mais tarde, já adulta. Recorda com carinho o colega de carteira de escola que a safava das investidas dos professores, soletrando-lhe ao ouvido as palavras certas, a pessoa que nunca mais viu e que realmente a ensinou a ler. Chama-se Orlando. Quem sabe está a ler isto agora. Vem ao podcast a pretexto do seu mais recente disco, Relatos de um Coração Confuso", o que nos serviu também de pretexto para conhecer as suas influências musicais, essas que remontam à adolescência quando ouvia The Doors ou António Variações vezes sem conta, usava a franja a tapar o rosto porque era tímida, e queria estudar Música e Filosofia. No final do podcast, temos um bónus. Terão de escutar para saber de que se trata :) Poemas: Florbela Espanca, Conto de Fadas Florbela Espanca, Em Busca do Amor Florbela Espanca, Amiga Manuel Alegre, Amor somente Paulo Mendonça, Velha Louca Paulo Mendonça, Paradoxo
Segundo episódio do ciclo Alguns Gostam de Poesia, uma parceria d' O Poema Ensina a Cair com a Biblioteca Municipal Florbela Espanca, em Matosinhos. Desta vez, gravámos ao vivo com Daniel Jonas, escritor, tradutor, professor e dramaturgo, vencedor de vários prémios literários com a sua obra poética e de tradução, mas também, mais recentemente, com a sua incursão na prosa e o livro A Justa Desproporção, vencedor do Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários da APE. Como costuma acontecer, ancorámos a conversa nalgumas escolhas literárias do nosso convidado - Shakespeare, Wirdsworth, Yeats ou Ruy Belo - mas também nalguns poemas de sua autoria, onde se inclui um inédito que sairá no próximo livro. Ficámos a saber que na poesia, poderemos contar com um livro chamado Belas Execuções, e na prosa com um segundo volume de A Justa Desproporção, a que dará o nome A Injusta Proporção.
"O que é que era importante para estes poetas todos, sobretudo os românticos? Era que a categoria fundamental não apenas do artista, mas do estar no mundo, era a imaginação." No regresso de férias da rubrica de sugestões de leitura, Pedro Mexia sugere-nos três livros que saíram recentemente de três poetas românticos: Novalis, John Keats e Giacomo Leopardi. Hinos â Noite, de Novalis, com tradução de João Barrento e edição Miguel Castro; Poeta-Camaleão, de John Keats, com edição e tradução de Ricardo Marques e edição Hampstead, e Cantos, de Gioacomo Leopardi, com tradução e comentários de Jorge Vaz de Carvalho, prefácio de João Bigotte Chorão e posfácio de Mariagrazia Russo, e edição Assírio & Alvim.
"Uma pessoa que não amou é uma pessoa que não viveu." Adolfo Mesquita Nunes nasceu na Covilhã, em 1977. É advogado, com trabalho nas aéreas da regulação e da Inteligência Artificial. Licenciado em Direito e Mestre em Ciências Jurídico-Políticas. Foi deputado à Assembleia da República (2011-2013) e Secretário de Estado do Turismo (2013-2015). Para esta conversa, trouxe alguns dos poemas de que mais gosta que nos ajudaram, apesar das reservas iniciais por ser sobretudo leitor de ficção e não de poesia, a fazer uma cartografia pessoal do homem, muito além da profissão que tem ou dos cargos políticos que exerceu. Poemas Al Berto, Recado José Tolentino Mendonça, A Alegria Eugénio de Andrade, As Amoras E. M. de Melo e Castro, Uma Chama não Chama a mesma Chama Ary dos Santos, Estrela da Tarde Sophia de Mello Breyner Andresen, Coral Alberto Caeiro/ Fernando Pessoa, Quando vier a Primavera Ana Luísa Amaral, Imagens Nuno Júdice, Primeiro Poema
Os Maias, de Eça de Queiroz é um dos romances mais importantes da literatura portuguesa, seguramente o mais importante do século XIX, e chega de novo às livrarias com uma proposta diferente. Trata-se de uma edição especial com códigos QR, que permitem aos leitores verificarem as inúmeras referências do romance durante a experiência de leitura. Uma inovação que poderá, quem sabe, ser muito útil aos jovens do ensino secundário que se encontrarão com o romance mais cedo ou mais tarde e a quem, certamente, escaparão algumas das referências sociais, históricas, sociológicas ou culturais. Por exemplo, quem é Guizot? E Gambetta? O que é o lausperene? De que cor era o véu de Dâmaso de Salcede? O que comeu João da Ega no Tavares? Em que local e circunstância Carlos da Maia viu Maria Eduarda pela primeira vez? Nesta conversa com o editor da Quetzal, Francisco José Viegas, ficamos a conhecer as motivações para este projeto, desvendamos as respostas a algumas das perguntas, e percebemos por que razão este livro é, ainda hoje, um clássico.
Valter Hugo Mãe assinala este ano 30 anos de escrita literária, sendo que nos primeiros 9 publicou apenas poesia e que quando era criança queria ser poeta. É por aí que começamos esta conversa onde, como costuma acontecer, atravessamos parte da sua biografia. Falamos sobre a infância e a "pressa" de crescer, os livros (os que escreve e os que lê), a importância da Literatura, da poesia; mas também sobre, por exemplo, a adoção em Portugal ou as mudanças na forma como comunicamos uns com os outros. E conversamos também, naturalmente, sobre O Século dos Imbecis, o seu mais recente livro, edição Porto editora. Parte desta entrevista foi publicada na revista Somos Livros, da Bertrand. Poemas: Adelia Prado – Casamento Eduardo Pitta – está um rapaz a arder em cima do muro María Paz Gerrero – Deus come presunto Claúdia R. Sampaio – Uma vez quiseram-me louca a arder
Poeta, ensaísta, ficcionista, investigador, professor de Literatura Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Pedro Eiras lançou recentemente o livro Nevoeiro, uma investigação, Assírio & Alvim. É um regresso do autor ao universo pessoano, desta vez para perscrutar as relações entre a Literatura e o Poder durante um determinado período do Estado Novo. As personagens principais deste livro, que reúne documentos e factos reais, mas também elementos ficcionados, são Fernando Pessoa, António Oliveira Salazar e António Ferro, mas também o nevoeiro. O daquela altura e aquele que o autor reconhece nos tempos de hoje. Chamada de atenção especial para as belíssimas e comoventes leituras deste episódio. Poemas: Camilo Pessanha, Vida Mário de Sá-Carneiro – O Recreio Álvaro de Campos/ Fernando Pessoa - Mestre, meu mestre querido! Sophia de Mello Breyner Andresen, O Poema Luiza Neto Jorge, A porta aporta Herberto Helder, Sopa Superlativa
O podcast O Poema Ensina a Cair começou este mês um ciclo de gravações ao vivo na Biblioteca Municipal de Matosinhos, Chamámos-lhe Alguns Gostam de Poesia, em homenagem à poeta Wislawa Szymborska. A primeira gravação deste ciclo, que decorrerá a cada 2 meses, foi com a poeta Filipa Leal. Nasceu no Porto em 1979. Tem 16 livros publicados (desde 2003), entre os quais "Vem à Quinta-feira” (já na 6ª edição) e “Fósforos e Metal sobre Imitação de Ser Humano” (na 3ª edição), ambos finalistas do Prémio Correntes d’Escritas e semifinalistas do Prémio Oceanos. A sua obra está editada em Espanha, no Brasil, na Colômbia, em França (com a plaquete “La Ville Oubliée”), na Polónia, noLuxemburgo e na Grécia, e representada em várias antologias em Portugal e no estrangeiro. É formada em Jornalismo pela Universidade de Westminster (Londres) e Mestre em Estudos Portugueses e Brasileiros pela Faculdade de Letras do Porto, aonde voltou em 2013 para uma formação em escrita de argumento. Como argumentista, destaque para o guião do filme “Jogo de Damas”, com a realizadora Patrícia Sequeira, que estreou noLeffest em 2015 (Prémio de Melhor Guião nos Festivais de Cinema do Chipre e de Copenhaga); e para a série “Mulheres Assim” (2016), na RTP1. Há mais de 15 anos que colabora em programas de televisão dedicados à literatura. Para esta conversa com Raquel Marinho trouxe, como costuma acontecer com todos os convidados, alguns dos poemas de que mais gosta, mas fez, como explicou, uma escolha política. Terão de escutar o episódio para perceber o que isto significa Trouxe também, o que muito agradecemos, alguns poemas inéditos que sairão no próximo livro.
Margarida Balseiro Lopes nasceu na Marinha Grande, em 1989. Pensou seguir os passos do pai e ser jornalista, mas acabaria por estudar Direito, numa altura em que já fazia parte da JSD, partido onde se inscreveu aos 15 anos, depois de uma conversa com uma colega numa aula de Francês. Foi a mais nova deputada na legislatura em que se estreou, a primeira mulher líder da JSD, e é hoje a mais jovem de sempre no cargo de ministra - atualmente da Cultura, Juventude e Desporto, tendo sido antes Ministra da Juventude eModernização. Nesta conversa, ancorada nalguns dos poemas de que mais gosta, atravessamos parte da sua biografia, dos seus gostos, e de algumas políticas culturais. Poemas: "Porque" - Sophia de Mello Breyner Andresen "Cântico Negro" - José Régio "Viver Sempre Também Cansa" - José Gomes Ferreira "Adeus"- Eugénio de Andrade "Só gosto de pessoas boas" - Adília Lopes
Na rubrica Leituras com Pedro Mexia deste mês Pedro Mexia traz-nos dois livros: Quando me Perguntam Porque Escrevo, de Lýdia Davis, com tradução de Maria do Carmo Figueira e edição Zigurate, e Contar uma História, de Susan Sontag e John Berger, com edição de Benoit Bourreau, tradução de Alda Rodrigues e edição Relógio D' Água. Duas propostas distintas que, no entanto, dialogam. Como costuma acontecer, várias outras referências aparecem na conversa. Por exemplo, Mary McCarthy, Thomas Mann, Raymond Carver, Gore Vidal, NormanMailer, Wallace Stevens, Samuel Beckett, James Joyce, Seamus Heaney, FrançoisVillon, John Ashbery, Raymond Carver, Dante Alighieri, Karl Ove Knausgård, Knut Hamsun, Gustave Flaubert ou Herman Melville.
O pretexto para esta conversa é o livro recentemente editado O Poder da Cultura, Questões Permanentes, edição Temas e Debates. António Pinto Ribeiro guia-nos por algumas dessas questões e reflexões que atravessam o livro, mas também por parte da sua biografia, da sua relação com a arte, com o conhecimento, a Filosofia ou a poesia, que também está presente neste livro. Ficamos a saber, por exemplo, que ainda na adolescência organizou um recital de poesia na região do Douro, onde passava as férias grandes; ou que escolheu estudar Filosofia porque "tinha de ser". Poemas: Luís de Camões, Pode um desejo imenso Carlos Drummond de Andrade, A bunda, que engraçada Ana Luísa Amaral, Pequeno Épico António Cícero, Guardar Daniel Jonas, O universo é grande Daniel Jonas, Como mercúrio em frente ao sol
Acaba de chegar às livrarias A Viagem Inútil, o primeiro livro publicado pela autora argentina Camila Sosa Villada, e o terceiro a estar disponível para os leitores portugueses. É um livro que acompanha a sua biografia, a sua infância e adolescência. A aprendizagem precoce das letras do alfabeto com o pai, o bom desempenho escolar e as primeiras decepções e traições dos colegas; a descoberta da leitura como lugar de refúgio e de descoberta, e depois a experiência da escrita, o exercício da escrita que, como a autora nos conta ao longo da conversa, não salva. Começou por publicar poesia, depois ensaio e ficção, e hoje é lida em muitos países e está traduzida para muitas línguas. Ao longo desta conversa em que também atravessamos a sua biografia, ouvimo-la e vemo-la emocionar-se a dizer poesia de cor, ou a falar da angústia que continua a acompanhá-la até aos dias de hoje. Oferece-nos também a leitura de um poema seu, inédito e não publicado, e é um dos momentos mais bonitos e delicados do podcast. Trouxe ainda duas referências: Anna Carson e Estela Figueroa.
A escritora Siri Hustvedt escreveu um livro que é uma homenagem a Paul Auster, o também escritor e marido com quem partilhou a vida durante 43 anos. Chama-se Fantasmas, Um Livro de Memórias, tem tradução de Tânia Ganho e edição Dom Quixote. Ao lê-lo, acompanhamos um processo de luto, mas também um trabalho de memória, reflexões, cartas trocadas entre ambos, a doença de Paul Auster, as cartas que o escritor escreveu ano neto acabado de nascer, quando sabia que viveria poucos meses; o enamoramento inicial entre ambos, o dia em que se conheceram em 1981. Uma história de amor e de perda. Sobre tudo isso conversamos neste podcast.
"A poesia serve para sermos humanos, para sermos só alma. Para não sermos aquilo que fazemos. Para quando me perguntam o que é que eu sou, eu não responder com aquilo que eu estudei e aquilo que eu faço, mas responder comos sussurros das montanhas." Sara Duarte Brandão nasceu no Porto. em 1997. Licenciada em Design de Comunicação e Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes, é Facilitadora em Criação Artística Comunitária e doutoranda em Ciências da Educação com uma bolsa da FCT. Escreve poesia e ficção, e os seus livros já lhe granjearam alguns prémios literários. O seu romance Quem Tem Medo dos Santos da Casa foi galardoado com o Prémio Literário Cidade de Almada – Romance (2023). Foi a vencedora da 2.ª edição do Prémio Wook Novos Autores (2025) tendo o júri destacado a forma como «revisita e transfigura os lugares-comuns da língua, atribuindo-lhes novos sentidos, com uma destreza reveladora de um invulgar talento literário». Poemas: — “Aprendizagens”, Ana Luísa Amaral; — “outros amaram em mim a mulher”, Mar Becker; — “XXXVII”, Maria da Graça Varella Cid; — “Não somos desses que vão pelo caminho é antes ocaminho”, Adonis; — “Mulher-Bordadora”, Maria Teresa Horta; — “3.”, Vasco Gato; — “13”, Alejandra Pizarnik; — “81”, António Reis; — “Sara”, Daniel Faria; — “ir indo”, Joaquim Castro Caldas.
A nossa convidada de hoje é a mais nova de 4 irmãos, e cresceu numa casa onde tanto havia lugar a conversas sobre ciência, brincadeiras de fazer haikus com o pai, dar explicações a crianças desfavorecidas para aprender a solidariedade, pertencer a um clube de aventuras a imitar os da Enid Blyton. Cristina Ovídio é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas com uma pós-graduação em Multimédia, foi professora do ensino secundário, coordenadora editorial da Oficina do Livro, trabalhou como editora-executiva naPlaneta e na Clube do Autor, e moderou o programa “Original é a Cultura”, uma parceria SPA e SIC, com a escritora Dulce Maria Cardoso, o físico Carlos Fiolhais e o musicólogo Rui Vieira Nery. Em 2017, abriu a livraria-bar Menina e Moça, em Lisboa, noCais do Sodré e é lá que leva a cabo várias atividades relacionadas com o livro e com a cultura. O clube de leitura é um exemplo, mas também conversas com autores, leituras de poesia e até, numa base regular, concertos de jazz. Nesta conversa atravessamos a sua biografia, os seus gostos, as suas influências, as suas memórias, o seu propósito. Poemas: Fernando Pessoa, Nesse número do Orpheu que há-deser feito Quase . Mário de Sá-Carneiro Ruy Belo – E tudo era possível Adélia Prado – Amor Feinho Cesário Verde- Contrariedades Adília Lopes, Só gosto das pessoas boas António Franco Alexandre, Na lista dos teus fins venho nofim Bernardim Ribeiro, Antre mim mesmo e mim Federico García Lorca, Mamã. Eu quero ser de prata. William Shakespeare, Soneto 30 (tradução de Vasco GraçaMoura), Quando em meu mudo e doce pensamento Alexandre O’ Neill, O Poema Pouco Original do Medo Maria do Rosário Pedreira, Se partires, não me abraces Sophia de Mello Breyner Andresen, Soror Mariana – Beja Matsuo Bashô, Quero ainda ver Quando era pequena ouvia poemas ditos de cor pelo seupai, António Manuel Baptista, físico, escritor, professor e divulgador deciência, mas também um grande leitor de poesia.
A poeta Patrícia Baltazar deixou-nos prematuramente em 2019, com apenas 41 anos. Os seus poemas tinham as edições em livro esgotadas há muito tempo. Agora, a editora Do Lado Esquerdo acaba de publicar a sua obra completa num livro chamado RÉ, que reúne não apenas os 4 livros da autora como alguns dispersos e inéditos. De sublinhar a beleza e a sensibilidade da introdução deste volume, da autoria da filha da Patrícia, Rita Baptista. Também a ilustração do rosto de Patrícia, da autoria de Hugo Baptista, que reproduzimos na capa deste episódio.
Maria Luiza Jobim nasceu no Rio de Janeiro, em 1986 mas foi viver para Nova Iorque ainda bebé onde esteve até aos 4 anos. Filha de António Carlos Jobim, cresceu numa casa com música e músicos, ensaios que viravam palco. Demorou a decidir-se a assumir a sua voz musical, mas quando o fez estreou-se com um disco que, precisamente, homenageia essa infância. Casa Branca era também o nome da sua casa de infância, e sobre isso também falamos no podcast. A primeira vez que visitou Portugal foi para acompanhar o pai, quando Tom Jobim veio tocar ao Mosteiro dos Jerónimos, na década de 90. Mais tarde, a mãe comprou uma casa no Estoril, e também por causa disso a sua relação com o nosso país é próxima há muito tempo. O ano passado mudou-se com a filha, e decidiu ficar. A família, a infância, o legado e as memórias do pai, a decisão de abandonar a arquitetura para se dedicar apenas à música, a carreira, a relação com Lisboa, são alguns dos temas que atravessam esta conversa. Poemas: Trecho de “Ligue os Pontos” Gregório Duvivier Trecho “Fevereiro”, Matilde Campilho Allen Ginsberg , My Sad Self Quedei em altas , Ana Paula Vulcão Caçada , Ana Martins Marques
Durs Grünbein e Siri Hustvedt são os dois autores escolhidos por Pedro Mexia para a rubrica de sugestões de leitura deste mês. Ele, poeta alemão, considerado um dos nomes maiores da poesia alemã contemporânea; ela, escritora norte-americana e viúva do escritor Paul Auster, que morreu em Abril de 2004. O livro de Durs Grünbein que destacamos chama-se Velas de Ignição, tem tradução de Maria Teresa Dias Furtado e edição Edições do Saguão. O livro de Siri Hustvedt chama-se Fantasmas, Um Livro de Memórias, tem tradução de Tânia Ganho e edição D. Quixote. É um livro de memórias, mas também um livro sobre o luto, que inclui reflexões, cartas, entradas de diário, notas biográficas, de uma mulher que viveu com Paul Auster durante 43 anos e que, como nos conta, precisou de escrever este livro no processo de luto pelo marido, desaparecido em 2024. Como costuma acontecer, outros autores surgem na conversa com Pedro Mexia. Por exemplo, Hans Magnus Enzensberger, Paul Celan, Bertolt Brecht, Gottfried Benn, Vasco GraçaMoura, Friedrich Hölderlin, Rainer Maria Rilke, Franz Kafka, Wallace Stevens, T.S. Eliot, E.E.Cummings, Herberto Helder, Joan Didion, C. S. Lewis, Jenny Erpenbeck ou Lydia Davis.
Três leituras sobre a arte de escrever para começar a semana. Charles Bukowski, Rainer Maria Rilke e António José Forte. Livros: Bukowski: Os Cães Ladram Facas, tradução de Rosalina Marshall, edição Alfaguara Rilke: Cartas a um Jovem Poeta, tradução de Isabel Castro Silva, edição Quasi António José Forte, Uma Faca nos Dentes, edição Antígona
Miguel Gonçalves Mendes é um dos realizadores portugueses mais reconhecidos pelo seu trabalho dentro e fora de portas, e para isso muito contribuíram os filmes que fez com Mário Cesariny, José Saramago e Pilar del Rio ou Eduardo Lourenço. Daqui a poucas semanas estreia mais um dos seus documentários, desta vez com o escritor Valter Hugo Mãe, que Miguel acompanhou ao longo de vários anos e em distintas geografias, enquanto era escrito o livro A Desumanização. De Lugar Nenhum é o pretexto para conhecermos melhor Miguel Gonçalves Mendes através dos seus filmes, mas também dos seus livros e dos seus autores. Ficamos a saber, por exemplo, que mantém um diários desde os 6 anos; que tem medo de voar, mas ainda assim o faz; que se comove com os livros e com os filmes, e que acredita que quem não chora com os livros 'não está a ler bem', que só faz documentários sobre pessoas que admira, e que está há 10 anos a procurar o sentido da vida através de um projeto que inclui vários filmes, onde se inclui este De Lugar Nenhum. Poemas Luís de Camões – Amor é fogo que arde sem se ver Mário Cesariny – Autografia Mário Cesariny – Em todas as ruas te encontro Mário Cesariny –You are welcome to Elsinore Valter Hugo Mãe – Venho para te cortar os dedos
Ricardo Reis é um dos 3 principais heterónimos de Fernando Pessoa, e são dele os 3 poemas que vos leio para começar(mos) a semana com poesia. São belíssimos. Bom dia!
Afonso Borges é programador cultural, jornalista, escritor, poeta, nascido em Belo Horizonte, em 1962. Criou o projeto Sempre um Papo há 40 anos - um festival literário em Belo Horizonte, por onde passaram e passam muitos autores brasileiros, mas também portugueses. Intimamente ligado à leitura, acredita na possibilidade de transformação através dos livros, mas também dos encontros, e partilha algumas dessas histórias connosco. Esteve em Portugal para lançar o livro Noites Brancas pela editora Nós, um dos temas da conversa no podcast para onde, como costuma acontecer, trouxe alguns dos poemas de que mais gosta. Poemas: "A Máquina do Mundo", Carlos Drummond de Andrade "Breve Elegia", Mário Faustino "Chega um dia", Thiago de Mello "Poema sujo", Ferreira Gullar "Que país é este?", Affonso Romano de Santanna
Para assinalar o Dia da Mãe, Raquel Marinho lê o poema Diário de Bordo, de Jorge Sousa Braga, publicado no livro O Poeta Nu, edição Assírio & Alvim. É um diário, como o nome indica, do que pode ser a viagem do bebé dentro da barriga da mãe.
Eduardo Quive em 1991, na cidade da Matola, província de Maputo, em Moçambique. É escritor e jornalista, e também curador e produtor de eventos literários, çevando a cabo, por exemplo, oficinas de escrita e leitura em colaboração com várias instituições e organizaçõesComeçou por publicar poesia e contos, e acaba de se estrear no romance com o livro A Cor da Tua Sombra, em Portugal editado pela Desmuro. Poemas: Conceição Lima, Quando o Luar Noémia de Sousa, Poesia, não venhas! Hirondina Joshua, Os ângulos da casa
"Tudo isto é muito violento e assustador. Ela escreve sobrerelações que são, à partida, da ordem do afecto entre homens e mulheres, pais e filhos, mas não reprime nada." No episódio deste mês, que estreia na véspera do 25 de Abril, Pedro Mexia destaca o livro Fado Alexandrino de António Lobo Antunes, considerado um dos grandes romances sobre a revolução de 1974. Naturalmente, são também referidos outros livros do escritor que nos deixou recentemente. O segundo destaque vai para a escritora argentina Ariana Harwicz, e o seu mais recente livro publicado em Portugal pela Elsine, Perder o Juízo. Como costuma acontecer, muitos outros autores são referidos ou lembrados durante a conversa. Por exemplo, Almeida Faria, José Cardoso Pires, Agustina Bessa-Luís, José Saramago, Louis-Ferdinand Céline, William Faulkner, Bruno Vieira Amaral, Michel Houellebecq, Eduarda Dionísio, Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner Andresen, António Franco Alexandre, Herberto Helder, Fernando Pessoa, Ruy Belo, Samanta Schweblin, Mariana Enríquez, Ruben A. ou Júlio Cortázar.
É uma das caras da Snob, uma livraria independente de Lisboa, que publica livros fora do mainstream e do circuito comercial, e também muita poesia. É agente cultural, organizadora de ciclos, cursos ou conferências sobre os mais variados temas literários, livreira, leitora e mãe. Formou-se na área das letras, não porque quisesse ser professora ou trabalhar numa área específica, mas porque queria ler. Com os pais e os avós conheceu os clássicos, mas cedo se aventurou nos autores a que viria a chamar seus. Gosta muito da ideia de dar a conhecer autores e livros a novos leitores, mostrar-lhes coisas que ainda não conhecem: "tens de ir habituando as pessoas a gostar do desconhecido. Eisso é um risco, mas também é um gosto."
Cantora, compositora, instrumentista, produtora e letrista, Rita Redshoes começou por integrar uma banda ainda adolescente enquanto baterista, e só mais tarde descobriu que sabia cantar. Estudou música e psicologia, vive no campo com 3 gatos e 3 galinhas, e acaba de lançar o primeiro single do seu novo álbum. Chama-se 'A Tua Trança', tem letra de Márcia, e é uma homenagem às mulheres. É mãe da Rosa, com quem descobriu outras dimensões, não apenas de ser humana, mas também de ser artista, e também sobre isso conversamos neste episódio, que acolhe as escolhas poéticas da Rita para através delas a conhecermos melhor. Poemas: Adília Lopes, Bichos Filipa Leal, Apocalipse Now Sérgio Vaz, Acho que a gente perdeu a voz Pedro Mexia, Eu Amo Manuel António Pina, As Vozes Cecília Meireles, Apresentação Raquel Serejo Martins, Sinto-me enjoada do mundo Natália Correia, O sonho e a vida
Ricardo Marques é poeta, antologiador, investigador, e tradutor. Traduziu para português, entre dezenas de outros poetas, Anne Carson, Billy Collins e Patti Smith. Nasceu em Sintra, em 1983, e viveu até aos 23 anos entre o subúrbio de Sintra e a zona de Abrantes, de onde vem a família materna e parte da família paterna. Doutorado em Estudos Portugueses pela FCSH-UNL (2010), onde desenvolveu pós-doutoramento no IELT sobre revistas literárias do Modernismo (2015-21). De entre alguns ensaios publicados, destaca-se o volume Tradição e Vanguarda: As Revistas Literárias do Modernismo Português (1910-1926), ed. Biblioteca Nacional de Portugal (2020), bem como a antologia de poesia portuguesa contemporânea Já não dá para ser moderno: seis poetas de agora, ed. Flan de Tal (2021). Prosa: Maria Gabriela Llansol - Finita Poemas: Konstantinos Kavafis - dias de 1901/ veio ficar/ Recorda corpo LIVRE CURTO Theodore Roethke - The Waking VILLANELLE Dylan Thomas - Elegy ELEGIA Peter Handke – Poema à duração POEMA ENSAIO Meendinho - Sediam’eu na ermida de San simion CANTIGA Camões - Esparsa ao desconcerto do mundo ESPARSA Francisco Rodrigues Lobo - ‘Como passarei eu sem
"E, portanto, essa ideia de aquilo que se diz ser apenas umapequena parte daquilo que se quer dizer foi muito importante na literatura do século XX." Na rubrica de sugestões de leitura deste mês, Pedro Mexia sugere Ernest Hemingway, Contos Completos, edição Livros de Brasil. Na segunda parte do podcast, dedicamo-nos a alguns poetas brasileiros, vários contemporâneos e que não apenas estão publicados em Portugal, como dialogam com a poesia portuguesa nos seus livros. Por exemplo, António Cícero, Régis Bonvicino, Armando Freitas Filho, Michaela Schmaeadel, Leonardo Gandolfi, Marília Garcia, Ana Martins Marques, Eucanãa Ferraz ou Fabiano Calixto, Como costuma acontecer, muitas outras referências aparecem nesta conversa, sejam autores, realizadores de cinema ou pintores: Raymond Carver, Albert Camus, Annie Ernaux, James Joyve, Eça de Queiroz, Tomas Mann, William Faulkner, J. D. Salinger, F. Scott Fitzgerald, Camilo Castelo Branco, Alice Munro, Saul Bellow, Graham Greene. Fritz Lang, Marcel Proust, Henry James, William Shakespeare, Federico García Lorca, Luis Buñuel, Salvador Dalí, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Arnaldo Antunes, Sophia de MelloBreyner, Adília Lopes, Ana Cristina Cesar, Gregório Duvivier, Marianne Moore, Nuno Artur Silva, Rosa Maria Martelo, Fabiano Calixto ou Eucanãa Ferraz,
No Dia Mundial da Poesia deste ano, cedemos o microfone aos poetas para os ouvir ler em voz alta. São ao todo 51 autores; alguns trazem poemas inéditos. Obrigada a todos por terem aceitado participar deste episódio. As entradas no podcast estão por ordem alfabética, tal como aqui: A. M. Pires Cabral (poema inédito), Ana Paula Inácio, André Tecedeiro, Andreia C. Faria, António Amaral Tavares, Carla Louro, Catarina Nunes de Almeida, Cláudia Lucas Chéu, Cláudia R. Sampaio (poema inédito), Daniel Jonas, Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Fernando Pinto do Amaral, Filipa Leal, Francisca Camelo, Francisco José Viegas, Helder Macedo, Hélia Correia, Inês Francisco Jacob, Inês Dias, Inês Fonseca Santos, Inês Lourenço, Jaime Rocha, Jorge Gomes Miranda (poema inédito), Jorge Roque (poema inédito), Jorge Sousa Braga, José Carlos Barros, João Bosco da Silva, João Paulo Esteves da Silva, Luís Filipe Castro Mendes, Margarida Vale de Gato (poema inédito), Maria do Rosário Pedreira, Maria Sousa, Miguel Cardoso (poema inédito), Miguel-Manso, Miguel Martins, Paola d’ Agostino, Paula Tavares (poema inédito), Paulo José Miranda, Pedro Braga Falcão (poema inédito), Pedro Mexia (poema inédito) , Pedro Rapoula (poema inédito), Raquel Nobre Guerra, Raquel Serejo Martins (poema inédito), Regina Guimarães, Renata Correia Botelho, Ricardo Marques, Rita Taborda Duarte, Rosa Oliveira, Rui Lage, Tatiana Faia, Vasco Gato.
Cresceu numa casa de portas abertas a família e amigos, com livros por todo o lado, uma mãe, Maria Barroso, que dizia poesia pelo país - também como forma de resistir à ditadura de Salazar - e um pai, Mário Soares, fundador da democracia portuguesa, muitas vezes ausente por motivos políticos e pelas várias passagens pelas prisões de Caxias ou do Aljube. Isabel Soares nasceu em 1951. Chegou a pensar ser médica, passou pelo jornalismo, mas acabaria por abraçar a gestão do Colégio Moderno a pedido do pai e da mãe quando Mário Soares decidiu candidatar-se a Presidente da República. É esse o seu projeto de vida - aos 75 anos ainda trabalha todos os dias - e orgulha-se muito dos seus alunos, também pela liberdade cívica e intelectual que preconiza para a escola que dirige. "Terem a cabeça aberta e pensarem pela sua cabeça", como explica. Não se lembra da sua vida sem poesia porque a mãe, Maria Barroso, não apenas "embalava" os filhos a dizer poemas e mais tarde os levava aos recitais pelo país, como amiúde citava poemas de cor no meio das conversas. Ao mesmo tempo, alguns dos amigos da família Soares eram poetas, escritores ou pintores, que frequentavam a casa e os serões da casa, a que Isabel gostava de assistir. Considera que memória é identidade e é sobretudo a memória que nos guia ao longo desta conversa. Os poemas são um pretexto para a conhecermos melhor, e também, por maioria de razão, aos seus pais que, de certa forma, se juntam a nós. Poemas: Matilde Rosa Araújo – Nascer Ruben Dario – Não ouves cair as gotas da minha melancolia Sophia de Mello Breyner – Porque ; Há jardins evadidos deluar ; De todos os cantos do mundo ; Quando o meu corpo adormecer e eu for morta Jorge de Sena – Carta a Meus Filhos Sobre os Fuzilamentos de Goya Alexandre O«’ Neill – Portugal José Régio – Cântico Negro Álvaro de Campos - Aniversário Camilo Pessanha - Floriram por engano as rosas bravas Antonio Machado - Caminante, no hay camino Charles Baudelaire – As Flores do Mal
É um dos autores brasileiros do momento, e esteve em Portugal para apresentar o seu novo romance 'Coração sem Medo', o último livro da chamada trilogia da terra, iniciada com o sucesso de vendas Torto Arado - mais de 1 milhão de livros vendidos com traduções para 33 idiomas. Ao longo desta conversa, Itamar Vieira Junior partilha alguns dos seus gostos poéticos, que são um caminho que encontramos para o conhecer melhor. Ficamos a saber, por exemplo, que aos 9 anos já escrevia peças de teatro, que quando era adolescente ganhou coragem e bateu à porta de Jorge Amado para lhe pedir um autógrafo, ou que entre os seus autores de referência se encontra, por exemplo, Eça de Queiroz. Poemas: Adélia Prado – Ensinamento Maria do Rosário Pedreira – Dorme meu amor Vinicius de Moraes – Soneto do Amor Total Wislawa Szymborska – Mulher de Ló Maya Angelou - Still I Rise
Na rubrica deste mês, Pedro Mexia traz para a conversa, Partida, o último livro de Julian Barnes, tradução de Salvato Teles de Menezes, edição Quetzal, e Física Espiritual (antologia pessoal), de Rui Lage, edição Assírio & Alvim.
Esta semana recebemos o Padre Paulo Duarte, SJ. Nasceu em Portimão, em 1979, e quando era pequeno queria ser médico veterinário. Uma perda significativa na adolescência levou-o a um encontro com a religião, que acabou por lhe decidir o destino. Trabalhou na aviação, antes de entrar na Companhia de Jesus, em 2003. É licenciado em Filosofia e em Teologia, e mestre em Teologia Fundamental. Foi ordenado sacerdote em 2014 e fez a Terceira Provação (etapa final da formação dos jesuítas) entre novembro de 2023 e maio de 2024, no México. É adjunto do diretor nacional da Rede Mundial de Oração do Papa – Portugal desde setembro de 2024. Lançou recentemente um livro de crónicas chamado "De Corpo e Alma, Crónicas para caminhos de encontros humanos e divinos" com edição Apostolado de Oração, que tem um poema diferente em cada capítulo. É também sobre essa relação próxima com a poesia que conversamos no podcast. Poemas: Sophia de Mello Breyner Andresen, Deus Escreve Direito Sophia de Mello Breyner Andresen, Escuto mas não sei Maria Teresa Horta, No início foi a luz Ruy Cinatti, Anunciação Alexandre O' Neill, Sob a forma de mãoAdília Lopes, Só gosto de pessoas boas Jose Tolentino Mendonça, Nas mãos do oleiro Daniel Faria, Não acredito que cada um tenha um lugar Teresa Salgueiro, Nas ondas do mar
Esta semana recebemos António de Castro Caeiro, filósofo, especialista e professor de Filosofia Antiga, ensaísta, tradutor, e autor de vários livros, o mais recente Sobre os Sentimentos, edição Tinta da China. Neste episódio, gravado ao vivo na Casa do Comum no âmbito do PODES, Festival de Podcasts, damos mais atenção a 4 sentimentos - o Espanto, o Sublime, o Amor e a Esperança - , mas o livro cuida de vários outros como o Desejo, a Ira, a Nostalgia, a Melancolia e a Liberdade. Ao longo da conversa, António conta-nos da sua relação com a poesia e filosofia, de como os sentimentos se relacionam com a filosofia, mas também da proximidade entre filosofia e poesia. Escolheu alguns poemas para nos ajudar nessa reflexão: - Sol da Tarde, Kavafis (A par1r da versão inglesa de Lawrence Durrell) - Na noite clara da tua morte Pai, Miguel Martins - SALMO, Georg Trakl, dedicado a Karl Kraus - A esperança, Emily Dickinson (versão de Vasco Gato)
Ana Bárbara Pedrosa é escritora e crítica literária, mãe de 2 filhos gémeos, a Maria e o David, viveu e estudou em Portugal, no Brasil e nos Estados Unidos. Nos tempos livres faz desporto e viaja. Quando era criança fazia exercícios de escrita a partir de sonetos. Sempre soube que queria ser escritora e sempre leu muito, também para atingir esse objectivo: "Eu sabia que queria escrever, mas sabia também que a escrita não cai do céu, não é uma coisa que acontecia por acaso. E eu costumo comparar muito isto ao desporto. Uma criança que aos 10 anos quer futebolista, sabe que tem de ir aos treinos. E eu ia aos treinos dessa forma. tinha de me autodisciplinar de outra forma. Acho que não houve um dia da minha vida que eunão tenha escrito. " É autora de Lisboa, chão sagrado (2019), Palavra do Senhor (2021), Amor estragado (2023), também publicado no Brasil, e Viagens com o Mehdi (2024) – todos com chancela Bertrand Editora.Poemas: Maria do Rosário Pedreira – o meu mundo tem estado à tuaespera Eugénio de Andrade – Primeiramente Jorge de Sena – Pandemos Júlio Dinis – Lava Oculta Almeida Garrett – Adeus
No primeiro episódio do ano da rubrica de sugestões de leitura, Pedro Mexia traz-nos duas propostas bastante diferentes. Por um lado, a poesia reunida de Paulo José Miranda editada recentemente pela Imprensa Nacional Casa da Moeda com o título A Salvo de Deus, por outro o livro Ignorância e Felicidade - sobre querer não saber, de Mark Lilla, com tradução de Ricardo Mangerona e edição Edições 70. Paulo José Miranda é poeta, contista e ficcionista. Recebeu, entre outras distinções, o primeiro Prémio José Saramago. Mark Lilla é professor de Humanidades na Universidade de Columbia e colaborador frequente da The New York Review of Books.
Recebemos Samuel Úria, o trovador de patilhas, como alguém lhe chamou. Músico, compositor, escritor de canções, com vários discos no curriculum, alguns prémios, como o mais recente Globo de Ouro para melhor canção com 2000 A. D. Tem uma relação precoce com a palavra, primeiro enquanto leitor e escritor de poemas meio às escondidas. Depois, ganhou um prémio literário num concurso da escola, e as coisas passaram a ser diferentes. Conta-nos que ler e escrever foram das grandes descobertas da sua vida, e será também por isso que algumas letras que vem fazendo dialogam com poemas publicados. Escolheu, como costuma acontecer, alguns poemas para servirem de rede à nossa conversa, onde todos os temas são bem vindos, até religião e política. Poemas: O tempo aprazado, Ingeborg Bachmann (tradução de João Barrento) Miguel Duarte – Agora é que o mundo vai conhecer a peste Carlos Drummond de Andrade – Confissão Alexandre O’ Neill – Um Adeus Português Leonard Cohen – Take this longing (tradução de Samuel Úria)
Michaela Schmaedel nasceu e mora em São Paulo, no Brasil. Estudou História na universidade, mas cedo começou a trabalhar como jornalista. Fez um Curso Livre de Preparação de Escritores e várias oficinas de escritas com diversos poetas brasileiros. É poeta, editora de cultura, e organizadora de eventos relacionados com divulgação literária. Tem 3 livros de poesia publicados.
"Eu acho que a primeira função de qualquer ser humano é ser mãe, seja homem ou mulher." Eduardo Sá é psicólogo clínico e psicanalista, professor da Universidade de Coimbra e do ISPA, em Lisboa. Autor de vários livros e presença regular na imprensa, assina actualmente um programa diário na rádio Observador. Começou cedo a ler, mas também a escrever poesia, de tal modo que quando era adolescente lhe passou pela cabeça deixar de estudar para se dedicar à escrita, porque tinha a intenção de vir a ser poeta. É esse o ponto de partida para esta conversa, que foi gravada ao vivo na livraria Arquivo, em Leiria. A partir de alguns dos poemas de que mais gosta, conversamos sobre o seu percurso e a sua vida, mas também sobre as crianças, os adolescentes e a importância da educação familiar e escolar, e, claro, sobre saúde mental. Poemas: 1 - O amor como em casa - Manuel António Pina 2 - Perdidamente - Florbela Espanca 3 - Tabacaria - Álvaro de Campos 4 - Quase - Mario Sa Carneiro 5 - Para o meu coração - Pablo Neruda 6 - Manuel Bandeira - O ultimo poema 7 - Eugénio de Andrade - É urgente o amor 8 - Daniel Faria - As mulheres aspiram a casa para dentrodos pulmões 9 - Não sei se me interessei pelo rapaz - Adília Lopes
Quase 6 anos depois de ter sito o primeiro convidado do podcast, Alexandre Quintanilha regressa para uma conversa com Raquel Marinho, que atravessa a sua vida e o livro A Última Lição de Alexandre Quintanilha, recentemente editado pela Contraponto. É um homem das ciências, que defende o diálogo com as outras áreas do conhecimento, e que acredita que as pessoas que têm um "conhecimento mais profundo sobre os diferentes temas, normalmente sãopessoas muito humildes." Ao longo desta longa conversa, atravessamos a sua vida e as suas reflexões. Também aquilo que acredita que pode deixar como relfexões, e preocupações, para as gerações mais novas. Poemas:
Na rubrica de sugestões de leitura deste mês, Pedro Mexia sugere 2 livros: Legião Estrangeira, de Clarice Lispecto, edição Companhia das letras Aquele Belo Rapaz, de k. P. Kaváfis, tradução de José Luís Costa, posfácio de Tatiana Faia e edição Assírio & Alvim. Como acontece regularmente nestas conversas, muitas outras referências se juntam. Por exemplo, Fernando Pessoa, Ezra Pound, T. S. Eliot, Dino Buzzati, William Turner, Homero, Carlos Drummond de Andrade, Agustina Bessa-Luís, FerreiraGullar, Chico Buarque, Maria Bethânia, Condessa de Segur, Eça de Queiroz, Camilo Castello Branco, Franz Kafka, Charles Baudelaire, Georges Perec ou Charles Bukowski.
"Na escola, assim que percebi que havia poesia, quis logo começar a imitar. E então, na altura, as composições que eu fazia eram sempre poesia." Madalena Sá Fernandes nasceu em Lisboa, em 1993. Licenciou-se em Línguas, Literaturas e Culturas pela Universidade Nova de Lisboa. É cronista no jornal Público. O seu primeiro livro, Leme, vai na 8ª edição. Poemas: Três, Anne Carson Alfabeto, Inger Christensen Para Claude, Nuno Júdice After great pain, a formal feeling comes, Emily Dickinson Homenagem à Literatura, Fiama Hasse Pais Brandão O Problema da Habitação, Ruy Belo