Bloco Central
Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira
Pedro Siza Vieira e Pedro Marques Lopes analisam os acontecimentos e os protagonistas da semana, com moderação de Paulo Baldaia. Quinze anos depois da estreia na TSF, os episódios passam a sair à quinta-feira, dia de Conselho de Ministros, no Expresso. A fechar, e como sempre, o bloco central de interesses, com sugestões para as coisas importantes da vida.
Pedro Siza Vieira e Pedro Marques Lopes analisam os acontecimentos e os protagonistas da semana, com moderação de Paulo Baldaia. Quinze anos depois da estreia na TSF, os episódios passam a sair à quinta-feira, dia de Conselho de Ministros, no Expresso. A fechar, e como sempre, o bloco central de interesses, com sugestões para as coisas importantes da vida.
Novo Podcast | Não perguntes o que a democracia pode fazer por ti; pergunta o que podes fazer pela democracia
Episódios
A democracia não se esgota no voto, mas também não se constrói sozinho, no sofá, a reclamar numa aplicação. Nesta conversa, um investigador e um artista chegam a uma resposta surpreendentemente próxima: para participar, é preciso voltar a falar com quem está ao nosso lado. David Dinis estreia Fazer a Democracia Nossa, um podcast do Expresso com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, com Pedro Magalhães e Alexandre Farto (Vhils), numa conversa sobre o que significa participar para além do voto. Entre a crise de confiança, a polarização digital e o poder das comunidades, como podemos tornar a democracia mais participativa? See omnystudio.com/listener for privacy information.
Há uma semana, Ricardo Costa escreveu no Expresso um artigo a que deu o título “35 dias para olhar o mundo”. Apontou a quatro eleições no espaço de um mês, duas já se realizaram, a próxima acontece na terça-feira e a última será no fim de novembro. Houve surpresa no Brasil com a vitória de Lula da Silva e uma programada fuga de um Bolsonaro derrotado e sob suspeita. Houve surpresa em Israel com a vitória de Netanyahu, apesar de ter perdido a maioria, muito à conta do histórico resultado dos partidos árabes-israelitas, feitos fiel da balança num país que trata de forma diferente quem é árabe e quem é judeu. Na terça-feira, saberemos que surpresa nos reservam os eleitores norte-americanos. E sobre as eleições espanholas, a quarta destes 35 dias assinalados, como só vai acontecer no final do próximo mês, falaremos noutro episódio. Para este trouxemos as eleições sérvias, ganhas por um grupo de estudantes que cresceu na rua, no meio de manifestações reprimidas à bastonada pela polícia. E não fechamos este programa, como é obvio, sem falar das nossas bastonadas, dos nossos cães e balas de borracha, das nossas manifestações, mais de um presidente e de um primeiro-ministro que não gostaram do que viram, provavelmente por razões diferentes. Está com o Bloco Central, uma conversa de Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com moderação de Paulo Baldaia. O genérico deste podcast é uma música original de Manuel Siza Vieira, a sonoplastia deste episódio é de Gustavo Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, passamos à segunda fase dos protestos, a fase em que os partidos sobrepõe a sua agenda à agenda dos manifestantes e se debatem mais as responsabilidades que as soluções para os problemas que levaram as gerações mais novas a sair à rua. O Bloco Central é uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com moderação de Paulo Baldaia. O genérico deste podcast é uma música original de Manuel Siza Vieira, a sonoplastia deste episódio foi de Tomás Delfim. See omnystudio.com/listener for privacy information.
De pé, falando para militantes que celebravam a vitória autárquica de há um ano, o líder do partido mandou esperar sentado o militante que, tendo governado o país com a Troika, parece ansiar por um falhanço do governo. Esta é a semana em que Passos Coelho deu um passo em frente, para continuar exactamente no mesmo sítio. Vai andar por aí, à espera de saber se, afinal, a mesma água passa duas vezes debaixo da ponte. Quem também não muda de sítio é o ministro da Administração Interna. Sempre debaixo dos holofotes, Luís Neves coleciona polémicas e, desta vez, é sobre o exercício de funções que o ministro vai ter de dar explicações no Parlamento. O PS, que sempre esteve ao lado de Neves, já pede uma remodelação. Lá por fora, a França é o exemplo mais visível de um desconforto que levou às ruas uma geração que sente estar a ficar para trás. Aos estudantes juntaram-se professores e sindicalistas, para a grande manifestação de sábado espera-se o regresso dos coletes amarelos. Extrema-esquerda e extrema-direita tiram proveito da incapacidade do centro governar, correspondendo à vontade da maioria. Nos Estados Unidos, faltam pouco mais de duas semanas para as eleições a meio do mandato e cresce a possibilidade de os democratas roubarem a maioria aos republicanos no Congresso, tanto na Câmara dos Representantes como no Senado. Está com o Bloco Central, uma conversa entre Pedro Siza Vieira e Pedro Marques Lopes com moderação de Paulo Baldaia. O genérico do podcast é uma música original de Manuel Siza Vieira e a sonoplastia de Gustavo Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.
A guinada à direita no Brasil surpreendeu pela dimensão, mesmo que a vitória de Flávio Bolsonaro não tenha chegado para apear o incumbente Lula da Silva na primeira volta. O PL passou a ter a maior bancada, tanto na Câmara de deputados como no Senado. O Centrão e a Esquerda recuaram, a restante Direita também subiu. Veremos até onde pode e quer ir. Na Europa, dois países vizinhos estão com contestação nas ruas. Em Espanha, Pedro Sánchez aproveitou a exigência popular para que se encontrem soluções para a crise habitacional - que divide governo e parlamento - e convocou eleições antecipadas para o final do próximo mês. Em França, sabe-se como começam os protestos na rua, mas nunca se sabe quando vão acabar. Desta vez começou com os estudantes. Extrema-esquerda e extrema-direita aproveitam para ensaiar a luta eleitoral do próximo ano. Por cá, o apelo feito pelo Presidente da República a um entendimento entre os partidos, para resolverem em concreto os problemas das pessoas, não parece ter mudado um milímetro na tática partidária, em que a maioria aceita o pousio eleitoral, mas um partido vive na vertigem da instabilidade. Está com o Bloco Central, um podcast que resulta de uma conversa de Pedro Siza Vieira com Pedro Marques Lopes e moderação de Paulo Baldaia. O genérico do programa é uma música original de Manuel Siza Vieira e a sonoplastia foi neste episódio de Salomé Rita. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Na semana em que um avião da Fly Dubai, a caminho de Israel, foi notícia porque um piloto esfaqueou o outro e teve de aterrar de emergência na Arábia Saudita, o avião mais seguido no mundo foi o de Cristiano Ronaldo a andar para cá e para lá, entre Madrid e Copenhaga. O Brasil vai escolher o próximo presidente neste mês de outubro e já este domingo deve confirmar que Lula da Silva e Flávio Bolsonaro passam à segunda volta. Dia 25 saberemos quem ganhou. Se for Bolsonaro, isso significa que, com Trump, o Brasil será o oitavo país da América Latina a virar à direita. E tudo isto acontece enquanto o mundo vive uma crise energética que ameaça prolongar-se e está a complicar a vida a governos dos quatro cantos do mundo. Tão complicado que levou Luís Montenegro, na Assembleia-Geral da ONU, a propor uma reflexão sobre “o mecanismo de formação do preço internacional do petróleo”. O povo sofre com a alta de preços também na habitação e o governo quer mexer na lei de arrendamento, em benefício dos senhorios, para os incentivar a pôr mais casas no mercado. Por cá, o Ministério Público acusou três pessoas de abuso de poder e prevaricação, dando como fortemente indiciado que os três trabalharam para marcar uma consulta para duas gémeas no hospital de Santa Maria. Uma cunha, três acusações de prática criminosa para um filho de um presidente, um ex-secretário de Estado e um ex-director clínico de um hospital. Está com o Bloco Central, um podcast que resulta de uma conversa entre Pedro Siza Vieira e Pedro Marques Lopes, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de Gustavo Carvalho. O genérico deste programa é uma música original de Manuel Siza Vieira. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Na semana em que Nova Iorque recebeu os lideres de todo o mundo para a Assembleia Geral da ONU, Trump recebeu em Washington o presidente chinês. Numa relação que já foi mais desigual, Xi Jinping gosta de estar sempre a lembrar a “armadilha de Tucídides” a teoria que aconselha prudência a ambas as partes, quando uma potência emergente quer ocupar o lugar da potência estabelecida. Taiwan é o elefante na sala. Da Alemanha, veio mais uma prova de que é sempre curta a memória colectiva dos povos. Num Estado voltou a ganhar a extrema-direita da AfD, onde militam muitos neonazis, em Berlim ganhou a Die Linke, partido que nasceu do partido comunista que governava a RDA. Por cá, os holofotes incidiram novamente sobre a PJ, quando o Ministério Público fez buscas a instalações desta polícia, à procura de provas para acusar o novo director de abuso de poder e falso testemunho. O país político parece andar à procura de homens providenciais e, se já tinha encontrado Passos Coelho à direita, pode já ter encontrado um candidato à esquerda. Mário Centeno entrevistado pelo Expresso diz que “as pessoas não têm em quem votar” e apresenta-se como trazendo uma fusão, um equilíbrio, entre os que combate quem despreza, desmantela o Estado e quem abusa dele. O genérico deste podcast é uma musica original de Manuel Siza Vieira e a sonoplastia de Tomás Delfim. A conversa faz-se entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira com moderação de Paulo Baldaia. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Em pouco mais de duas semanas, o Brasil vai votar nas presidenciais. Ninguém duvida de que haverá segunda volta disputada por Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, mas a gigantesca fraude do banco Master atingiu em cheio o Supremo, implicando o juiz Alexandre de Moraes, e isso tem beneficiado Bolsonaro. Estranho, porque ele é o único candidato que aparece associado a este escândalo. Mas a grande discussão à volta do mundo não é sobre os crimes financeiros envolvendo políticos e juízes e a separação de poderes, é mesmo sobre o poder da Inteligência Artificial e a ideia de que é preciso garantir que ela é controlável, antes de continuar a acelerar o seu desenvolvimento. Será esta uma corrida a pedir um acordo global do mesmo nível que foi conseguido com o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares? Por cá, as chatices são mais comezinhas, a não ser que seja o nosso filho a não ter vaga na escola pública. Aí, juntamente com a falta de professores a algumas disciplinas, se é com os nossos filhos, a proximidade com que olhamos agiganta o problema. Drama colectivo é o aumento do preço dos combustíveis, que faz subir muitos outros preços e as taxas de juros. Anda meio mundo à procura de saber como lidar com a consequência das guerras na Ucrânia e no Irão, já que ninguém sabe como acabar com as guerras. Está com o Bloco Central, um podcast que tem como genérico uma música original de Manuel Siza Vieira e sonoplastia de Gustavo Carvalho. A moderação da conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira é de Paulo Baldaia. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Para fintar Ventura e a sua moção de censura, Montenegro voltou a usar o truque da cartola de onde saíram os habituais dois coelhos alimentados pela cajadada orçamental que vale cerca de 800 milhões de euros. Duas prendas de Natal, para contribuintes e pensionistas, marcaram um debate de uma moção que o Chega votou sozinho. A semana teve várias más notícias, mas nenhuma pesa tanto no futuro colectivo como os resultados do PISA 2025. Recuar 20 anos encontra justificação na pandemia, mas também nas políticas públicas de educação e, como diz o ex-ministro João Costa, no Expresso, é preciso assumir responsabilidades sem fazer “análises facilitistas.” Da Alemanha chegou o sério aviso de que a extrema-direita continua com um grande potencial de crescimento, até num país onde era suposto a memória viver para lá dos 100 anos e onde não passaram quatro décadas desde que caiu o muro que separava uma democracia de uma ditadura. Está com o Bloco Central, uma conversa entre Pedro Siza Vieira e Pedro Marques Lopes, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de Gustavo Carvalho. O genérico deste podcast é uma música original de Manuel Siza Vieira. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Fomos de férias, voltamos de férias, e o caso Neves continua a ser central na política portuguesa. Acumula carros, sofás e ginásios, mantém André Ventura na liderança do debate, confirma um ministro em modo de combate e acrescenta uma moção de censura à já anunciada Comissão Parlamentar de Inquérito. O primeiro-ministro mantém a confiança política num ministro que funciona como pára-raios para tudo o que possa correr mal no governo, enquanto que o Presidente da República tem de gerir a percepção de que outros falam por si na defesa de que Luís Neves deve sair do governo. Enquanto que, por cá, o que se julga telecomandado são os amigos de Seguro, no centro da Europa são drones ao serviço da Rússia numa guerra híbrida que está a exasperar os países da União Europeia e da NATO, com Putin a aproveitar uma aliança tácita com Trump para testar a capacidade de reação dos europeus. Do outro lado do Atlântico, as ondas de choque provocadas pela astronómica divida norte-americana — já superior a 40 milhões de milhões de dólares — elevam os juros em todas as latitudes e, juntamente com a crise energética, agravada pela guerra no Médio Oriente, provocam uma forte quebra no potencial de crescimento da economia a nível global. Está com o Bloco Central, uma conversa entre o Pedro Siza Vieira e o Pedro Marques Lopes com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de Gustavo Carvalho. O genérico do podcast é uma música original de Manuel Siza Vieira. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esperamos 15 dias para nos explicarem o atrelado, as declarações de rendimentos esquecidas, as obras no monte sem licença, onde se incluía uma piscina com vida própria e que o ministro vai obrigar a regressar à sua condição de tanque. Nessas duas semanas - três, se considerarmos a primeira noticia sobre as obras no Alentejo, feitas por um minhoto ao fim-de-semana - as televisões estiveram, quase em exclusivo, a debater o tema. Talvez tenha sido essa a estratégia política, cansar a opinião pública, a certa altura desejosa de qualquer coisa que ajude a mudar de assunto, perante a impossibilidade de mudar de ministro. Tão monotemáticos que corremos o risco de nem reparar que a Terra continua a girar à volta do Sol e Trump a espalhar a guerra, assim explicando porque só a FIFA se lembraria de lhe dar o prémio da paz. Este é o último Bloco Central antes de irmos de férias durante todo o mês de Agosto. Este podcast é uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de Salomé Rita. A música do genérico é um original de Manuel Siza Vieira. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, Andy Burnham chegou finalmente ao lugar que ambicionava e promete mudar a vida dos britânicos. A maioria parlamentar dos trabalhistas é muito confortável, mas já era com o anterior chefe do governo e Keir Starmer falhou. De que vale ter um plano de longo prazo se a política dos dias de hoje não parece funcionar para lá do curtíssimo prazo? De lá de fora para cá para dentro. Às sucessivas garantias do ministro da Educação impôs-se sempre a realidade, para mal de alunos e professores, e o processo de avaliação dos exames, sobretudo daqueles que são absolutamente necessários para entrar no ensino superior, arrasta-se num mar de problemas. Embora Fernando Alexandre se mostre plenamente convencido de que isto não correu muito mal, porque se assim tivesse acontecido, a sua permanência no governo perigava. O Presidente da República, se mudo estava, seguro ficou de que o governo ouviu os seus avisos e, pelo menos para já, não pede demissões. Nem na Educação, nem na Administração Interna, onde Luís Neves passou dos montes de casinhos para um caso reconhecido unanimemente como bastante mais grave, a envolver material apreendido num caso de droga. Atrelado aos dois ministros, Luís Montenegro fez saber que não ia de férias este Verão. Ou melhor: vai, mas é às pinguinhas, um fim-de-semana aqui um dia mais acolá. Está com o Bloco Central, onde as perguntas de Paulo Baldaia andam à procura das respostas de Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira. O genérico é uma música original de Manuel Siza Vieira e a sonoplastia deste episódio é de Gustavo Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Com o país na expectativa de saber o resultado final das avaliações dos exames nacionais, Luís Montenegro entra no Estado da Nação com essa e outra mini-crise para gerir, mas sobretudo na dúvida sobre se tem um caminho para mostrar, que volte a dar balanço à legislatura. Neste Bloco Central, Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira debatem a importância real do caso Luís Neves, a estrutural da Educação e o rumo geral da governação — com especial destaque para o papel do primeiro-ministro. Um episódio com moderação de David Dinis e sonoplastia de Gustavo Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Os problemas na correção digital dos exames nacionais continuam, sem que o Governo consiga tranquilizar pais, alunos e professores. É o tema principal do Bloco Central desta semana, onde Pedro Siza Vieira diz que o ministro confiou demais nos serviços de um Ministério que já lhe falhou antes, ou onde Pedro Marques Lopes anota que “o Governo tem chumbado nos vários exames” a que tem sido sujeito. O segundo tema deste episódio é a decisão judicial que libertou Marine Le Pen para uma candidatura presidencial, assim como as suspeitas que levaram Nigel Farage a provocar eleições no seu círculo parlamentar, pedindo um voto do povo contra o que chama de sistema. Aqui há também lugar para o Bloco Central dos Interesses, desta vez com recomendações culturais dedicadas aos 250 anos dos EUA. Este Bloco Central conta com moderação de David Dinis e sonoplastia de Salomé Rita e Gustavo Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Em mais uma onda de calor, desta vez com temperaturas de 40 graus a afectar até países onde o frio é quem mais ordena, a Europa descobriu que é preciso ser muito maluco para negar as alterações climáticas. A questão é saber o que fazer para evitar que a temperatura continue a subir e, já agora, o que precisamos de mudar para ser possível viver assim. E, por falar em negacionistas, o que dizer do clero ultra-tradicionalista, seguidor de Lefebvre, que reza as missas em latim, de costas voltadas para os fiéis, e quer decidir o que aceita e não aceita vindo do chefe que está em Roma. Desde o Concílio Vaticano II que andam desavindos e agora chega mais um cisma na Igreja Católica. Por cá, o Estado foi condenado na justiça a pagar 15 mil euros a José Sócrates por responsabilidade na violação do segredo de justiça e logo apareceu Ventura a dizer que a decisão dos tribunais não é para cumprir. O PS coleciona sondagens em que aparece em primeiro lugar, muito por culpa da perda de intenções de voto da AD, mas a direita mantém-se claramente maioritária, confirmando que a esquerda não tem nenhum projecto mobilizador que a coloque como verdadeira alternativa. Está com o Bloco Central, um podcast que é uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de Gustavo Carvalho. A música do genérico é um original de Manuel Siza Vieira. See omnystudio.com/listener for privacy information.
No final da semana passada, o líder do Chega resolveu estragar o congresso do PSD, dando o dito por não dito, depois de ele próprio cantar vitória e do líder parlamentar social-democrata ter feito pirraça com a bancada PS, garantindo os dois - André e Hugo - que a legislação laboral seria alterada, por muito que custasse aos socialistas. Afinal, não foi! O congresso foi transformado numa espécie de Conselho de Ministros onde até os que não são militantes foram chamados a prestar contas ao partido, os elogios a Montenegro cumpriram o ritual de endeusar o líder que tem poder para distribuir. Poder e dinheiro com um Fundo Soberano no horizonte, que ainda não se sabe onde vai buscar o capital, nem as empresas onde vai investir. O congresso serviu também para Montenegro anunciar que a PSU seria aprovada com o Chega só que, afinal, não. E lá foi o governo correr atrás do PS para salvar os 600 milhões do PRR. O país está do mesmo tamanho, mas com mais gente cá dentro. O Reino que se divorciou da União Europeia, já vai para o sétimo primeiro-ministro desde que referendou o Brexit e, nestes 10 anos, apenas um deles foi a eleições e perdeu. O senhor que se segue chama-se Andy Burnham e é a nova estrela do Partido Trabalhista. O genérico do Bloco Central é uma música original de Manuel Siza Vieira, este podcast é uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia deste episódio é de Salomé Rita. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Não foi fácil, mas Trump conseguiu encontrar uma saída do atoleiro onde se meteu, quando pela mão de Netanyahu iniciou uma guerra com o Irão. É ainda, apenas e só, um memorando de entendimento sobre o caminho para chegar à paz e põe-nos no mesmo sítio onde estávamos antes de começarem os bombardeamentos de 28 de fevereiro. Desta forma, o presidente norte-americano chegou à Europa — para a cimeira do G7 — sem carregar um peso excessivo pelo que a sua guerra provocou nas economias mundiais. A hora é de olhar para a frente com pensamento positivo, até porque as relações com os europeus estão um pouquinho menos tensas. Tema incontornável da semana, o IPO da SpaceX a fazer de Elon Musk o primeiro trilionário da história da humanidade, versão americana, ou bilionário, versão portuguesa, e isso traduzido quer dizer em qualquer uma das duas versões que a sua fortuna ultrapassou um milhão de milhões de dólares. Por cá, a contar os milhões da despesa publica, com avisos do actual e do anterior governadores do Banco de Portugal, o tema que não sai da agenda é a legislação laboral, até porque Montenegro e Ventura se encontraram para firmar um acordo que ainda não chegou, ao mesmo tempo que o Partido Socialista juntou uma série de especialistas à procura de uma alternativa consistente para dar resposta à falta de competitividade da economia nacional, aumentando a produtividade das empresas. Está com o Bloco Central, um podcast que é uma conversa entre Pedro Marques Lopes, Pedro Siza Vieira e Paulo Baldaia na moderação. A música do genérico é de Manuel Siza Vieira e a sonoplastia de Gustavo Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.
À Direita começa com uma viagem a 2016, o ano zero da nova direita. A eleição de Donald Trump transformou o panorama político americano, abriu um horizonte de possibilidades para o nacional-populismo europeu, e pôs em causa décadas de consensos que se julgavam inabaláveis. Neste primeiro episódio de À Direita, Vasco Rato e Teresa Nogueira Pinto conversam sobre a América, sobre declínio, contrarrevolução, a crise do liberalismo e o futuro da política americana. O ex-presidente da FLAD tem estado mais empenhado em compreender Trump e o Trumpismo do que em adjetivá-lo: o que é que Trump representa, o que veio fazer, e porque é que quem pensa que Trump é um interregno e tudo voltará ao que era está muito enganado. Vasco Rato é doutorado pela Universidade de Georgetown e professor universitário. Foi presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento entre 2014 e 2019 e é autor de livros como “De Mao a Xi: O Ressurgimento da China” e “Tsunami: Trump, trumpismo e a Europa”. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Com o rodopio em que o planeta tem andado é muito provável que o ouvinte se tenha perdido algures nas guerras da Ucrânia e do Irão — que tem um cessar-fogo que traduzido quer dizer continuar a disparar, mas com menos frequência —, mais as guerras do Líbano e talvez pense até que na Faixa de Gaza e na Cisjordânia se passou a viver em paz, porque nunca mais se falou do assunto. No entretanto, a crise energética que resulta do conflito no Médio Oriente fez subir a inflação e arrefecer a economia. Perante o dilema de ter de controlar a inflação, mas evitar um maior arrefecimento económico, o BCE já tinha avisado e subiu mesmo as taxas de juro. O mundial do pontapé na bola começou na quinta-feira à noite, mas antes disso já a América estava a mostrar que, como organizadora do evento, não quer lá qualquer um. E qualquer um é um jornalista francês impedido de fazer escala no país do senhor Trump ou o melhor árbitro de África, nascido na Somália, e impedido de fazer o seu trabalho em terras do Tio Sam. Por cá, numa altura em que há para aprovar a Prestação Social Única e o Código do Trabalho, Montenegro e Ventura voltaram a encontrar-se. Está com o Bloco Central, um podcast onde Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira conversam sobre Portugal e o mundo, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de Gustavo Carvalho. A música do genérico é um original de Manuel Siza Vieira. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Num país onde a ambição tantas vezes soa excessiva ou desconfortável, este podcast propõe recuperá‑la como motor de mudança. Em 'Ambição para Portugal', Pedro Boucherie Mendes entrevista diferentes convidados com o objetivo de perceber o que significa hoje querer mais e melhor para Portugal. O primeiro episódio sai dia 16 de junho em todas as plataformas de podcast e também nos sites do Expresso, SIC e SIC Notícias. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, a CGTP convocou uma nova greve-geral e os seus efeitos foram medidos como sendo de grande sucesso. Sucesso para os trabalhadores, na opinião dos sindicatos, pela grande adesão, ou de sucesso para o governo, pela pouca adesão. Dentro de duas semanas, a reforma laboral é discutida no Parlamento na generalidade, e no final do verão chegará a discussão na especialidade e a votação final global. Se houver uma maioria de direita para aprovar esta legislação, é provável que venha aí uma nova greve-geral conjunta entre CGTP e UGT. No mundo, Portugal conseguiu uma grande vitória, voltando ao Conselho de Segurança da ONU. A questão que se coloca é a de saber quanto vale ter lugar num conselho importante de uma organização que tem cada vez menos importância. Nas guerras, onde a diplomacia não funciona, são os drones que têm imposto algum equilíbrio entre as grandes potências que julgavam estar destinadas a ter grandes vitórias e os que vão ganhando só pela capacidade de resistir. Está com o Bloco Central, um podcast que é uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com Paulo Baldaia na moderação e sonoplastia de João Martins. O genérico é uma musica original de Manuel Siza Vieira. See omnystudio.com/listener for privacy information.
No mês em que se celebraram 135 anos da encíclica de Leão XIII, Das Coisas Novas, que deu origem à doutrina social da Igreja, com o Vaticano a tomar partido pelos trabalhadores em plena revolução industrial e num momento em que o trabalho e o capital se enfrentavam, Leão XIV publicou a sua primeira encíclica, Magnífica Humanidade, num momento em que a revolução é tecnológica e a inteligência artificial ameaça dominar o mundo do trabalho, enquanto vai assumindo um papel fundamental nas guerras. Por cá, a conferencia de Saúde do Expresso com o estudo da Nova IMS sobre sustentabilidade no SNS mostrou um sector com a actividade a crescer em média 1% por ano, enquanto que a despesa sobe 10%. A Direita é maioritária no Parlamento, onde tem mais de dois terços dos deputados, mas há quem se sinta órfão e comece a pensar que a oferta não cobre a procura e sonhe com a criação de mais um partido. Epicentro deste terramoto político, Passos dá um passo maior que a perna e chama prostituto sem carácter a Montenegro. Está com o Bloco Central, eu sou o Paulo Baldaia na moderação de uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com sonoplastia de João Luís Amorim, A música do genérico é um original de Manuel Siza Vieira. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Trump saiu como um balão cheio de Pequim, tantos foram os salamaleques que lhe dispensou o regime chinês. Agradecido com a promessa de Xi Jinping de não enviar armas para o Irão, ouviu como contrapartida o presidente da China avisá-lo para não se meter na questão de Taiwan e respondeu que não anda à procura de conflitos. Quem diria? O Air Force One tinha aterrado há pouco tempo em Washington, e em Moscovo já se anunciava que também Putin ia a Pequim. Central em toda esta história, Xi nem precisa de sair de casa para mostrar que a sua diplomacia está a bater aos pontos a diplomacia norte-americana. Por cá, a reboque da reforma do Estado, fala-se de milhões e de vistos, mais de um tribunal e de usurpação de funções. Enquanto isso, a reforma laboral correu veloz da falta de acordo na Concertação Social para a aprovação no Conselho de Ministros e daí para o Parlamento. Quem vai aprovar? Satisfeito com o caminho percorrido, Montenegro vai fazer-se reeleger líder do PSD e continuar primeiro-ministro, fazendo a equiparação entre o Chega e o PS, aplicando aos dois partidos o “não é não”. Está com o Bloco Central, uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com moderação de Paulo Baldaia. A sonoplastia é de Gustavo Carvalho e a música do genérico é de Manuel Siza Vieira. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Os dois homens mais poderosos do mundo encontram-se neste final de semana em Pequim, quase 10 anos depois de o terem feito pela primeira vez. As circunstâncias são muito diferentes e Xi Jinping - para usar uma expressão de Trump - tem melhores cartas na mão, porque os Estados Unidos se meteram numa guerra da qual não sabem como sair. No Reino Unido, os trabalhistas sofreram uma pesada derrota nas eleições locais e regionais; os conservadores não ganharam nada com isso e o crescimento do Reform de Nigel Farage, dos Verdes e dos liberais mostram que a fragmentação político-partidária chegou a terras de sua magestade. Keir Starmer luta pela sua sobrevivência política. Por cá, o Tribunal Constitucional voltou a decidir por unanimidade que a perda da nacionalidade como pena acessória de crimes graves é inconstitucional, designadamente por violar o principio da igualdade. Nada que tire o sono a André Ventura, disposto a mandar às malvas a Constituição para impor a maioria de dois terços que a direita tem neste momento no Parlamento. O PSD deixou-o a falar sozinho. Esta é a semana em que ouvimos falar todos os dias do hantavirus, não porque exista razão para alarme, mas porque enquanto houve passageiros no barco, houve novela noticiosa nas televisões. Está com o Bloco Central, uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, moderada por Paulo Baldaia, com sonoplastia de João Luís Amorim e música original de Manuel Siza Vieira. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, o Presidente Seguro imitou o Presidente Marcelo e promulgou com criticas uma lei que lhe chegou do Parlamento, no caso a lei da nacionalidade, anteriormente chumbada no Tribunal Constitucional e corrigida pela maioria de direita. Fecham esta quinta-feira as negociações as negociações na Concertação Social e tudo indica que o projecto governamental para alterar a legislação laboral acabará chumbado na Assembleia da República e “o país não acaba” por isso, garante o primeiro-ministro. A maioria presidencial faz também caminho paralelo com a maioria governamental na área da Saúde, onde Adalberto Campos Fernandes, nomeado pelo Presidente coordenador do Pacto Estratégico, já começou a trabalhar. No país em que o turismo é a galinha dos ovos de ouro, para lá da ameaça que paira sobre as companhias de aviação por causa do preço do jet fuel e da sua escassez, volta a haver problemas sérios no Centro Comercial Humberto Delgado, onde aterram e levantam aviões, mas onde os passageiros aguardam horas na fila, por causa de um novo sistema de controle, poucas cabines e forças de segurança com formação deficiente. Lá por fora, o rei de Inglaterra, Carlos III, eclipsou o rei sol, Donald Trump, que vive um impasse na guerra em que afirma diariamente a sua superioridade, mas não é capaz de derrotar o seu inimigo. Está com Bloco Central, uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, moderada por Paulo Baldaia e com sonoplastia de João Luís Amorim. A música do genérico é de Manuel Siza Vieira. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Nos Estados Unidos existem mais armas que pessoas. O país que a 4 de julho celebra 250 anos da declaração de independência já matou quatro presidentes e nunca desiste de tentar matar quem estiver na função. Ainda não tinha um século de vida e resolveu um conflito político entre o norte e o sul com uma guerra civil que durou quatro anos e matou cerca de 700 mil pessoas. Do fim-de-semana vem mais um incidente com armas, num evento onde estava Donald Trump. Por cá, nem violência retórica digna de registo. A comunicação social preferiu a grande polémica da transparência e, dos disparates esperados. De Ventura sobrou o cravo verde, que os deputados do Chega usaram na lapela, ignorantes do facto desse ser um símbolo gay, popularizado por Oscar Wilde, no final do século XIX. Finalmente, o PTRR conheceu a luz do dia com um número mágico lançado pelo governo: 22 mil milhões de euros. Parece muito, será assim tanto? Como se vai concretizar este plano de resiliência num país que quase nunca está preparado para o que chega sem avisar? Está com Bloco Central, uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, moderada por Paulo Baldaia e com sonoplastia de Gustavo Carvalho. A música do genérico é de Manuel Siza Vieira. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Num momento em que o PS aparece à frente nas sondagens, em que José Luís Carneiro já é percepcionado como tendo capacidade de fazer melhor que Luís Montenegro o lugar de primeiro-ministro. Depois de elegerem o secretário-geral com 96,9% dos votos, os socialistas descobrem que, afinal, estes números não são a prova da unidade que o líder apregoa. Carneiro é visto como sendo de transição e já há Cordeiro a sonhar com a cadeira do líder. O paradoxo estende-se à relação com o Presidente da República, ex-líder socialista, que tem vindo a pressionar a UGT para fechar acordo com o governo e assim ajudar o chefe do Estado a evitar ter de andar às turras com o chefe do governo, logo no início da coabitação. O problema é que toda esta vontade está a criar tensão com a sua família política. O que não muda é a atracção das televisões por Ventura. Lula da Silva passou por cá e logo o Chega se lembrou de boicotar esta visita oficial. Sem nada de novo, nem de interessante, para dizer, Ventura teve o tempo de antena que procurava. Tinha Luis Inácio Lula da Silva chegado a Portugal vindo de Espanha, onde Pedro Sanchez procurou criar um alinhamento de progressistas para combater o crescimento da extrema-direita. E para que a vergonha mude de lado. Onde a vergonha não parece querer chegar é aos beligerantes da guerra para ver quem contribui mais para manter fechado o Estreito de Ormuz. Está com o Bloco Central, um podcast que é o resultado de uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de João Luís Amorim. A música do genérico é de Manuel Siza Vieira. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Do fim-de-semana passado vêm as negociações falhadas para a paz no Médio Oriente e a decisão de completar o bloqueio no Estreito de Ormuz, ideia de Trump para não deixar o Irão beneficiar com o bloqueio parcial que vinha fazendo. Mas, o presidente norte-americano é um grande colecionador de polémicas e, como não gostou de ouvir o Papa, no domingo de Páscoa, defender a paz no Irão, atacou Leão XIV sem dó nem piedade. Definitivamente, o fim-de-semana passado não foi bom para Donald Trump, derrotado nas eleições húngaras, juntamente com Vladimir Putin. Bruxelas respirou de alívio, mesmo sabendo que Péter Magyar, não sendo Orbán, também não é um alinhado com o mainstream europeu. O ainda primeiro-ministro da Hungria é agora uma estrela sem brilho no universo populista que via nele um exemplo a seguir, uma espécie de Trump antes de Trump. Por cá, mais para a direita, menos para a esquerda, o país segue o seu caminho com votações para eleger os representantes da Assembleia nos órgãos externos, enquanto o pacote laboral não chega ao Parlamento para ser aprovado e enviado para Belém. Voltaremos mais tarde a estes temas nacionais, no episódio de hoje vamos apenas olhar para a decisão da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos de não permitir que se conheçam os nomes dos doares dos partidos. Está com o Bloco Central, uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de Gustavo Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Há uma paz relativa no Médio Oriente que resulta de um acordo de cessar-fogo no Golfo e de uma ocupação continuada por parte de Israel no Líbano. Na realpolitik, para o resto do mundo, o que importa é que volta a ser possível circular pelo estreito de Ormuz. Trump dirá sempre que venceu, mas toda a gente sabe que as negociações de paz se fazem, a partir desta sexta-feira, com um plano com 10 pontos apresentado pelo Irão. No domingo, os húngaros vão às urnas e existe uma possibilidade de Orbán ser derrotado ao fim de 16 anos consecutivos no poder. Estados Unidos, Rússia e China fazem o que podem para evitar a derrota do seu cavalo de Tróia na União Europeia, mais interessada na vitória de um dissidente do Fidesz, Peter Magyar. Por cá, a primeira Presidência Aberta de António José Seguro teve de competir em atenção mediática com a geopolítica global, mas também com a geometria parlamentar numa novela de listas de nomes para a eleição dos órgãos externos. Bloco Central é uma conversa entre o Pedro Marques Lopes e o Pedro Siza Vieira, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de Gustavo Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Com o Partido Socialista à procura de caminho, entre a agressividade de uma ruptura e a doçura do diálogo, falta saber se o PSD vai a jogo partilhando espaço com socialistas e Chega na lista pra o Tribunal Constitucional, ao mesmo tempo que volta a alinhar com Ventura na intenção de retirar a nacionalidade a quem a tenha duplamente e pratique crime grave. Naturalmente, bem mais preocupados com a crise energética e o aumento do custo de vida, os portugueses, na celebração dos 50 anos da Constituição, revelam-se defensores de uma revisão da lei fundamental, mas sem exageros. No Bloco Central também já temos um espaço reservado para o boletim clínico do planeta e do homem mais poderoso do planeta. Este podcast é uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de Gustavo Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Com o congresso à porta, José Luis Carneiro foi à Venezuela, onde há uma comunidade portuguesa muito significativa. Em defesa dos luso-venezuelanos, alega o secretário-geral do PS, não faltaram elogios à normalidade que se vive no país. Aproveitou a direita para uma rajada de críticas a quem já estava na crista da onda pela ameaça de romper o diálogo com o governo, se a AD mantiver a intenção de excluir os socialistas da eleição para substituir três juizes do Tribunal Constitucional. Tudo isto acontece, enquanto a direita — sem a IL — se junta para reverter legislação sobre a identidade de género. E o governo é avaliado negativamente por 56% dos portugueses, incluindo um em cada cinco que nele votaram. Todas as áreas estão mal avaliadas, mas a habitação e o custo de vida conseguem nota negativa de mais de 90% dos inquiridos. Custo de vida que tem tendência para se agravar com uma crise energética que faz subir a inflação, a que se pode vir a juntar uma recessão económica. Como vai Trump — e por arrasto o resto do mundo — sair desta guerra é uma pergunta para a qual ninguém tem resposta. Nem o próprio presidente dos Estados Unidos. A única certeza é que vários anúncios de Trump foram antecedidos por ganhos de muitos milhões nas casas de apostas, nas bolsas e nos mercados de futuro na área da energia. Está com o Bloco Central, uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com Paulo Baldaia na moderação e Gustavo Carvalho na sonoplastia. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Trump age e o resto do mundo reage. Já tudo se disse sobre o homem mais poderoso do planeta e tudo continua a ser possível esperar de alguém que espera apenas que obedeçam à sua vontade. Não queria ninguém a meter-se na guerra que, com Israel a seu lado, ia ganhar facilmente num par de semanas, mas logo ameaçou os seus aliados europeus na NATO, mais o Japão, a Coreia do Sul e — pasme-se — a China, se não enviassem navios para patrulhar a navegação no estreito de Ormuz. “Essa não é a nossa guerra”, responderam em uníssono os aliados, a quem nada tinha sido dito quando Trump e Netanyhau decidiram ir para a guerra no Irão. A crise energética aí está, a afectar o andamento da economia e a fazer subir os preços não apenas dos combustíveis, mas de muitos outros produtos. Por cá, não apenas, o Presidente da República não tem ainda formada a sua Casa Civil, como a Assembleia da República continua a mostrar-se incapaz de eleger os órgãos externos, como o Conselho Económico e Social, a Provedoria de Justiça, os conselhos superiores de Segurança Interna e de Informações, o Conselho de Estado ou o Conselho Geral da RTP. Mas é na eleição de três juízes do Tribunal Constitucional que tudo se joga, porque Montenegro e Ventura querem pôr o Chega a indicar o juiz que vai substituir um juiz que tinha sido indicado pelo PS. Os outros dois tinham sido indicados pelo PSD e continuarão a ser indicados pelo PSD. Está com o Bloco Central, uma conversa, entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, moderada por Paulo Baldaia com sonoplastia de Gustavo Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Empossado Presidente da República, António José Seguro não perdeu tempo a dizer ao que vinha nem em ir para o terreno, apontando o dedo ao governo, pedindo mais acção e menos palavras. No discurso da posse, reafirmou a tese de que o chumbo de um orçamento não implica dissolução automática do Parlamento, direcionando a pressão do peso pela responsabilidade de uma crise política das oposições para o governo. Reafirmando igualmente a vontade de ser um Presidente cooperante, mas exigente, confirmou que pretende chamar ao Palácio de Belém os partidos e os profissionais da Saúde para que se estabeleça um pacto para o médio prazo no sector. Para ele, que tinha avisado na campanha que vetaria a legislação laboral que lhe aparecesse em Belém sem acordo na Concertação Social, o governo reservou o dia da posse para convocar os parceiros sociais e nesse mesmo dia foi anunciado pelas confederações patronais que as negociações tinham chegado ao fim sem acordo. O Presidente não deu parte de fraco e insistiu para que a conversa continue. Quando chega um Presidente, há outro que parte e nós por aqui vamos falar igualmente do legado que nos deixa Marcelo Rebelo de Sousa. Está com o Bloco Central, um podcast que resulta de uma conversa, entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, moderada por Paulo Baldaia, com sonoplastia de Gustavo Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.
As operações especiais para Trump devem ser sempre ao sábado e, de preferência, enquanto decorrem negociações e com ultimatos em contagem decrescente. Foi assim a 3 de janeiro, na Venezuela, e foi assim a 28 de fevereiro, no Irão. As comparações só acabam por aqui, porque as pessoas do regime iraniano em quem a Casa Branca estava a pensar para assumir o poder, como aconteceu na Venezuela, já não estão lá. Trump foi muito claro, quando lhe perguntaram sobre quem ia liderar o Irão quando a guerra terminasse: “A maioria das pessoas que tínhamos em mente estão mortas”. Para o regime iraniano, sobreviver já é uma grande vitória. Quando a guerra vai terminar é coisa que ninguém sabe e a duração do conflito, juntamente com a capacidade do Irão retaliar e alargar a guerra a toda a região do golfo pérsico, serão determinantes para a evolução da economia global, com especial destaque para as economias da Europa e da China, mais dependentes de energia importada. De grosso modo, um quinto do petróleo e do gás natural passa pelo estreito de Ormuz. Uma Europa dividida entre os que recusam colaborar com Trump nesta guerra sem mandato internacional, os que ficam a meio da ponte e os que apoiam. Sobram as ameaças do inquilino da Casa Branca a Espanha e sobra também, a despropósito no contexto deste conflito, o anúncio de Emmanuel Macron de que a França admite aumentar o número de ogivas nucleares e estacionar algum desse armamento noutros países da Europa, como factor de dissuasão perante a ameaça russa. Está com o Bloco Central, a moderação da conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira é de Paulo Baldaia. A sonoplastia é de Gustavo Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.
No final da semana passada, Trump sofreu às mãos do Supremo a mais pesada derrota e acabou a insultar os juízes que votaram pela ilegalidade das tarifas. Na madrugada desta quarta-feira, no mais longo discurso da história do Estado da União, o presidente republicano pintou a América great again: “maior, melhor, mais rica e mais forte do que nunca”, mas gastou 107 minutos a dividi-la pela raça, pelo género, pela ideologia partidária. Ao fim do primeiro ano do segundo mandato, Trump tem o pior índice de aprovação da história da União, para a mesma altura, com 39% positivo e 60% negativo. Sobre Renee Good e Alexi Pretti, mortos pelo ICE, ou sobre as sobreviventes do pesadelo Epstein nem uma palavra. Com mentiras, exageros e palhaçadas não trouxe nenhuma novidade digna de registo e transformou o momento num talk-show. Na terça-feira, assinalaram-se os quatro anos da invasão da Ucrânia pelo exército russo, num momento de impasse na frente de guerra e nas negociações de paz. Por cá, as atenções dividiram-se entre a escolha do ex-director nacional da Polícia Judiciária para ministro da Administração Interna e mais uma enfática intervenção do ex-líder do PSD, Pedro Passos Coelho, no papel de líder da oposição à escolha de Luís Montenegro para tutelar as polícias e a proteção civil. O governo aprovou, na semana passada, as linhas gerais do PTRR e, depois de reunir com o presidente eleito para lhe dar conta do que pretende com este plano, está agora a conversar com os partidos da oposição para recolher propostas. Está com o Bloco Central, um podcast que é uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de Gustavo Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Trump continua a querer policiar o mundo, não pelas regras do direito internacional mas pelo que lhe dita a sua consciência. A Ucrânia, que podia ter a paz poucos dias depois dele regressar à Casa Branca, continua a ser pressionada por Washington de uma forma que Moscovo nunca foi. E a paz continua a ser uma miragem. Na conferência de Munique, a América, que trocou J.D. Vance por Marco Rubio, baixou o tom mas manteve a crítica a uma Europa em decadência e confirmou que o apoio a uma extrema-direita nacionalista na Europa é a agenda comum que une os interesses de Trump e de Putin. Por cá, com um presidente eleito que criticou o ante-projecto “Trabalho XXI”, o governo parece andar à procura de quem lhe passe a certidão de óbito. O empenho é tanto que a ministra do Trabalho decide convocar patrões e UGT para uma reunião e manteve-a mesmo sabendo que, por motivos de agenda, a UGT não estaria presente. Veremos se cumpre a promessa de o levar ao Parlamento, mesmo sem acordo na Concertação Social, e se o Chega de Ventura recua para a posição inicial de apoio a esta revisão do Código Laboral. Se falhar a Concertação e o Parlamento, o mais que o governo consegue é arranjar uma desculpa, sem o ónus de ter de enfrentar o presidente logo no início do seu mandato. O Bloco Central é uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira com moderação de Paulo Baldaia. A sonoplastia deste episódio é de Gustavo Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Saímos das mais recentes eleições com um presidente eleito com o maior número de votos de sempre. Seguro, o candidato por quem tantos barões do PS têm o maior desdém, acabou a superar a marca de Soares. Esteve em campanha para unir os portugueses, prometendo o oposto de Ventura e os eleitores escolheram a democracia. Como na primeira volta aconteceu com a esquerda, com o eleitoral a ignorar os directórios partidários e a dar o pleno de votos a Seguro, agora, na segunda volta, foi o eleitorado de centro-direita que mandou às favas a estratégia de quem se colocou em cima da ponte, julgando possível manter a equidistância entre quem une e quem divide. Vida facilitada para o presidente eleito que não fica a dever a ninguém, a não ser a todos os que nele votaram, esta eleição. Ventura foi pesadamente derrotado e a cara com que apareceu na noite eleitoral desmentia qualquer grito de vitória, qualquer ideia de liderança de direita. Mas Montenegro sabe que o líder do Chega, ficando longe do que pretendia, saiu fortalecido com mais 400 mil votos. Há caminho para percorrer, primeiro-ministro e presidente eleito querem estabilidade. Veremos o que o poder político faz com ela. Está com o Bloco Central, onde a opinião que conta é de Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira. A moderação da conversa é de Paulo Baldaia, a sonoplastia é de João Luís Amorim. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Nenhum país está preparado para combater a força da natureza quando fenómenos meteorológicos extremos, como a tempestade “Kristin”, atingem o território com rajadas de 200 quilómetros por hora ou, como a tempestade “Leonardo”, trazem associado um rio atmosférico com mais de mil quilómetros de extensão e toneladas de vapor de água para despejar. Coisa diferente é a prevenção que é preciso fazer para mitigar os estragos e, sobretudo, a forma como o Estado responde às necessidades das populações afectadas. Aí, o país, invariavelmente, revela-se impreparado. Acresce que a comunicação do Governo também se mostrou um fenómeno extremo, entre a vaidade comunicativa dos ministros Nuno Melo e Leitão Amaro (estrelas da cassete pirata) e a humildade comunicativa da ministra Maria Lúcia Amaral (invisível, a aprender e sem saber o que falhou). Extrema foi também a forma como o país mediático deu por terminada a campanha das presidenciais. Um apagão que pode contribuir para uma subida da abstenção já previsivelmente alta por causa do mau tempo que se faz sentir, mas também pela desmobilização do eleitorado de centro-direita, a quem se disse que estas eleições não têm nada a ver com eles. O Bloco Central é uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de Gustavo Carvalho. Não fecharemos este episódio sem duas notas internacionais. A vontade de Trump nacionalizar as eleições de novembro e os ficheiros Epstein, libertados aos soluços, mas sempre com revelações surpreendentes. Ou nem tanto. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Gravamos ao vivo nos “Encontros Fora da Caixa”, realizados no Porto na segunda-feira, e elegemos o presidente Trump como tema internacional e as presidenciais como tema nacional para a conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de João Martins. Entramos na campanha oficial da segunda volta das presidenciais e esta terça-feira realiza-se o único frente-a-frente televisivo. O país vota a 8 de Fevereiro. Se as sondagens voltarem a acertar, António José Seguro será o próximo Presidente da República, num tempo político em que há uma maioria sociológica de direita. Como vai André Ventura, reforçado nas urnas, lidar com o governo de Luís Montenegro? Para que servirá o movimento criado por Cotrim de Figueiredo com a mira apontada a 2031? Que direita sai destas eleições? Sem grande espaço no debate de trazer por casa, o mundo mudou e isso ficou muito claro, em Davos, onde o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, fez uma intervenção inspiradora no dia anterior ao recuo de Donald Trump em relação à Gronelândia. Os mercados estiveram em queda e a Europa mostrou-se firme e unida na oposição à vontade americana de anexar a maior ilha do mundo. A América a ferro e fogo, por causa do combate do ICE à imigração, é outra das marcas da presidência de Trump. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Desta vez, as sondagens não se enganaram, apontaram a alta probabilidade de haver uma segunda volta entre Seguro e Ventura e ela aí está. Mais difícil de antecipar foi a dimensão da vitória do ex-líder do PS na primeira volta e a dimensão da derrocada do candidato da AD. Cotrim terá ficado muito satisfeito por ser o primeiro dos derrotados, pela simples razão de que triplicou a votação da IL nas legislativas de há oito meses e isso confirma o estatuto de príncipe dos liberais, que se agigantam quando é ele o candidato e mingam quando é outro qualquer. Como o tolinho no meio da ponte ficou uma parte da direita portuguesa, incapaz de saber se esta segunda volta é entre a direita e a esquerda ou entre quem defende a democracia e quem a quer perverter. Terá sido o mesmo dilema que levou há uns tempos alguns democratas portugueses a ficarem indecisos entre Donald Trump e Kamala Harris, hoje alinham com o coro europeu contra o bullying do presidente dos Estados Unidos, que conseguiu transformar os seus principais aliados em principais adversários. A Gronelândia, pois claro, que deixou de sonhar com a independência que um dia podia chegar, mas também a Ucrânia que impede os europeus de passar das palavras aos actos. A bazuca comercial, pacote de sanções anti-coerção, é uma espécie de bomba nuclear que foi preparada para ser lançada contra a China em caso de necessidade, mas que é agora falada para responder às ameaças da Casa Branca. Está com o Bloco Central, a moderação da conversa que se faz entre o Pedro Marques Lopes e o Pedro Siza Vieira é de Paulo Baldaia, com sonoplastia de Gustavo Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Enquanto Trump continua a mostrar ao mundo a sua faceta de cowboy - umas vezes feito xerife e outras mais parecendo ladrão de gado, numa versão ladrão de petróleo ou terras raras -, nós por cá aproximamo-nos da recta final de uma campanha que nos há-de levar a uma segunda volta das presidenciais. Se o retrato que as sondagens nos dão hoje não estiver desfocado, há neste momento três candidatos para duas vagas. A tendência de queda deixou Marques Mendes e Gouveia e Melo a quase dez pontos percentuais de um lugar na segunda volta e, em sentido contrário, sempre a crescer nas intenções de voto, Cotrim e Seguro disputam com Ventura quem passa à história no próximo domingo. O governo que, para defender o seu candidato, disse dos outros o que Maomé não disse do toucinho, tem aqui uma dificuldade para gerir com o próximo presidente. E se a corrida acabar por ser entre Ventura e Seguro, qual será a posição defendida pelo líder da AD? O podcast Bloco Central é uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de João Luís Amorim. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Donald Trump não nos fez esperar para ficarmos a saber o que nos espera em 2026. Logo no primeiro fim-de-semana do ano, bombardeou Caracas, eliminou a segurança pessoal do presidente da Venezuela e extraditou Nicolás Maduro e a mulher para Nova Iorque onde começarão a ser julgados em Março. Até lá, Trump conta com a manutenção do regime venezuelano para ganhar muito dinheiro com a comercialização do petróleo. Para lá do que aconteceu e da forma como aconteceu, o presidente norte-americano e todo o seu séquito não perderam tempo a mostrar em que direcção vai o mundo: Colômbia, Cuba e Gronelândia são os próximos alvos. Por cá, entre ginjinhas e provas de vinho, os candidatos são diariamente chamados a comentar a espuma dos dias e não se torna fácil perceber o que fariam se fossem presidentes da República. Como esta sexta-feira há Conselho de Estado para debater a Ucrânia, a Venezuela e, talvez, a Gronelândia, o país deve poder contar com a diligente acção dos jornalistas na estrada, transformando todos os candidatos em conselheiros de Estado. As sondagens insistem em dizer-nos que, de certeza, haverá segunda volta a 8 de fevereiro com a grande incerteza de existirem cinco candidatos para duas vagas. Umas poucas dezenas de milhar de votos podem fazer a diferença e o voto útil passou a ser o tema mais importante da campanha. Está com o Bloco Central, a moderação da conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira é feita por Paulo Baldaia. A sonoplastia é de Gustavo Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Estamos já em 2026, o ano em que vamos escolher um novo Presidente da República e despedir-nos de Marcelo Rebelo de Sousa. Quase tão importante como saber quem será o sucessor de Marcelo, pode vir a ser a eventual confirmação de André Ventura na segunda volta. Quem fica para trás nesse caso? E que consequência terão nos partidos estes resultados? Por mais voltas que a política dê e se reforce o papel do populista Ventura, não é expectável que venha aí nova crise política com legislativas antecipadas. Temas como possível revisão constitucional, incluindo debates sobre o papel do Presidente, número de deputados ou poderes do Estado, podem ganhar atenção política ao longo de 2026. A composição do Tribunal Constitucional também vai dar que falar. À volta do mundo, é previsível que 2026 será um ano marcado por desafios à ordem internacional, com crises humanitárias persistentes (por exemplo, no Sudão) e tensões geopolíticas que vão testar ainda mais os mecanismos tradicionais de cooperação global. Nos Estados Unidos em particular, Donald Trump verá testada nas urnas a sua popularidade. Todo o congresso e um terço do Senado estará em jogo, para lá de uma série de Estados que também terão eleições para governador. No primeiro episódio do ano, Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira vão olhar para a agenda e tentar perspectivar o que aí vem. Cá no burgo e no resto do mundo. A moderação da conversa é de Paulo Baldaia, a sonoplastia é de Salomé Rita See omnystudio.com/listener for privacy information.
A fechar o ano, é tempo de fazer balanços, eleger a figura e o acontecimento de 2025, por cá e à volta do mundo. A guerra da Ucrânia leva anos, a paz em Gaza fecha uma guerra que começou a 7 de outubro de 2023, reunindo o pior da humanidade com um hediondo ataque terrorista do Hamas seguido por um massacre do exército israelita. De tão presente, até podemos ser levados a pensar que Donald Trump tomou posse do segundo mandato há já bastante tempo, mas ainda não fez um ano. O tempo suficiente para acusar a Europa de estar decadente, depois de ajudar a revelar todas as fragilidades de um espaço europeu que dava como certo que a sua defesa seria assegurada pelo poder militar da América. Poder militar que agora ameaça a Venezuela, de uma maneira que nunca foi explícita em relação à Gronelândia e ao Canadá, mas que também estiveram na mira dos interesses do presidente dos Estados Unidos. Xi Jinping, que encara olhos nos olhos o poder de Washington, e Vladimir Putin, que aprendeu a tourear o ego de Trump, são os dois políticos que melhor souberam lidar com a nova política externa norte-americana. Por cá, a Spinumviva podia ter sido a palavra do ano, mas o povo que votou na sondagem da Porto Editora não ganhou para o susto com o apagão e o país descobriu que já não sabe viver sem internet. A verdade é que foi com o pretexto das suspeitas lançadas sobre Luís Montenegro e sobre a sua empresa familiar que fomos para umas eleições antecipadas que reforçaram a vitória da AD, catapultaram o Chega para liderança da oposição parlamentar e deixaram o Partido Socialista de rastos. A Justiça continuou a ser notícia quase diariamente muito por causa da actuação do Ministério Publico, de uma forma geral, e por causa das manobras dilatórias de José Sócrates, no caso particular do processo Marquês. Por cá e lá por fora, a migração é tema que alimenta o crescimento da extrema-direita e, em sentido contrário, fortalece o debate sobre o papel que os imigrantes têm em cada país onde trabalham, ajudando no crescimento da economia, contribuindo para a sustentabilidade da segurança social e dando algum calor ao inverno demográfico. A Figura do Ano e o Acontecimento do Ano são uma escolha dos comentadores residentes no Bloco Central, Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira. Paulo Baldaia faz a moderação da conversa, com sonoplastia de Salomé Rita. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Mais livre para falar do caso Spinumviva, Montenegro não poupou nas palavras, apontou o dedo a políticos, jornalistas e poder judicial. Garantiu que a averiguação preventiva foi muito mais do que isso, foi mais um inquérito criminal onde tudo foi visto à lupa. O caso parece encerrado para o primeiro-ministro, mas o Ministério Público não pode deixar de esclarecer porque seguiu este caminho. A semana estava marcada pela decisão do Tribunal Constitucional que encontrou inconformidades na Lei de Nacionalidades e lá vieram as acusações de politização do Palácio Ratton e regressou o debate sobre a composição do tribunal e até da necessidade de rever a Constituição da República. O assunto entrou na campanha das presidenciais, onde Marques Mendes é agora o favorito e é dos negócios dele que se fala. Lá por fora é Putin e a Ucrânia, mais Trump e o resto do mundo à espera de ver como acaba a luta pela Warner. A administração da Warner quer ser da Netflix, a administração norte-americana talvez prefira que ganhem os seus amigos da Paramount. O Bloco Central tem moderação de Paulo Baldaia num debate entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira. A sonoplastia é de João Luís Amorim. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Num país de pequenas e micro empresas, onde se torna impossível andar a contar o número de trabalhadores que aderiram à greve, governo e centrais sindicais fizeram o que sempre fazem na guerra dos números e todos sabemos que não foi nem oito, nem oitenta. Mas esta greve geral teve um teste de algodão a mostrar que foi um sucesso. A fórmula é do director do Público que nos lembra a mudança de posição do exímio leitor das massas. Se Ventura diz agora que “existem razões para um descontentamento generalizado” é porque a greve geral existiu mesmo. Porquê, pergunta o primeiro-ministro, parecendo ignorar que o seu governo tem em cima da mesa um ante-projecto de revisão da legislação laboral que mexe significativamente nas relações entre trabalhadores e empresas. Se dependesse de Luís Montenegro, a semana teria sido toda dedicada a discutir a medalha de mérito atribuída pela Economist. Político que é político até nas greves que defende aparece para trabalhar e houve debate presidencial na televisão já depois de ter havido debate no Parlamento. Por cá, há ainda que voltar a assinalar o reaparecimento do Procurador-Geral da República que se veio queixar de si próprio e repetir que, por ele, nem sequer estava no lugar em que está. Lá por fora, a coisa pia mais fino com o Documento de Estratégia Americana e a entrevista de Donald Trump ao Político. Tudo junto resume-se na estafada frase: o mundo está perigoso! Venha daí para uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de João Luís Amorim. See omnystudio.com/listener for privacy information.
O Ministério Público faz questão de andar na crista da onda e nós por cá temos a função de surfar o que a actualidade nos dá. Esta semana, polícias que fazem parte de um gangue que escraviza imigrantes foram deixados em liberdade porque o tribunal entendeu não considerar, para efeitos de determinar as medidas de coação, escutas telefónicas que não estavam transcritas. Com alguma ironia, sugere-se ao Ministério Público que da próxima vez entreguem as escutas à Sábado para que as possam transcrever a tempo de serem apresentadas. Foi lá que pudemos ler as escutas —sem relevância criminal — do processo Influencer. Os procuradores sacudiram a água do capote e insinuaram que a fonte de informação pode ter sido algum dos advogados dos arguidos, porque há matéria que já não está em segredo de justiça interno. Este é o país onde se fazem 28 debates para escolher dois candidatos para a segunda volta das presidenciais, sendo certo que, pelo menos, mais um debate será feito para escolher o Presidente. Daremos nota do que pensam os comentadores residentes do Bloco Central, Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, sobre esta campanha, a mudança de liderança do Bloco de Esquerda e sobre o embaraço que o governo diz sentir com as filas intermináveis que os turistas têm de ultrapassar para entrar em Portugal. A moderação da conversa é de Paulo Baldaia e a sonoplastia de Gustavo Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Desta vez, sem dramas, a partir desta quinta-feira o país tem o orçamento do próximo ano aprovado. Passou mais uma semana de pré-campanha, já lá vão sete debates, já só faltam 21, já todos os candidatos mostraram ao que vêm e o Presidente da República está muito satisfeito com o nível de esclarecimento. Mas ainda falta o Natal e a passagem do ano, antes dos candidatos irem para a estrada medir a temperatura ao povo eleitor. O conselho que podemos dar desde já é que a 18 de janeiro não se sinta desmobilizado, porque pelo menos neste ponto as sondagens não se vão enganar: haverá segunda volta a 8 de fevereiro, o domingo anterior ao fim-de-semana de Carnaval. Esta foi a semana em que o dia 25 de novembro ganhou honras de data histórica com sessão solene na Assembleia da República, a imitar o 25 de abril, mas sem cravos vermelhos E com rosas brancas. A cor da paz que não foi, no entanto, a cor da temperança com que o Presidente da República gostaria de ver desenhado o nosso futuro colectivo. A direita uniu-se para, reescrevendo a história, encontrar o seu dia, só que acabou por ser uma coisa da elite política sem festa popular, já que uma coisa é engalanar o Parlamento e fazer uma parada militar no Terreiro do Paço e outra bem diferente é dar o estatuto de feriado ao dia D, de Democracia, e permitir ao povo descansar ou fazer a festa. À espera de fazer a festa, já lá vão quase quatro anos, a Ucrânia recebeu um plano de capitulação preparado entre norte-americanos e russos, o plano evolui para um plano de paz que foi aceite por Kiev mas, obviamente, deixou de ter o apoio de Moscovo. A guerra? Continua! No Bloco Central, semanalmente Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira comentam a actualidade nacional e internacional, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de Gustavo Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta é a semana em que foi dado o tiro de partida para a longa caminhada até 18 de janeiro, que vai ter 28 debates até à semana de Natal. Estes frente-a-frente terminam com a dupla que todas as sondagens - é melhor dizer quase todas as sondagens - indicam serem os favoritos a passar à segunda volta: Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes. É também a semana em que o homem que tem mais seguidores à face de Terra - nas redes sociais, claro está - acompanhou o patrão - um dos homens mais ricos do mundo - numa viagem de negócios à Casa Branca, onde vive o homem mais poderoso do mundo. Por cá, como é habitual, passamos muito rapidamente de um orgulho desmedido por Cristiano ser recebido por Trump para um coro de criticas por Ronaldo dar cobertura política a uma monarquia absoluta e teocrática. Na Ucrânia, as coisas correm mal no campo de batalha e muito mal no campo diplomático. Os Estados Unidos apresentaram um plano de paz que mais parece um plano de capitulação desenhado no Kremlin. As coisas ficam ainda mais difíceis para Zelensky e para a Europa porque o Reino Unido já veio dizer que apoia o plano. E dos trabalhistas britânicos chegam também sinais do que parece ser uma capitulação face ao crescimento da extrema-direita anti-imigração liderada por Nigel Farage: o governo anunciou medidas 'históricas' para endurecer política de asilo e conter imigração. Lá fala-se de “bilhete dourado”, por cá a expressão é “portas escancaradas”. See omnystudio.com/listener for privacy information.
No fim de semana, a CGTP e a UGT anunciaram uma greve geral para o dia 11 de dezembro e logo chegou a resposta do primeiro-ministro, acusando as centrais sindicais de estarem ao serviço do PCP e do PS, no exato momento em que se confirma que é com o Chega que a AD vai aprovar a revisão da legislação laboral, depois dela sair da Concertação Social. O governo afirma-se disposto a dialogar até ao fim, mas avisa que o fim não pode estar longe e garante que não cede nas traves mestras da sua proposta. Enquanto os portugueses, finalmente, tomam conhecimento da importância do que está a ser discutido no Código do Trabalho, nas presidenciais o candidato do Chega diz que quer o seu partido ao lado do governo neste dossiê, o candidato da IL diz que a flexibilização das leis laborais terá de acontecer e o candidato da AD pede mais diálogo e mais respeito pela UGT. Mais ou menos o mesmo é o que defende o candidato apoiado pelo PS. Os candidatos à esquerda estão todos a favor da greve e o candidato sem partido defendeu que as mudanças na lei laboral têm de manter coesão social e admitiu até vetar politicamente este pacote legislativo se ele chegasse a Belém como está apresentado. Na Justiça, o processo que, na opinião da ministra da Justiça, é o exemplo de tudo o que pode correr mal foi para intervalo e a juíza avisa que há crimes de que é acusado José Sócrates que podem prescrever brevemente. Do Reino Unido e de Itália chegam más notícias para o jornalismo: demissões na BBC e despedimento numa agência de notícias. O Bloco Central tem moderação de Paulo Baldaia, numa conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira. A sonoplastia é de Gustavo Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.