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Tempo ao Tempo

Rui Tavares

Tempo ao Tempo é um podcast de histórias da História, de passado, presente e futuro, e da mudança da memória no tempo. Aqui vamos percorrer a micro-história e a História global, a História europeia e a História nacional, sempre com o objetivo de atualizar os dilemas das pessoas do passado e colocar em perspetiva histórica os nossos dilemas do presente. Com o tempo, vão aparecer texturas e um padrão narrativo, que ajudará a fazer sentido do todo. Mas o todo será sempre multímodo, polifónico e eclético. De muitos caminhos. Todas as quintas-feiras um novo episódio escrito e narrado por Rui Tavares, com apoio à produção de Leonor Losa. A sonoplastia de Tempo ao Tempo é de João Luís Amorim e a capa é de Vera Tavares e Tiago Pereira Santos.

Tempo ao Tempo é um podcast de histórias da História, de passado, presente e futuro, e da mudança da memória no tempo. Aqui vamos percorrer a micro-história e a História global, a História europeia e a História nacional, sempre com o objetivo de atualizar os dilemas das pessoas do passado e colocar em perspetiva histórica os nossos dilemas do presente. Com o tempo, vão aparecer texturas e um padrão narrativo, que ajudará a fazer sentido do todo. Mas o todo será sempre multímodo, polifónico e eclético. De muitos caminhos. Todas as quintas-feiras um novo episódio escrito e narrado por Rui Tavares, com apoio à produção de Leonor Losa. A sonoplastia de Tempo ao Tempo é de João Luís Amorim e a capa é de Vera Tavares e Tiago Pereira Santos.

O génio da lâmpada de Aladino era mesmo um génio? Como a tradução pode evocar novos significados para palavras antigas

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Episódios

O génio da lâmpada de Aladino era mesmo um génio? Como a tradução pode evocar novos significados para palavras antigas 29 Oct 2026

Neste episódio, Rui Tavares parte do célebre autómato de Jacques de Vaucanson, desmontado mais de um século depois pelo mágico Robert-Houdin, para revisitar um tempo em que a fronteira entre ciência, técnica, ilusão e maravilhamento era tudo menos nítida. O pato que parecia viver escondia um truque. Mas nem por isso deixava de suscitar uma pergunta fundamental: até que ponto uma máquina pode imitar a vida? See omnystudio.com/listener for privacy information.

A filha de Descartes, o pato mecânico e o homem-máquina 22 Oct 2026

Esta semana em Tempo ao Tempo, Rui Tavares continua a procurar no passado a relação entre homem e máquina, desta vez indo até Decartes e Jacques de Vaucanson, inventor do “Pato-Mecânico” e perguntamos o que nos separa das máquinas — e se essa fronteira ainda existe. See omnystudio.com/listener for privacy information.

1709: O grande Inverno em que Aladino chegou à Europa 15 Oct 2026

O cenário é o grande inverno de 1709, um dos mais rigorosos de que há memória na Europa. É nesse contexto que Hanna Diyab, um viajante sírio de Alepo, conta a Antoine Galland histórias que viriam a transformar para sempre o imaginário ocidental. Entre elas estão Aladino e Ali Babá, personagens hoje inseparáveis das Mil e Uma Noites. Ao mesmo tempo, nascem duas figuras que marcariam a história dos autómatos e da ideia do corpo como máquina. Literatura, ciência, magia, religião e tecnologia começam a entrelaçar-se de forma inesperada. Um episódio sobre encontros improváveis, histórias viajantes, apropriações literárias e um ano extraordinário em que diferentes formas de inteligência não humana começam a ocupar um lugar novo no imaginário europeu. Entre o génio das “Mil e Uma Noites” e os primeiros sonhos de criar máquinas capazes de imitar a vida, desenha-se uma encruzilhada que continua a interpelar-nos. See omnystudio.com/listener for privacy information.

E se as pedras estiverem vivas? O mundo das inteligências não-humanas na antiguidade 08 Oct 2026

Quando o antropólogo Irving Hallowell perguntou a um ancião Ojibwa se todas as pedras estavam vivas, recebeu uma resposta inesperada: “Não. Algumas estão” A partir dessa ideia, percorremos diferentes formas de compreender o mundo e as entidades que o habitam. Dos daimones de Sócrates e das categorias propostas por Apuleio aos djinns da tradição islâmica e às cosmologias estudadas pelo antropólogo Philippe Descola, encontramos maneiras muito diversas de pensar a relação entre humanos e não humanos. Animismo, totemismo, analogismo e naturalismo ajudam-nos a perceber que aquilo que hoje entendemos como evidente nem sempre o foi. Durante grande parte da história, as fronteiras entre pessoas, animais, plantas, espíritos e coisas desenhavam-se de forma muito diferente. E chegamos inevitavelmente ao presente: quando falamos com uma inteligência artificial, quem responde do outro lado? See omnystudio.com/listener for privacy information.

Inteligência Artificial na antiguidade? Quando os oráculos eram os algoritmos do passado 01 Oct 2026

Memória, imaginação e coragem são os três desejos que guiam Rui Tavares numa viagem em busca de instrumentos para pensar o presente e enfrentar o futuro. Este episódio assinala o início de um novo projeto de escrita, um livro em construção que cruza mitologia, história, religião e tecnologia para refletir sobre os desafios colocados pela inteligência artificial. Partindo de um mosaico da Antiguidade e das histórias de oráculos, génios, lares, musas e outras entidades que habitavam o imaginário greco-romano, o episódio recupera a longa experiência da humanidade na relação com inteligências consideradas diferentes da sua. Durante milénios, os seres humanos acreditaram viver rodeados por vozes, espíritos e vontades não humanas, e aprenderam a interpretar, temer ou negociar com elas. A inteligência artificial é realmente uma novidade? Rui Tavares propõe uma perspetiva inesperada: para compreender as inteligências não humanas que hoje emergem à nossa volta, talvez seja útil olhar para um passado em que elas já pareciam estar por toda a parte. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Quem foram os professores que inspiraram a carreira de Rui Tavares? Uma história sobre o caminho académico do historiador 24 Sep 2026

Neste episódio, Rui Tavares recupera o seu passado de aluno e recorda aqueles professores que marcaram a trajetória da sua formação como historiador, desde a escola primária à universidade, passando pelos anos de formação em França. São histórias de vocação, aprendizagem, amizade e gratidão, contadas num registo pessoal e próximo, como uma conversa entre antigos colegas de escola. No centro destas memórias está António Manuel Hespanha, professor admirado por várias gerações e mestre de alunos que seguiram caminhos muito diferentes. Através das suas aulas, das suas ideias e do seu exemplo, o episódio reflete sobre aquilo que um grande professor pode deixar para lá dos programas, dos exames e das notas. Uma homenagem a todos os professores que continuam a acompanhar-nos muito depois da última aula. Porque, de certa forma, nunca deixamos totalmente de ser alunos daqueles que nos marcaram. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Guerras Culturais: A invenção da imprensa ajudou à disseminação das ideias (e à censura) no século XVI 17 Sep 2026

No episódio anterior, Rui Tavares mostrou como as guerras culturais se ancoram no confronto entre identidades, valores e narrativas, e como a invenção da imprensa revolucionou a forma de contar, difundir e disputar ideias. Neste episódio, a história continua a partir das indulgências e da Reforma Protestante, um dos primeiros grandes exemplos de uma divisão cultural amplificada por uma revolução tecnológica. À medida que a imprensa acelerava a circulação de textos, imagens e polémicas, cresciam também a polarização, a censura e a propaganda. A ansiedade perante a sobrecarga informativa, que hoje associamos às redes sociais e ao mundo digital, acompanhou também os primeiros séculos da imprensa: nos séculos XVI, XVII e XVIII, muitos acreditavam que existia informação a mais, livros a mais, e que ninguém conseguia acompanhar tudo o que era publicado. Entre Lutero, Erasmo, a Bíblia Poliglota e os primeiros fenómenos de comunicação de massas, este episódio aprofunda a relação entre guerras culturais e tecnologia, mostrando como as revoluções da comunicação não mudam apenas a forma de transmitir ideias. Mudam também a forma como pensamos, escolhemos lados e imaginamos o mundo. Lista de obras musicais utilizadas neste episódio: Debussy - Petite Suite Menuet Vivaldi ‌- Gnossiene No.1 (Satie), Laurent Dury Lee John Gretton - Knowing Half the Future Giovanni Paolo Picchi - Canzon Quinta Georges Delerue - Gaillarde et air Steven Johh Carter - The Passing of Time Georges Delerue - Lamento See omnystudio.com/listener for privacy information.

Entre Gutenberg e o Burkini: Onde crescem as guerras culturais? 10 Sep 2026

A cultura é um terreno de disputas constantes e as guerras culturais surgem quando valores, identidades e narrativas entram em conflito e despertam emoções intensas. Muitas vezes, não são os acontecimentos em si que dividem as pessoas, mas a forma como são contados, interpretados e partilhados. Da imprensa do século XV às redes sociais de hoje, as histórias continuam a moldar opiniões, criar pertenças e alimentar divisões. A partir da história da invenção da imprensa, Rui Tavares mostra como as ideias ganham vida própria quando passam de pessoa para pessoa, de livro para rumor, de facto para mito. E é precisamente essa viagem entre passado e presente que torna este episódio tão atual e relevante. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Como surgiram os conceitos de esquerda e direita na política? Uma viagem até Versalhes e à revolução francesa 03 Sep 2026

Afinal, de onde vêm os termos esquerda e direita? A resposta é mais simples do que muitos imaginam. Nascidos durante a Revolução Francesa, esquerda e direita surgiram a partir de um detalhe quase corriqueiro: o lugar escolhido pelos deputados numa sala de debates. Mas aquilo que parecia ser apenas uma questão de lugares acabou por refletir diferenças profundas sobre o poder, os direitos e o futuro da sociedade. Neste episódio, viajamos até 1789 para descobrir como uma circunstância aparentemente banal deu origem a duas das palavras mais influentes da política moderna. Uma história surpreendente que mostra como pequenos acontecimentos podem deixar uma marca duradoura na forma como entendemos e discutimos a política ainda hoje. Lista de músicas usadas no episódio: Antonio Vianello - “I’ll Wait For You” Roman Andor - “Brilliant Mind” Mozart - “Sinfonia Concertante” Daniel Pemberton - “Civil Uprising Mozart - “Variations on ‘Ein Madchen oder Weibchen’” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os mais ouvidos de 2026: A embaixada persa a Luis XIV e o furor que causou na corte: como se pode ser persa? 27 Aug 2026

Recordamos um dos episódios mais ouvidos de 2026 sobre a magnífica embaixada persa à corte de Luis XVI e o furor que fez nas ruas de Paris. Uma visão sobre um Irão totalmente diferente do que temos hoje em dia. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os mais ouvidos de 2026: Manuel Teixeira Gomes, o presidente da Primeira República e a primeira-dama que nunca viu Belém 20 Aug 2026

Recordamos um dos episódios mais ouvidos de 2026 do podcast Tempo ao Tempo sobre Manuel Teixeira Gomes, o penúltimo presidente da Primeira República. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os mais ouvidos de 2026: A “IA” do século XVIII: o mistério do Turco Mecânico, o robot que ganhava sempre ao xadrez 13 Aug 2026

Recorde um dos episódios mais ouvidos de 2026 do podcast Tempo ao Tempo: a máquina fascinante que ganhava sempre ao xadrez. Truque ou "inteligência artificial"? Oiça a história da máquina do século XVIII que fez furor e que ficou conhecida por Turco Mecânico. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os mais ouvidos de 2026: Beatriz Ângelo, a primeira mulher a conseguir votar em Portugal 06 Aug 2026

Recorde aqui um dos episódios mais ouvidos do podcast Tempo ao Tempo, onde Rui Tavares nos conta a história de Carolina Beatriz Ângelo, a primeira mulher a poder votar em Portugal durante a Primeira República, aproveitando uma exceção que lhe conferiu o direito (e uma salva de palmas). See omnystudio.com/listener for privacy information.

A história das férias pagas e a conquista do direito a não contar o tempo 30 Jul 2026

No verão de 1936, França assistiu a uma transformação inédita. Com a aprovação de duas semanas de férias pagas pelo governo da Frente Popular, milhões de trabalhadores passaram a poder fazer algo até então reservado a uma minoria: descansar sem perder salário. Mas esta conquista social desencadeou uma guerra cultural. Além do entusiasmo por parte dos trabalhadores, a medida provocou também uma forte reação. Parte da imprensa conservadora e de extrema-direita ridicularizou os novos veraneantes, anunciou o declínio das praias e dos costumes, apresentando as férias pagas como uma ameaça à ordem social. Neste último episódio antes das férias de Tempo ao Tempo, Rui Tavares conta a história das férias, desde as pausas religiosas e o lazer aristocrático até ao nascimento do trabalho industrial, que separou claramente o tempo de trabalho do tempo de descanso. As férias pagas, que em Portugal só seriam instituídas depois do 25 de Abril, tornaram-se uma das grandes conquistas sociais do século XX: o direito de, por alguns dias, deixar de contar o tempo. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Quem inventou a semana? A história dos sete dias que moldam as nossas vidas e o trabalho 23 Jul 2026

Há uma evidência que raramente questionamos: a semana. Vivemos orientados por segundas-feiras, esperamos pela sexta e contamos os dias até ao fim de semana… A semana está tão entranhada na vida quotidiana que raramente se pensa nela. No entanto, ao contrário do dia, do mês ou do ano, não corresponde a nenhum fenómeno natural. É uma convenção humana que acabou por por se tornar o principal ritmo da vida moderna. Neste episódio, a atenção recai sobre essa estranha invenção de sete dias que organiza o trabalho, o descanso, a religião e a própria perceção do tempo. Porque razão a semana tem sete dias? De onde vêm os nomes dos dias? E porque é que, em português, a segunda, a terça, a quarta, a quinta e a sexta-feira são diferentes do Monday, do Tuesday ou do jeudi? Entre tradições religiosas, heranças da Antiguidade e transformações do mundo do trabalho, emerge uma ideia simples: poucas criações humanas tiveram tanto sucesso como a semana. Tão bem-sucedida, aliás, que quase já ninguém se recorda de que foi inventada. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Como começa o tempo? A história do ano 1 do calendário Islâmico 16 Jul 2026

Partimos de Bassorá, cidade nas margens da antiga Mesopotâmia, para seguir a história da origem do calendário da Égira. O ponto de partida é quase burocrático: uma carta enviada para Medina sem indicação do ano. Mas dessa dificuldade administrativa nasce uma questão muito maior: como começar a contar o tempo de uma nova comunidade, de um novo império, de uma nova visão do mundo? Neste episódio, Rui Tavares percorre a história da criação do calendário islâmico e explica por que razão venceu a Hégira — a migração de Maomé de Meca para Medina — como marco inaugural da nova era. Pelo caminho cruzam-se religião, política, cronologia e memória, num exercício que recorda que os calendários não são neutros: são formas de organizar o passado e dar sentido à história. Porque, afinal, contar o tempo é também uma maneira de contar o mundo. See omnystudio.com/listener for privacy information.

O CR7 do ano 147: Caio Apuleio Diocles, o atleta lusitano que terá ganho mais dinheiro e mais fama que Cristiano Ronaldo 09 Jul 2026

A notícia da possível despedida de Cristiano Ronaldo dos Campeonatos do Mundo leva-nos à singular história de Caio Apuleio Diocles, ou Lamecus, talvez o mais célebre e rico desportista da Antiguidade. Entre a história e a curiosidade, este episódio estabelece um paralelo fascinante entre duas figuras ligadas ao atual território português, separadas por quase dois mil anos. Identificado nas inscrições romanas como lusitanus e tradicionalmente associado a Lamego, Diocles participou em mais de quatro mil corridas de quadrigas, conquistou mais de mil e quatrocentas vitórias e acumulou uma fortuna que, em valores atuais, poderá corresponder a milhares de milhões de euros. Com base nas inscrições romanas que preservaram a sua memória, o episódio conduz-nos ao universo das corridas de quadrigas, o grande espetáculo de massas do Império Romano, onde a fama, o dinheiro e as rivalidades entre equipas mobilizavam multidões. Uma comparação inesperada entre dois campeões que marcaram o seu tempo, Ronaldo e Diocles, revela como o culto dos grandes atletas atravessa os séculos. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Marc Bloch e Simone Vidal: a história serve para quê, afinal? 02 Jul 2026

A recente panteonização do historiador francês Marc Bloch e da sua mulher, Simone Vidal, oitenta e dois anos após as suas mortes, serve de ponto de partida para uma profunda reflexão de Rui Tavares sobre a história e para que serve a história. Marc Bloch e Simone Vidal entraram, por proposta de Emmanuel Macron, no Panteão de Paris, onde são agora evocados através de cenotáfios que preservam a sua memória, uma vez que os seus restos mortais permanecem no local de origem. Figura nuclear da historiografia contemporânea, fundador da Escola dos Annales e da corrente da História das mentalidades; defensor de uma História entendida como ciência da humanidade e da mudança, Bloch distinguiu-se também pelo seu compromisso ético e político: recusou o exílio e integrou a Resistência francesa, acabando por ser preso e executado pela Gestapo em 1944. Da interrogação do seu filho quando menino “para que serve a História?” nasceu Apologia da História, obra interrompida pela violência da guerra. Mostrando-nos como a família se posicionou politicamente face à panteonização de Bloch e Vidal, Rui Tavares aproveita para refletir sobre o legado do historiador: a busca da verdade, a empatia pelo passado e a coragem perante a adversidade. See omnystudio.com/listener for privacy information.

O Queijo e os Vermes: o legado Carlo Ginzburg nos modos modernos de fazer e pensar a história 25 Jun 2026

Interromper a programação prevista para falar do historiador Carlo Ginzburg por ocasião da sua morte, não é um gesto circunstancial, mas uma exigência da própria prática da história. Neste episódio Rui Tavares traz-nos um pouco da biografia de Ginzburg, evoca como o seu pensamento moldou a forma como olhamos para o passado e, de certo modo, reconhece a sua própria filiação intelectual. Num século marcado por grandes sínteses e ambições de totalidade, a proposta de Carlo Ginzburg foi a de reduzir a escala. Não para diminuir a história, mas para a tornar mais densa. Na obra “O Queijo e os Vermes”, em vez de vastos panoramas de uma época, mostra-nos um moleiro; em vez de procurar no pormenor a confirmação da norma, endereça o atípico como forma de questionar as certezas acerca do passado; em vez de usar os documentos do passado como provas, trata o arquivo como um terreno vivo, quase ao modo antropológico. Interromper para falar de Ginzburg é, por isso, também lembrar que fazer história implica saber parar — e reconhecer quem nos ensinou a ver no ínfimo uma outra forma de grandeza. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Magnífica Humanitas: o que a encíclica de Leão XIV nos diz sobre a IA e o futuro da humanidade 18 Jun 2026

Na encíclica Magnifica Humanitas, de maio de 2026, o Papa Leão XIV apresenta a inteligência artificial como uma questão existencial, comparável a outros grandes desafios da humanidade, e coloca-a perante um dilema: entre uma nova Babel — marcada pela perda de sentido humano — e a construção de uma comunidade assente na responsabilidade partilhada. A partir deste documento, Rui Tavares retoma a reflexão sobre a história do futuro, lendo-o nos sinais do presente, como faria um historiador. Na encíclica Leão XIV defende a cooperação, critica o nacionalismo e a ausência de regulação global, convocando referências de Santo Agostinho a Hannah Arendt e Tolkien. Mas o episódio detém-se também no que falta: a ausência de Pentecostes, num tempo em que a tecnologia começa a ultrapassar barreiras linguísticas. Entre história, tecnologia e ética, este episódio propõe escutar o presente como um arquivo vivo, procurando nele os sinais do futuro. Porque, bem vistas as coisas, e como William Gibson sublinha, “o futuro já está aqui, só não está bem distribuído”. Nota: Todas as músicas utilizadas neste episódio foram geradas por IA. See omnystudio.com/listener for privacy information.

O dia de Camões e a história do futuro 11 Jun 2026

O ponto de partida é o 10 de Junho: uma data que parece fixa, repetida, ano após ano, mas cuja própria história revela o contrário. Ao longo do tempo, este dia mudou de significado, de regime, de discurso, espelhando cada momento do país. Um exemplo de como aquilo que julgamos estável é, afinal, profundamente afectado pela mudança. A partir deste dia, Rui Tavares convida-nos a pensar a História como a disciplina que estuda a mudança no tempo, na definição de Marc Bloch, e a recuperar Camões como guia inesperado para refletir sobre ela. No seu verso — “não se muda já como soía” — esconde-se uma ideia poderosa: há momentos em que não são apenas as coisas que mudam… é a própria natureza da mudança que se transforma. E então, será possível, a partir dessas transformações, fazer uma “história do futuro”? Este episódio abre uma série de episódios que serão um convite a pensar a filosofia da história, a olhar o presente com mais atenção e a reconhecer os sinais de um tempo em que múltiplas mudanças, tecnológicas, sociais, climáticas: acontecem ao mesmo tempo e a um ritmo sem precedentes. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial dia da Criança: A história de todas as histórias começa sempre com um menino, uma árvore e um bicho 05 Jun 2026

A propósito do Dia da Criança, celebrado esta semana, Rui Tavares parte de uma pergunta do seu filho, simples e, ao mesmo tempo, vertiginosa: “qual é a história de todas as histórias?” Neste episódio especial, regressamos à infância, às infâncias e percorremos milénios. Ao longo deste envolvente episódio, atravessamos diferentes histórias que parecem distantes no tempo e no espaço, mas que se unem por três elementos essenciais: uma criança, uma árvore e um bicho. Neles se condensam as experiências fundadoras da infância — o espanto, a descoberta, a relação com o mundo vivo. De Ulisses a Santo Agostinho, de Anne Frank às memórias pessoais, o episódio revela como essas imagens primeiras persistem e reaparecem, moldando a forma como lemos, lembramos e compreendemos o mundo. Uma poética reflexão sobre a continuidade da infância dentro de nós. Talvez todas as histórias comecem assim: com uma criança a olhar o mundo e a tentar, pela primeira vez, dar-lhe sentido. See omnystudio.com/listener for privacy information.

O outro 28 de maio: um agradecimento a Carolina Beatriz Ângelo 28 May 2026

Cumprem-se hoje 100 anos sobre o golpe de Estado que mergulhou Portugal na mais longa ditadura da Europa Ocidental. Este poderia ser um episódio sobre o 28 de maio de 1926, mas Rui Tavares rebela-se e leva-nos antes a um outro 28 de maio, o de 1911, data das primeiras eleições da República portuguesa e o dia em que, pela primeira vez, o direito de voto foi exercido por uma mulher em Portugal: Carolina Beatriz Ângelo. Médica, viúva, mãe, e pioneira, Carolina Beatriz desafiou o seu tempo e abriu caminho na luta pela igualdade entre homens e mulheres ao encontrar uma brecha na lei e reclamar o direito ao voto. Seguimos os seus passos nesse dia, numa assembleia de voto em Arroios, em Lisboa; revisitamos os acontecimentos que o antecederam; e percorremos o seu notável trajecto biográfico. Cruzamo-nos também com as mulheres que, com Carolina, fizeram emergir o feminismo em Portugal. Nos 15 anos que separam estes dois 28 de maio, joga-se mais do que uma mudança de regime. Joga-se a possibilidade de uma cidadania plena — que, por um instante, pareceu ao alcance das mãos. See omnystudio.com/listener for privacy information.

A História de Thomas Chase, um sobrevivente do terramoto de 1755 21 May 2026

Entre o caos, o medo e a sobrevivência, este episódio transporta-nos para o coração do terramoto de 1755 em Lisboa através de um relato raro e intensamente humano de Thomas Chase, sobrevivente da catástrofe. Rui Tavares retoma o seu Pequeno Livro do Grande Terramoto e traz a história de um jovem estrangeiro preso num cenário apocalíptico. Das colinas que então eram campos abertos aos acampamentos improvisados cheios de refugiados, Chase leva-nos por uma cidade devastada, marcada por ruínas, fogo indomável, tremores e pânico coletivo. O relato cru de Thomas — ferido, perdido e rodeado por desconhecidos — abre uma janela única sobre o desespero, a solidariedade e o estranhamento entre comunidades num momento limite. Com base em cartas e testemunhos da época, esta descrição vívida lembra como, mesmo nas maiores catástrofes, persistem gestos de humanidade. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Flora Tristan: a mulher que antecipou o sindicalismo e o feminismo no século XIX 14 May 2026

Partimos de uma notícia atual: um navio ancorado ao largo de Cabo Verde, para viajar quase dois séculos até outra embarcação, parada no mesmo lugar, em maio de 1833. A bordo segue uma figura fascinante e ainda hoje surpreendentemente pouco conhecida: Flora Tristan. Jovem, franco‑peruana, com uma vida marcada por perdas, violência e exclusão. Separada num tempo em que as mulheres tinham poucos direitos, impedida de ver os próprios filhos e empurrada para a margem da sociedade, transforma essa experiência num motor de pensamento e ação, Flora embarca numa viagem decisiva rumo ao Peru, em busca de reconhecimento, herança e, sobretudo, de um lugar no mundo. Mais do que uma viajante, Flora Tristan torna-se uma voz pioneira do feminismo e uma das primeiras pensadoras do movimento operário. Defende a emancipação das mulheres e propõe algo revolucionário para o seu tempo: a união internacional dos trabalhadores, organizada de forma solidária e autónoma. A sua ideia antecipa o sindicalismo moderno e inspira gerações posteriores, muitas vezes sem o devido reconhecimento. Neste episódio, Rui Tavares mergulha na força da sua escrita, na coragem das suas ideias e no impacto duradouro do seu pensamento. Uma história de resistência, lucidez e transformação que continua a ecoar nos debates de hoje. See omnystudio.com/listener for privacy information.

O caminho para a paz na Europa segundo Robert Schuman e um hino à alegria composto por um Beethoven surdo 07 May 2026

Em dezembro de 1943, em plena guerra, Arturo Toscanini dirige em Nova Iorque o Hino das Nações, um gesto de resistência, arte e esperança num mundo marcado pelo fascismo, pela censura e pelo medo. Este episódio de “Tempo ao Tempo” acompanha a presença da música como elemento de ação, união e esperança política. Segue também a extraordinária viagem da Nona Sinfonia de Beethoven, da sala de concerto à arena política, da utopia cosmopolita de Schiller à consagração como Hino da Europa, passando por Schuman, Monnet, e pela pergunta que continua a ecoar: faremos nós a Europa, ou faremos nós a guerra? Da Segunda Guerra Mundial ao Dia da Europa, Rui Tavares lembra-nos que os símbolos não nascem por acaso: nascem de crises, de escolhas difíceis e de uma vontade obstinada de não repetir o desastre. E talvez seja por isso que a Ode à Alegria ainda nos comove, porque fala de uma fraternidade possível num mundo tantas vezes dividido. See omnystudio.com/listener for privacy information.

O Princípio da Inquietação: Expresso lança podcast que quer pôr os portugueses a pensar 30 Apr 2026

Vem aí o primeiro podcast do Expresso dedicado à Filosofia. O Príncipio da Inquietação é um podcast onde pensar é um verbo que se exercita a sós e em conversa. Filósofos nacionais e internacionais refletem em voz alta sobre o medo, enquanto Catarina G. Barosa, fundadora do Festival Internacional de Filosofia, Espanto, e David Erlich, professor e escritor, recebem convidados de várias áreas para diálogos sem rede. Aqui, as certezas são questionadas e a dúvida ganha estatuto de virtude. O objetivo é praticar a nobre arte de pensar, mesmo que isso conduza não a respostas, mas a novas perguntas. Pode ouvir o novo podcast em Expresso.pt ou em qualquer aplicação de podcasts, onde consegue subscrevê-lo, comentar e enviar sugestões. Todas as quintas-feiras um novo episódio, uma nova inquietação. A primeira é já a 7 de maio. A edição áudio e vídeo deste podcast é assegurada pela Tale House, com identidade sonora a partir da interpretação do músico e produtor Pedro Luís, da obra Inquietação, da autoria de José Mário Branco, inspirada na versão interpretada pelo grupo A Naifa. A capa é de Tiago Pereira Santos, com fotografia de Matilde Fieschi e logo do Expresso e do Festival Espanto. A coordenação está a cargo de Joana Beleza e a direção é de João Vieira Pereira. See omnystudio.com/listener for privacy information.

O tempo em que havia três papas: e se houvesse um anti-papa em Mar-a-lago? 30 Apr 2026

O ponto de partida deste episódio é a “Bofetada de Anagni”, em 1303, quando o Papa Bonifácio VIII foi humilhado por emissários do rei de França e vai desaguar no deslocamento do papado para Avignon, onde durante décadas os pontífices viveram sob forte influência francesa. Esse período culmina no Grande Cisma do Ocidente, iniciado em 1378, com a eleição simultânea de papas rivais em Roma e em Avignon, apoiados por diferentes potências europeias. A tentativa de resolver o cisma através de concílios acabou por agravá‑lo, chegando a haver três papas em simultâneo. Rui Tavares leva-nos até este tempo fascinante em que a autoridade da Santa Sé era soberana na idade média católica. Embora o Papa já não desempenhe o papel de árbitro do que hoje chamaríamos sistema internacional, as divisões — ou “cismas” — continuam a marcar a política global, seja entre Estados, alianças ou dentro das próprias comunidades religiosas. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Há quanto tempo a nossa imaginação vai à Lua? Luciano Samósata e o poder da fantasia 23 Apr 2026

Desde há dois mil anos a nossa imaginação viaja até à Lua. No universo da imaginação literária, Luciano de Samósata narrou, no século II da era cristã, essa viagem tão absurda quanto brilhante: um barco levado por um tufão, rumo a uma Lua habitada, em guerra com o Sol, povoada por criaturas absurdas e maravilhosamente inventadas. Neste episódio, Rui Tavares revela-nos o escritor sírio Luciano de Samósata, nascido no século II, falante de aramaico e que escreveu em grego, e como, entre ficção, filosofia e sátira, abriu caminho para outras formas de pensar o mundo e até para a verdadeira conquista da Lua. Do antigo sonho de voar ao fascínio moderno pelo espaço, este episódio percorre uma linha surpreendente da presença da Lua entre literatura, ciência e utopia, e que se estende do século II até a exploração espacial que assistimos na semana passada. Uma história sobre o poder de imaginar o impossível e sobre como, às vezes, a ficção chega primeiro do que a técnica. See omnystudio.com/listener for privacy information.

O julgamento de Sócrates: aprender a morrer 16 Apr 2026

O que faz Rui Tavares quando não tem tempo para dar ao tempo? Convida-nos a acompanhá-lo nos trabalhos de casa para uma das aulas de Grego Antigo que frequenta com o Professor António Castro Caeiro. O foco central é um exercício de tradução do Fédon, o diálogo onde Platão narra as últimas horas de Sócrates, depois de condenado à morte, antes de beber a cicuta. Através de Platão – que não esteve com o filósofo nessas derradeiras horas – Sócrates, no diálogo com Simias, disserta sobre a ideia de que aprender não é adquirir algo novo, mas sim recordar conhecimentos que a alma já possuía antes de habitar o corpo. Entre a sentença e a execução, discute a morte como a separação final entre a alma e o corpo, defendendo que filosofar é, em última análise, "aprender a morrer". See omnystudio.com/listener for privacy information.

A história da longa resistência a uma muito longa ditadura 09 Apr 2026

Quando e como começou, afinal, a ditadura a revelar-se? Na senda dos episódios anteriores sobre a aproximação ao 28 de maio de 1926, Rui Tavares elege os sinais que anunciam o colapso da Primeira República, o momento em que o golpe deixou de parecer um episódio passageiro e em que a ditadura começou a revelar a sua verdadeira natureza opressiva. E como, perante isso, se desencadeou a resistência que lhe faria frente durante décadas. Da Semana Antifascista de março de 1926, às revoltas do Porto e de Lisboa em fevereiro de 1927, passando pela formação da Liga de Paris, percorremos a construção da resistência à ditadura — dentro e fora do país, entre exílio, prisão e propaganda internacional. Revisitamos importantes figuras como Jaime Cortesão, Raul Proença, Afonso Costa, Mário Castelhano, Elina Guimarães e Hélder Ribeiro, entre muitos outros, e percebemos como se formaram redes de oposição que enfrentaram uma repressão cada vez mais violenta. Entre esperança, desilusão e coragem, este é um episódio sobre a história da longa resistência a uma muito longa ditadura. See omnystudio.com/listener for privacy information.

É mais fácil governar um rebanho de ovelhas ou um rebanho de pessoas? Xenofonte e a sua Ciropédia 01 Apr 2026

Neste episódio Rui Tavares volta à Persia e recua à Grécia antiga para falar de um livro que foi, durante séculos, uma referência incontornável na reflexão sobre poder, educação e liderança: a  Ciropédia, de Xenofonte. Escrita no século IV a.C., esta obra apresenta a educação do rei persa Ciro, e transforma a figura histórica num modelo de governante justo, inteligente e pedagógico. Embora hoje seja pouco lida, a sua influência foi enorme: marcou leitores como Júlio César, Maquiavel, Montesquieu, Rousseau, Benjamin Franklin e Thomas Jefferson. A Ciropédia não é apenas um relato sobre a Pérsia antiga. É também uma meditação sobre o que significa governar, aprender a liderar e formar o carácter. Xenofonte — ateniense, discípulo de Sócrates e autor de textos célebres como a Anábase — usa a infância e a formação de Ciro para pensar a relação entre disciplina, observação, respeito pelos outros e autoridade. See omnystudio.com/listener for privacy information.

A semana antifascista de 1926: se havia a iminência de uma ditadura, porque é que ninguém fez nada para a impedir? 26 Mar 2026

Neste episódio, regressamos a março de 1926, quando intelectuais da Seara Nova, os “searistas” Júlio Proença, António Sérgio, Jaime Cortesão, anarquistas do jornal A Batalha e republicanos radicais organizaram a Semana Antifascista, uma semana de comícios e conferências alertando para a ameaça dos fascismos que chegam da Europa com Mussolini ou Primo de Revera. Mas se estes activistas viram o fascismo chegar, porque falharam? A resposta será confusão política. Como Rui Tavares nos tem vindo a contar: a ditadura já era banal: golpes, e golpes dentro dos golpes eram impunes, as esquerdas dividiam-se e a tecnocracia seduzia os mais crédulos. Não basta clarividência quando o inimigo se irrompe na confusão. De Lisboa a Moçambique, a convergência antifascista parecia invencível. Mas o tempo deu 47 anos, 10 meses e 3 dias de obscuridão. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mendes Cabeçadas: o político paradoxal que ajuda a implantar e a derrubar a República 19 Mar 2026

Filho de comerciantes de cortiça, Mendes Cabeçadas trocou Faro por Lisboa, liceu por quartel. Enquanto capitão‑tenente no Adamastor, Cabeçadas bombardeou o Palácio das Necessidades para implantar a República. Averso ao caciquismo de Afonso Costa, conspirou contra a instabilidade. Quando infiltrações monárquicas e integralistas começaram a ameaçar o espírito republicano que queria salvar, reagiu com um golpe dentro do golpe: afastou Gomes da Costa e governou 17 dias, com Salazar como ministro das Finanças por escassas horas. Já em plena ditadura, Cabeçadas nutre crescente descrença por Salazar e conspira contra ele em 1946–47 (sem sucesso), sendo vigiado pela PIDE quase até à morte. Morre em junho de 1965 – o homem que ajudou a criar o monstro que quis desfazer. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Quatro décadas de SIS contadas por dentro: oiça aqui o trailer do novo podcast do Expresso 16 Mar 2026

O Expresso apresenta “SIS: 40 anos de segredos”, um podcast documental onde se conta a história do Serviço de Informações de Segurança. Pela voz de quem o desenhou, instalou e dirigiu, é explicada de forma inédita como funcionam e foram evoluindo as vertentes da formação e da fiscalização. Siga esta investigação jornalística de Celso Paiva Sol, contada em seis episódios. Novo episódio todas as terças-feiras já a partir de 24 de março. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Como se pode ser persa? O Irão e a herança de uma civilização milenar 12 Mar 2026

Quase meio século depois da Revolução Islâmica ter instaurado no Irão um poder teocrático tão duradouro quanto a ditadura em Portugal, o ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel derrubou o regime dos aiatolas e vem abrir uma nova frente de guerra no Médio Oriente. Enquanto mísseis e drones atingem Teerão, paira a pergunta sobre esta República Islâmica que derrubou uma monarquia em nome da fé: é o Irão apenas um regime dos aiatolas, ou é herdeiro de uma civilização persa milenar, ponte histórica entre Europa e Ásia, marcada por encontros sucessivos com o mundo grego, romano e europeu? A partir desta atualidade Rui Tavares recua ao século XVIII para revisitar uma embaixada persa enviada a Luís XIV e a reação fascinada e perplexa da corte francesa diante daqueles “exóticos” orientais. Deste choque de culturas nasceu o livro Cartas Persas, onde Montesquieu inverte o ponto de vista exótico e imagina como seriam os persas a descrever os europeus. Em Cartas Persas, Montesquieu inaugura o jogo de estranhamento que está na origem do Iluminismo e da crítica às certezas religiosas e políticas da Europa. Este episódio de Tempo ao Tempo propõe ler o Irão de hoje à luz dessa longa história de encontros, mal‑entendidos e espelhos: talvez, sugere Rui Tavares, não se possa compreender o que significa ser europeu sem ser, pelo menos um pouco, persa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ucrânia: a guerra mais antiga da Europa dos últimos 300 anos 05 Mar 2026

No final de fevereiro completaram‑se quatro anos do início da guerra na Ucrânia. Contudo, se contarmos o seu início em 2014, com a anexação da Crimeia e a guerra no Donbas, e não apenas a invasão em larga escala de 2022, este é o conflito europeu mais longo desde a Guerra dos Trinta Anos. A partir desta constatação, Rui Tavares recua quatro séculos para usar a Guerra dos Trinta Anos e a Guerra da Sucessão Espanhola para ler as guerras europeias não como eventos isolados, mas como “guerras civis” dentro de uma mesma república europeia de Estados. Seguindo Voltaire e o seu “Siècle de Louis XIV”, o episódio explora esta ideia de Europa como república de facto: um espaço político partilhado por monarquias, repúblicas e Estados mistos, unidos por um fundo comum de direito público, práticas diplomáticas e interesses que tornam as guerras menos conquistas imperiais e mais mecanismos de contenção de hegemonias excessivas. Será que este conflito se inscreve neste padrão? See omnystudio.com/listener for privacy information.

Um comboio de tempestades em Portugal e a primeira catástrofe moderna 26 Feb 2026

Rui Tavares regressa ao Terramoto de Lisboa de 1755, reconhecido como primeira catástrofe moderna. O epíteto não lhe cabe pela dimensão da catástrofe, mas pela resposta política organizada no seu rescaldo: inquérito sistemático ao reino, códigos de construção inovadores e reconstrução planeada em nova escala. Este pensamento organizado perante a destruição e a necessidade de reconstrução no século XVIII, inaugurou, segundo o sociólogo Enrico Quantarelli, práticas de prevenção que hoje reconhecemos como modernas. Se tais raízes existem, cabe reflectir por que as ignoramos – em vez de as actualizar para o presente. Como usamos o conhecimento de catástrofes passadas e recentes? Transformamo-las em acções concretas ou em fatalismos comparativos? See omnystudio.com/listener for privacy information.

O doente imaginário e a derradeira atuação de Molière, o dramaturgo que gozou com todos 19 Feb 2026

Neste 17 de fevereiro cruzaram‑se duas histórias: a de uma mãe nascida nesse dia e a da derradeira atuação de Molière. Em 2026, essa mãe celebra 95 anos, tendo sido criança num mundo onde ainda se via o Zeppelin passar sobre aldeias ribatejanas. Rui Tavares leva-nos ao século de Molière, o dramaturgo francês que gozou com todos. See omnystudio.com/listener for privacy information.

No século XVIII já havia Inteligência Artificial? Conheça o Turco Mecânico, o autómato que ganhava sempre ao xadrez 12 Feb 2026

O que nos intriga, aproxima e afasta da inteligência artificial? Porque é que nos deixamos seduzir e, ao mesmo tempo, assustar por ela? Há poucos dias, circularam relatos de que existiria uma rede social habitada apenas por bots – programas concebidos para automatizar tarefas e simular interacções humanas – onde agentes de IA conversariam entre si, se queixariam dos seus humanos e inventariam uma língua secreta. Fascinante? Inquietante? Esta ambivalência diante da máquina, que parece emancipar‑se e ultrapassar‑nos, não é nova. Muito antes da era digital, o século XVIII conheceu o fascínio pelos autómatos e multiplicou engenhos capazes de executar movimentos e tarefas “sozinhos”: pianos automáticos, caixas de música, bonecos articulados ou fonógrafos. Dispositivos exuberantes, perante os quais a alta sociedade se deixava iludir. É nesse horizonte que Rui Tavares recupera a história do Turco Mecânico, o autómato que jogava xadrez nas cortes europeias a partir de 1770. Inventado por Wolfgang von Kempelen, foi apresentado como um jogador mecânico invencível, capaz de derrotar filósofos, aristocratas e, mais tarde, figuras como Benjamin Franklin ou Napoleão. Esse engenho que percorre a Europa e os Estados Unidos da América, porém, está longe de ser tão mecânico e tão autómato quanto aparenta, como acabará por se revelar. O que escondia, afinal, o Turco Mecânico? E quem são estes bots que hoje se entretêm a falar de nós nas suas próprias redes? Estaremos perante uma tecnologia que se emancipa ou, como no século XVIII, diante de um ilusionismo sofisticado – um truque com pouca magia, mas com muito engenho? A ilustração deste episódio foi feita com recurso a IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

O último Presidente: Quem foi Bernardino Machado, o carioca que se tornou presidente da Primeira República? 05 Feb 2026

Duas vezes presidente, duas vezes deposto, duas vezes exilado. Nonagenário, confinado ao Norte pelo Estado Novo, dita memórias à filha: “Nasci no Rio de Janeiro”. Bernardino Machado, a figura que Rui Tavares nos traz neste episódio, nasceu no Brasil em 1851, cresceu num Império escravocrata, entre o comércio do pai minhoto e a boa sociedade da mãe brasileira, e foi criado por Máxima, a escravizada que o leva à escola. Aos nove anos muda-se para o Minho e, poucos anos mais tarde, radicaliza-se nas ideias republicanas e socialistas do ambiente estudantil de Coimbra, para onde se foi formar. Em 1872, optou pela nacionalidade portuguesa, servindo no exército e afirmando-se como português por escolha e serviço. Embora tenha sido ministro da monarquia, Bernardino Machado evoluiu do liberalismo monárquico para o republicanismo social, próximo do socialismo democrático, articulando facções no Partido Republicano Português. Embaixador no Brasil após 1910, regressa para liderar a “União Sagrada” na Grande Guerra. Presidente em 1915 deposto em 1917, e reeleito em 1925, cai em seis meses com o golpe de 28 de maio de 1926. Carioca e minhoto, intelectual e militante, quem foi Bernardino Machado, o homem de consensos que encarna o último fôlego da Primeira República? See omnystudio.com/listener for privacy information.

Manuel Teixeira Gomes, o presidente que se demitiu e a primeira-dama invisível 29 Jan 2026

Há 100 anos, em dezembro de 1925, Manuel Teixeira Gomes abandonava a Presidência da República Portuguesa e embarcava no cargueiro holandês Zeus, rumo ao Mediterrâneo. Este algarvio de Portimão (1860-1941), penúltimo presidente da Primeira República, deixava para trás um país em convulsão rumo ao fim do regime republicano e ao 28 de maio de 1926. Filho de comerciantes de figos, estudou medicina em Coimbra e radicalizou-se na boémia lisboeta. Publicou “Inventário de Junho” (1899) e “Gente Singular” (1909), foi diplomata em Londres, defendeu colónias na I Guerra e foi vice-presidente da Sociedade das Nações. Eleito presidente em 1923, enfrentou 6 governos instáveis e golpes militares. Impopular, renunciou a 10/12/1925 e exilou-se em Bougie (Argélia), prevendo o colapso republicano. Chamou Portugal “a pátria erodida pela inveja”. Mas, quando desertou, deixava também Belmira das Neves, filha de pescadores de Portimão que tomou como companheira quando ela tinha apenas 15 anos e ele 40. Mãe das suas filhas Ana Rosa (1906) e Maria Manoela (1910), Belmira nunca pisou Belém nem acompanhou as viagens diplomáticas pela Europa. Ficou no Algarve como primeira-dama invisível, esquecida pela elite republicana. See omnystudio.com/listener for privacy information.

O explorador que percorreu a Gronelândia a pé, ganhou o prémio Nobel da Paz e criou um passaporte humanitário: Fridtjof Nansen 22 Jan 2026

O que liga a Gronelândia, o Prémio Nobel da Paz, a Liga das Nações para os Refugiados e Calouste Gulbenkian, o maior mecenas cultural do nosso país? A resposta é Fridtjof Nansen, o explorador do Ártico que teve a audácia de trilhar o pioneiro caminho por terra pela calota glacial da Gronelândia, em 1888, até à actual cidade de Nuuk. Unindo o seu conhecimento científico em zoologia com desenvolvimentos técnicos para enfrentar as condições mais inóspitas, Nansen explorou o território do Ártico gelado. Mas além de explorador, na vida de Nansen couberam muitas vidas. Dedicou-se à zoologia, desenvolveu equipamentos modernos que permitiram outras expedições, e foi nomeado Alto Comissário da Liga das Nações após a Segunda Guerra Mundial, onde criou o Passaporte Nansen, gesto humanitário que beneficiou Calouste Gulbenkian e salvou 450 mil apátridas. Mas afinal, em que medida tudo isto se relaciona com o verdadeiro espírito do tão falado e recentemente cobiçado Prémio Nobel da Paz? Hoje Rui Tavares leva-nos a conhecer a maravilhosa vida de Fridtjof Nansen, cuja imaginação, técnica, coragem e humanismo nos deve inspirar e dar esperança. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Almanaque A Batalha para 1926: uma viagem até ao ano em que tudo muda 15 Jan 2026

Ao entrar no ano novo, A Batalha, jornal do movimento operário anarcossindicalista, apresentava aos leitores uma novidade: o Almanaque para 1926. Fundado em 1919 pela União Operária Nacional, A Batalha era já, em 1926, um diário de referência. Ao invés de mera publicação doutrinária, Alexandre Vieira, o seu primeiro diretor, idealizara um jornal capaz de ocupar espaço na imprensa periódica nacional e participar activamente no debate político. Assim, conjugava textos ideológicos com temáticas diversas, competindo nas bancas com comerciais como Diário de Notícias ou O Século. A partir do Almanaque, distribuído gratuitamente no início de 1926, Rui Tavares acompanha o início da história deste jornal, e reflecte sobre o papel político do anarcossindicalismo e do movimento operário durante a Primeira República. O Almanaque, como é da sua natureza, apontava a previsibilidade do tempo: efemérides do calendário, ciclo das estações, marés e fases da Lua. Não podia prever, contudo, a mais impactante efeméride do ano: o dia 28 de maio, quando a República chegava ao fim e o tempo histórico tomava novo rumo. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os 100 anos da queda de Alves Reis: de falsário impenitente a cristão renascido 08 Jan 2026

Por onde anda Alves dos Reis? Como terminou a saga da maior burla de que há memória no país? Rui Tavares regressa a 1926 para nos contar a história da prisão do homem que burlou aproximadamente 1% do PIB português e que se tornou num cristão renascido A história entretanto interrompida, é agora retomada para conhecermos finalmente o seu desfecho. Às portas de 1926, esse ano em que tudo mudaria, há exactamente 100 anos, alguém deteta uma incongruência: duas notas com o mesmo número de série. É o fio da meada que permite começar a compreender o que provocara o enorme desequilíbrio no sistema financeiro português e a misteriosa crise inflacionária. Preso em Dezembro de 1925, Alves dos Reis não desiste de provar a sua inocência. Em 1930, já o golpe militar de 28 de Maio de 1926 derrubara a República e o Estado mudara de direção – com Salazar no Ministério das Finanças desde 1928 –, ainda Alves dos Reis tentava a partir da prisão provar a sua inocência. Neste episódio, Rui Tavares retoma a saga de Alves dos Reis e o seu papel na descredibilização do sistema político e financeiro que faria ruir a, já em crise, democracia portuguesa. Afinal, o que podia o vilão desta história alegar em sua defesa? See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os mais ouvidos de 2025: De “Pulp Fiction” a Santo Agostinho 01 Jan 2026

No primeiro episódio do podcast Tempo ao Tempo, Rui Tavares propõe uma viagem errante no tempo e na geografia ao encontro de pessoas cujas vidas se desencontraram por dois milénios mas que estão ligadas pela música. Do filme “Pulp Fiction” até à Grécia Antiga há muita história que se liga pela linguagem. Recorde este primeiro episódio do podcast Tempo ao Tempo. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os mais ouvidos de 2025: Crimeia, a guerra esquecida 25 Dec 2025

Recorde o episódio em que Rui Tavares nos leva até 1852 e à guerra da Crimeia, para constatar que não há factos irrelevantes. See omnystudio.com/listener for privacy information.

O primeiro Natal em ditadura e um fado de Alfredo Marceneiro: bem-vindos a uma feia noite de Natal 18 Dec 2025

No ano de 1924, Alfredo Marceneiro conquista pela primeira vez o primeiro lugar num concurso de fados. “Remorso”, o fado com letra de Linhares Barbosa que interpretou, dá voz a alguém que se consome de culpa, sozinho, numa noite de Natal. Dois anos depois, esse fado, entretanto celebrado por toda a cidade, parece ter adivinhado o crime passional que iria prender a atenção do país. O que terá prenunciado, afinal, o fado de Marceneiro? Que força tinha a música popular dos anos 20 do século XX, e como circulava entre o teatro de revista, os novos discos de 78 rotações e as partituras vendidas em banca? Neste episódio envolvente, Rui Tavares guia-nos pelas sombrias ruas do Bairro Alto, da Mouraria e do Intendente, mergulha na terrorífica Noite Sangrenta de 1921, entra nos teatros cheios de luz onde Lisboa se divertia em plena crise política e conduz-nos, passo a passo, até à história de um crime amoroso que de tão inesperado e chocante, desviou o olhar coletivo da ditadura que se instalava com o golpe de Estado de 28 de maio de 1926. See omnystudio.com/listener for privacy information.

O que faz um padre português no romance “O Conde de Monte Cristo”, de Alexandre Dumas? 12 Dec 2025

O que faz um padre português no romance O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas? Será mera fantasia do autor ou eco de uma personagem histórica concreta? E, a existir, quem foi ele e como ali foi parar? Neste episódio, Rui Tavares apresenta a singular vida de José Custódio de Faria, um filho do terramoto de 1755. Goês de origem, deixou Goa e passou por Roma, Lisboa e Paris, ordenando‑se sacerdote em Roma e ficando conhecido como o Abade Faria, o tal padre português de Alexandre Dumas. A sua fama, porém, não veio da vida de sacerdócio, mas do engenho com que se dedicou ao hipnotismo e se tornou um dos pioneiros da hipnose moderna. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Juan Pujol Garcia: o espião que enganou os Nazis sobre o desembarque na Normandia 04 Dec 2025

Há, na história, pequenas histórias de mulheres e homens que já não guardamos memória. Viveram o seu tempo sem que as suas biografias ganhassem o relevo que a história premeia ao ser contada. Ainda assim, esses sujeitos da história votados ao anonimato, intervieram decisivamente no curso de acontecimentos impactantes, nos momentos em que a história deu as suas guinadas, mudou de rumo e abriu caminhos que ainda hoje nos alcançam. Conhecemos bem alguns desses acontecimentos, e de alguns fomos até espectadores. Mas, por detrás dos protagonistas que reconhecemos como centrais – políticos, cientistas, teóricos, entre outros – quantas mulheres e quantos homens terão tido um papel determinante e decisivo? Neste episódio, vamos seguir os passos de Juan Pujol Garcia, o espião que passou por Portugal durante a Segunda Guerra Mundial, e espreitar os bastidores dos bastidores do dia 6 de junho de 1944, o dia em que as tropas aliadas desembarcaram na Normandia. Qual o papel de Pujol neste dia em que a história ganhou um pequeno recomeço? See omnystudio.com/listener for privacy information.

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