Um Género de Conversa cover

Um Género de Conversa

Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto

Este podcast é sobre mulheres. Não é vedado aos homens mas, insistimos, é sobre as mulheres. Uma hora de conversa entre mulheres, sobre mulheres, para mulheres. Os homens que calharem a ouvir são capazes de beneficiar com isso. Pelo menos elas acham que sim. Uma é a Patrícia Reis, a outra a Paula Cosme Pinto, e são elas as anfitriãs deste lugar de fala feminino.

Este podcast é sobre mulheres. Não é vedado aos homens mas, insistimos, é sobre as mulheres. Uma hora de conversa entre mulheres, sobre mulheres, para mulheres. Os homens que calharem a ouvir são capazes de beneficiar com isso. Pelo menos elas acham que sim. Uma é a Patrícia Reis, a outra a Paula Cosme Pinto, e são elas as anfitriãs deste lugar de fala feminino.

Sílvia Saraiva: “Estas injecções [GLP-1] devem ser usadas como medicamentos e não como drogas”

0:00 0:00

Episódios

Sílvia Saraiva: “Estas injecções [GLP-1] devem ser usadas como medicamentos e não como drogas” 04 Nov 2026

A endocrinologista Sílvia Saraiva levou pessoas com diabetes a escalar montanhas, autorizou um doente a praticar pára-quedismo e foi mãe pela terceira vez aos 52 anos, quando já tinha dois filhos adultos. Aos 63 anos, continua a defender que os limites não devem ser confundidos com impossibilidades, mas também que a medicina exige planeamento, conhecimento e respeito pelas circunstâncias individuais de cada pessoa. Há quase 30 anos que organiza actividades desportivas para jovens com diabetes, incluindo expedições a alguns dos picos do mundo. Conta que os participantes a consideravam uma médica um pouco “louca”, até perceberem que as suas propostas resultavam. “Eu sou a mulher dos planos B”, explica, lembrando que por detrás de cada aventura estão vários cenários de segurança cuidadosamente preparados. Para Sílvia Saraiva, viver com uma doença crónica não significa abdicar de uma vida plena. Recusa a infantilização dos doentes e considera que a relação entre médico e paciente deve assentar na partilha de conhecimento e na confiança. “Eu tenho de respeitar as pessoas como adultas, tenho de respeitar a sua inteligência, não as posso tratar como crianças”, afirma. E acrescenta que a medicina não pode ignorar a singularidade de cada pessoa, as suas crenças, condições económicas ou circunstâncias familiares: “O doente tem de colaborar, não sei tudo, preciso que me ajude”. É também por isso que rejeita a culpabilização das pessoas com obesidade, uma doença crónica ainda frequentemente associada à falta de vontade ou de disciplina. Nesta conversa abordam-se os novos medicamentos injectáveis para emagrecer, defendendo a sua utilização com acompanhamento médico, doses ajustadas e tempo para modificar hábitos de vida. “Todas estas injecções deviam ser usadas como medicamentos e não como drogas. Têm de ser usadas na dose certa, com o acompanhamento certo, com a calma certa, com o tempo certo”, diz, criticando a procura de resultados imediatos e o risco de perda excessiva de massa muscular. “Ou seja, há que fazer as pessoas perceberem que emagrecer devagar está bem, não faz mal, podemos esperar. Usar estas soluções como compulsão, só para perder 10 quilos rapidamente, é um erro, mas é legítimo que os pacientes o peçam nesta sociedade do imediatismo. Os médicos é que não podem alinhar.” A especialista questiona também o recém-anunciado modelo de comparticipação para os tratamentos para obesidade através de injectáveis, que, segundo explica, restringe a prescrição comparticipada a especialistas dos serviços privados, quando muitos doentes enfrentam longas listas de espera para chegar a essas consultas de especialidade no SNS. “É fazer de conta que se está a fazer alguma coisa e não se está a fazer nada”, denuncia. Para Sílvia Saraiva, a prevenção continua a ser uma das grandes oportunidades desperdiçadas pelas políticas de saúde. Aos 52 anos, Sílvia Saraiva engravidou. Tinha já dois filhos adultos. Recorda uma gravidez tranquila, durante a qual continuou a praticar exercício físico, mas insiste que a sua experiência não é a mais comum, nem deve ser confundida com ausência de riscos. A reacção social à maternidade tardia também não passou despercebida, as expectativas externas sobre o envelhecimento feminino pesaram-lhe. Hoje, aos 63 anos, não esconde a idade nem a vontade de continuar activa e diz: “Eu tenho 63 anos e sou muito feliz porque já os tenho. A vida, para mim, é um contínuo de opções.” Subscreva Um Género de Conversa na sua aplicação de podcasts — como a Apple Podcasts ou o Spotify — e não perca os novos episódios disponíveis semanalmente às quartas-feiras. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Irene Fonseca: “Há todo um processo criativo que ainda é humano” 04 Nov 2026

Queria ser pintora, mas o 25 de Abril de 1974 trocou-lhe as voltas. Irene Fonseca acabou por estudar Matemática, licenciando-se com 20 valores na Universidade de Lisboa e tornou-se uma das matemáticas portuguesas de maior reconhecimento internacional. Professora na Carnegie Mellon University, em Pittsburgh, nos Estados Unidos, onde dirige o Centro de Análise Não Linear, dedica-se à investigação há quase quatro décadas. No novo episódio do podcast Um Género de Conversa, fala da presença das mulheres na ciência, do futuro da investigação e dos desafios colocados pela inteligência artificial. A matemática não fazia parte dos seus planos, queria estudar pintura, mas chegou a um compromisso com o pai e inscreveu-se em Arquitectura. A interrupção das aulas acabou por levá-la à Faculdade de Ciências, uma solução provisória, até poder regressar ao curso que escolhera. “A matemática não era o meu forte”, recorda, explicando que no liceu fora uma aluna medíocre naquela disciplina. Tudo mudou quando encontrou professores que a inspiraram: “Quanto mais aprendia, mais queria saber”. A sua experiência também contraria a ideia de que a matemática é uma disciplina predominantemente masculina. Quando estudava em Lisboa, nos anos 70, a maioria dos estudantes do curso eram mulheres e muitas das suas professoras também. “Para mim, era normal ser mulher e estar em matemática”, afirma. Só quando chegou aos Estados Unidos percebeu que essa realidade não era universal. Na Carnegie Mellon University, onde trabalha desde 1987, foi durante décadas a única mulher numa categoria de carreira académica associada à investigação e à possibilidade de obter um vínculo permanente. Reconhece que nunca sentiu obstáculos pessoais à progressão, mas recorda que, em Portugal e noutros países europeus, a presença significativa de mulheres na matemática não se traduzia necessariamente em posições de liderança. “Quando se chegava a cargos de liderança, afunilava.” A investigação de Irene Fonseca cruza áreas aparentemente distantes. Estuda o comportamento dos materiais, a resistência a forças externas e as aplicações da matemática ao tratamento de imagens. A investigadora reconhece a rapidez com que a inteligência artificial está a transformar a produção científica e a capacidade crescente dos sistemas para resolver problemas matemáticos complexos. Ainda assim, distingue a obtenção de uma resposta da compreensão do caminho que permite chegar até ela. “Não temos o domínio de tudo o que existe no mundo ou que poderá vir a existir. E aí está, de facto, uma das limitações da chamada inteligência artificial. É que há todo um processo criativo que nós temos e que fazemos, que ainda é humano”, afirma, questionando-se sobre o que acontecerá à autoria, à descoberta e ao reconhecimento do talento. Se uma máquina consegue produzir resultados que antes exigiam anos de trabalho humano, como se avaliará o mérito de um investigador? “Como é que se vai reconhecer o talento?”, pergunta. Segundo Irene Fonseca, existem muitos investigadores preocupados com o futuro das suas profissões. “Onde é que isto vai parar? Há muitos colegas meus que temem que as suas profissões e áreas de trabalho acabem. Há também muitos alunos que, neste momento, se questionam: vale a pena fazer um doutoramento? Estou a fazer um mestrado para quê, se eu não faço ideia de qual será o futuro da minha profissão?”, conta a investigadora, que defende que a velocidade da mudança tecnológica exige regras e mecanismos de vigilância. A conversa passa também pelo clima vivido nas universidades norte-americanas, num contexto de redução do financiamento da investigação e de dificuldades na mobilidade internacional de estudantes e investigadores. Irene Fonseca mantém uma perspectiva optimista, mas reconhece os obstáculos. “A investigação continua a avançar, o cérebro não para”, conta, lembrando que muitas das descobertas que hoje transformam a vida quotidiana nasceram de investigações sem qualquer aplicação prática imediata. “Temos de ser criativos, temos de nos adaptar ao mundo em que vivemos”. A curiosidade, explica, está na origem de muitas descobertas científicas e é também o que a levou a permanecer na matemática. “Quando me reformar, sim, vou pintar”, promete. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Alexandra Oliveira sobre a prostituição e o estigma: qual é o pior insulto que se pode dar a uma mulher? 21 Oct 2026

O novo episódio do podcast Um Género de Conversa começa com a palavra puta. Alexandra Oliveira, professora associada da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto e uma das mais conceituadas investigadoras nacionais nesta matéria, estuda prostituição, trabalho sexual, género, sexualidade, norma e desvio há várias décadas, e é peremptória a frisar: “puta” nunca foi apenas uma palavra para designar quem vende serviços sexuais, é também uma forma de pôr as mulheres no lugar. “Puta é o pior dos insultos que se pode dar a uma mulher. Mas qual é o papel do estigma de puta na nossa sociedade? É um estigma que não recai só sobre as mulheres que vendem serviços sexuais, recai sobre qualquer mulher que tenha um comportamento sexual que fuja um bocadinho das normas. Qualquer mulher sabe disso.” A investigadora descreve-o como “uma espécie de espada de Damócles” permanentemente suspensa sobre as mulheres, basta existir uma sexualidade demasiado activa, livre, sem fins reprodutivos, distante daquela que lhes foi prescrita. “Acaba por dividir as mulheres em dois tipos: aquelas que são boas, que se comportam bem, e aquelas que são más, que se comportam mal.” As últimas são castigadas. E as mulheres que fazem trabalho sexual conhecem bem o castigo. “Há uma carga negativa muito grande associada à prostituição e às pessoas que a fazem. Ainda são altamente rejeitadas, discriminadas, excluídas. Isso faz com que as pessoas tenham de esconder a actividade que fazem.” Esconder, aqui, pode significar, ter de viver duas vidas. Há mulheres que saem de casa de manhã como quem sai para qualquer outro trabalho, cumprem um horário, ganham o seu dinheiro e regressam depois à vida familiar. Sem que os maridos ou os filhos saibam. Por vezes, sem que ninguém à sua volta saiba. Não porque a actividade tenha de ser clandestina, mas porque o estigma continua a ser suficientemente pesado para obrigar à clandestinidade. Ao longo dos seus mais de 20 anos de estudo nestes temas, a investigadora também teve de desmontar os seus próprios preconceitos. “Eu parti do abolicionismo. Fui educada numa família de classe média, católica. Achava que as prostitutas eram umas pecadoras, as mulheres que se portavam mal.” Na adolescência, leu Puta de Prisão, de Isabel do Carmo e Fernanda Fráguas, um livro sobre mulheres presas por prostituição, que em Portugal só deixou de ser crime em 1982. “Funcionou, foi um choque, um murro no estômago.” Aquelas mulheres a quem atribuía um rótulo passaram a ter histórias, rostos, vidas. Mais tarde, já como estudante de Psicologia, passou cinco anos na rua, observando-as, ouvindo-as na primeira pessoa. Esse estudo resultou numa tese de doutoramento que obteve uma Menção Honrosa do Prémio Maria Lamas 2011 e foi editada em livro com o título Andar na vida: prostituição de rua e reacção social. Nessa altura, Alexandra Oliveira encontrou uma realidade menos conveniente para certezas: “A maior parte das mulheres estava de forma livre na rua, sem ninguém a controlá-las”. Faziam os próprios horários, tinham uma rotina de trabalho, escolhiam com quem iam, quando iam, utilizavam quartos de pensões pelos quais pagavam um valor de cada vez, sem vínculos aos donos dos estabelecimentos. Eram autónomas. Contudo, encontrou também muita violência. “Estar na rua com mulheres que fazem prostituição é estar constantemente a ser agredida psicológica e, por vezes, também fisicamente”. Dá como exemplo os grupos de rapazes que passavam de carro para insultar ou atirar lixo: “Estes miúdos olham para estas mulheres como? Como não sendo mulheres, como sendo lixo?”, questiona-se. É precisamente essa desumanização que a preocupa até aos dias de hoje. “Resumimos as pessoas a uma característica que, neste caso, é serem prostitutas, e esquecemos o resto. Que são mulheres, que são mães, que são irmãs também, que são pessoas. A violência que elas sofrem está muito radicada nesta questão da desumanização do estigma”, frisa. “As legislações sobre trabalho sexual e sobre a prostituição estão pejadas de moral” Alexandra Oliveira recusa tanto a vitimização de quem faz esta actividade quanto a sua glamourização, como se vê amiúde no trabalho sexual praticado nas plataformas online. As perspetivas abolicionistas, argumenta, partem frequentemente do princípio de que todas estas mulheres são vítimas sem agência, incapazes de escolher. “Quando se referem a estas mulheres como mulheres prostituídas, há um raciocínio de base de que elas são vítimas passivas, alguém que não tem qualquer agência, incapaz de decidir, de escolher.” E isso, acrescenta: “Está a infantilizá-las, está a patologizá-las”. Reconhecer isto não significa, porém, ignorar a exploração ou a coação que muitas sofrem. “O que eu acho que não faz sentido é tratar toda a gente como igual e dizer que todas as pessoas que estão nesta atividade são vítimas sem exceção, que estão à espera de que nós as salvemos.” Para Alexandra Oliveira, essa “visão monolítica” acaba por apagar as diferentes realidades que diz querer proteger. Olha também criticamente para as leis que criminalizam os clientes. A lógica parece simples: se não houver procura, não existirá prostituição, mas, lembra, “a verdade é que isto não acabou nos países onde foi instituído, nem vai acabar. Não acabou na Suécia, nem na Noruega, nem na Islândia”. Na sua leitura, estas políticas empurraram pessoas para os perigos da clandestinidade e contribuíram para aumentar o estigma, alimentando uma batalha muito antiga sobre quem pode decidir sobre o corpo e a sexualidade das mulheres. “As legislações sobre trabalho sexual e sobre a prostituição estão pejadas de moral. Trata-se de tentar regular de forma moral os comportamentos.” Alexandra Oliveira não nega que existam constrangimentos e reafirma a necessidade de atuação de proteção às vítimas de exploração. “As pessoas que são vítimas, que são coagidas, que não querem estar ali, têm de ser ajudadas a sair.” E o Estado, sublinha, tem de lhes dar “respostas concretas, sólidas, realistas”. Reconhecer os constrangimentos não obriga a apagar a capacidade de autodeterminação de quem exerce trabalho sexual de forma livre e consentida. O seu discurso, insiste, não é o de desvalorização das agressões implícitas no trabalho sexual. “O meu discurso é de proteção das pessoas com esta atividade. Pessoas que têm sido, ao longo da história, rejeitadas sistematicamente, não incluídas, a quem tem sido tirada a voz. É de defesa dos direitos humanos e laborais de pessoas que continuam sem os ver reconhecidos.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Rocha de Sousa: “[O prazo] de prescrição dos abusos sexuais é inacreditável” 14 Oct 2026

Em 2022, Ana Rocha de Sousa viu uma activista ucraniana exibir no corpo a frase Stop Raping Us. A imagem ficou com ela. Actriz, argumentista e realizadora, acaba de estrear Asas (nas salas portuguesas a partir de Janeiro de 2027), a sua segunda longa-metragem, inspirada na história real de uma família de mulheres ucranianas obrigada a fugir da guerra e a procurar refúgio em Portugal. “O contexto destas mulheres e desta família é a guerra, mas o filme fala também das guerras internas de cada uma delas”, conta. A palavra que atravessa este episódio do podcast Um Género de Conversa, com Ana Rocha de Sousa, é indignação. Foi ela que esteve na origem de Listen, a sua primeira longa-metragem, e que volta a estar presente em Asas. Aos 47 anos, a realizadora admite que viver permanentemente nesse estado tem um preço. “A indignação pesa-me. Pesa-me verdadeiramente. Muitas vezes fiquei na frente de batalha sozinha e depois sofri as consequências sozinha.” Em Asas, as mulheres e as crianças podem conseguir afastar-se da linha da frente de uma guerra, mas isso não significa que escapem à guerra. Ao filmar na Ucrânia, a realizadora confrontou-se com a dimensão dos massacres e da violência sexual sofrida por mulheres ucranianas, mas decidiu não mostrar explicitamente esse horror. “Acho que o horror também tem um limite para se dar voz. Eu quis que o horror tivesse espaço para existir, porque ele existe, mas era-me profundamente desconfortável fazer um filme de horror.” Depois de Listen, queria que o novo filme pudesse deixar outra coisa além da desesperança. “Era importante para mim que, além das perguntas que ficam no ar, encontrasse um caminho, uma luz qualquer.” Asas é também um filme sobre desenraizamento e pertença. Uma experiência que Ana Rocha de Sousa conhece, já que viveu em Inglaterra e recorda ter sentido muitas vezes a divisão entre o “nós e eles”. Hoje considera essa experiência determinante para a forma como olha para os outros. “Ser estrangeiro numa terra é uma experiência muito importante na vida. Foi muito importante para fazer crescer em mim grande parte da empatia que tenho hoje.” A realidade é o ponto de partida dos dois filmes. Ana Rocha de Sousa procura histórias, investiga, cruza acontecimentos, mas não os reproduz literalmente. “Nunca me sinto à vontade para inventar. As histórias que conto não são um decalque da realidade, são inspiradas na realidade e depois transformadas. Eu caso factos e é nisso que me sinto confortável.” O seu é um cinema inevitavelmente político, embora a realizadora hesite perante a classificação. Diz que os filmes nascem menos de uma intenção política programada do que de uma forma de “ser, existir e respirar”. Em paralelo a Asas, Ana Rocha de Sousa filmou um documentário sobre a fadista Carminho e a tournée no Japão cuja exibição também está programada para breve. Quando realizou Listen, acreditava que o filme poderia contribuir para mudar a legislação britânica relativa à retirada de crianças às famílias. O filme chegou a ser usado numa defesa em tribunal e esteve associado à mobilização pública no Reino Unido. Ainda assim, reconhece que esperava mais do impacto social do cinema. A indignação reaparece quando a conversa chega à prescrição dos crimes de abuso sexual. Para Ana Rocha de Sousa, a lei não pode ignorar o conhecimento existente sobre os mecanismos do trauma. “As pessoas levam décadas a perceber o que viveram naquele momento traumático. Não podemos estar a prescrever antes de existir sequer essa percepção.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mariana Gil: “A mulher cigana ainda é vista como um ser incapaz, primitivo” 07 Oct 2026

Antes de falarem sobre o seu trabalho, as suas escolhas ou os seus sonhos, há sempre uma pergunta que se impõe: quem são? Ou, mais exactamente, por que são como são? Para muitas pessoas ciganas, esta é uma realidade quotidiana, porque certas identidades vivem sob uma exigência permanente de explicação. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, Maria Gil e Mariana Gil, mãe e filha, contam-nos as suas experiências individuais enquanto mulheres e ciganas, nascidas em gerações distintas. Actriz, activista e uma das vozes mais influentes do feminismo cigano em Portugal, Maria Gil dedicou grande parte da sua vida a combater os estereótipos e criar pontes de diálogo: “Digo sempre que sou mulher e cigana. A minha primeira condição é ser humana, o acréscimo é a minha cultura”, afirma. Já a sua filha, Mariana, que soma as palavras "afrodescendente" e "estudante" a esta descrição, pertence a uma geração que colhe os frutos desse legado de afirmação, porém, continua a enfrentar preconceitos antigos, agora confrontados com novas formas de discriminação. Como diz, “a mulher cigana ainda é vista como um ser incapaz, primitivo”. "Eu nasci para existir. Obrigaram-me a resistir", resume Mariana Gil, que terminou a licenciatura com uma média de 18 valores e conseguiu uma bolsa de Mestrado em Communication, Media and Creative Industries da Sciences Po Paris, uma das universidades mais prestigiadas do mundo na área das Ciências Sociais. Para conseguir fazer face aos custos associados à estadia em França, e, assim, poder cumprir as suas ambições de formação, abriu uma campanha online de angariação de fundos. “O mérito, quando não és uma pessoa branca, não és um homem ou não tens certas potencialidades económicas, leva-te até um certo ponto, mas a ousadia leva-te a outro lugar”. Ao longo da conversa, mãe e filha reflectem sobre o peso da resistência permanente, a importância da educação, o papel do feminismo e a necessidade de construir referências positivas para as gerações mais novas. Maria Gil confessa o cansaço de educar os filhos para uma militância constante, enquanto Mariana descreve o desgaste de sentir que a sua identidade continua a ser recebida com surpresa ou desconfiança. O episódio aborda ainda a invisibilidade das mulheres ciganas nos espaços públicos, a urgência de abandonar narrativas simplistas que reduzem pessoas a caricaturas e os preconceitos persistentes em torno das comunidades ciganas em Portugal, acentuados pelo crescimento das narrativas populistas da extrema-direita. “Há quem ande com fardos às costas, eu ando com a extrema-direita. Portugal tem desde há quinhentos anos uma raiz muito bem nutrida sobre o anticiganismo, foi um alvo fácil.”. Mas mais do que falar sobre discriminação, Maria e Mariana Gil convidam a pensar sobre liberdade: a liberdade de cada pessoa definir a sua própria identidade, sem precisar de pedir legitimidade ao olhar dos outros. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria Rueff: “Já não és contratado pelo talento, és contratado pelos likes” 30 Sep 2026

Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, Maria Rueff fala sobre o seu percurso de quatro décadas, a condição das mulheres na comédia, o envelhecimento, a liberdade de expressão e as dificuldades de uma profissão em que o talento nem sempre determina as oportunidades. A conversa atravessa a sua relação com o teatro, a maternidade, o enfarte que quase lhe tirou a vida e a necessidade de continuar a encontrar sentido no trabalho. A actriz recorda as mulheres que abriram caminho na comédia portuguesa, de Maria Matos a Laura Alves, Beatriz Costa ou Ivone Silva, sublinhando a coragem de quem fez humor num tempo de ditadura. “Foram mulheres cultíssimas, foram mulheres que num tempo em que vivíamos em ditadura tinham uma coragem.” O reconhecimento desse legado não a impede, contudo, de assinalar as desigualdades que persistem. Quando questionada sobre as oportunidades dadas a homens e mulheres, responde: “De facto, não é igual, continua a não ser igual.” A reflexão estende-se às transformações do mercado de trabalho e à crescente importância da popularidade digital. “Não és contratado pelo talento, és contratado pelos likes. E os likes não correspondem muitas vezes ao talento”, afirma. Para Maria Rueff, que se tem dedicado aos palcos do teatro, a lógica das redes sociais veio acrescentar uma nova pressão a uma profissão que exige tempo, experiência e uma relação continuada com o público. Embora assuma que sempre teve “pouca autoestima enquanto mulher”, Maria Rueff recusa a ideia de que envelhecer deva significar desaparecer ou deixar de ser desejável. “O direito à diferença é permitir-nos envelhecer como uma árvore envelhece”, diz, evocando a transformação do tronco, das folhas e dos frutos. No teatro, acrescenta, a experiência pode ser uma vantagem: “É como o vinho do Porto, quanto mais velho, quanto mais experiência, melhor.” A liberdade de fazer humor é outro dos temas centrais desta conversa. A actriz lamenta que o humor seja frequentemente associado à humilhação e ao bullying, defendendo a importância de distinguir a provocação artística do insulto. “Eu tenho pena do humor agora estar sempre associado a isso, à humilhação, ao bullying”, afirma, acrescentando que a liberdade de expressão não dispensa uma reflexão sobre os limites éticos de quem cria. Apesar das dificuldades, Maria Rueff não apresenta a resistência como uma palavra abstracta. É uma prática quotidiana, feita de propostas, tentativas e persistência. “O que é que eu posso fazer? Posso não desistir, ser resistência e ir tentando diariamente propor projetcos.” Entre a vontade de continuar a trabalhar e a consciência de que nem todas as decisões dependem de si, a actriz encontra no teatro, no amor da filha e na relação com o público algumas das razões para continuar. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Estreia. "O Homem Que Matou Duas Vezes". Episódio 1: O Apelo 30 Sep 2026

Um homem mata uma ex-namorada. Uma amiga da vítima pede que se averigue o que falhou, uma vez que ele já antes matara uma ex-namorada, cumprira pena de prisão e estava ainda em liberdade condicional. Quem era aquele homem? Quem eram aquelas mulheres? O Homem Que Matou Duas Vezes é uma investigação de Ana Cristina Pereira, que escreveu os guiões e faz a narração, com produção de Inês Rocha, revisão de Inês Rocha e Sara de Melo Rocha, sonoplastia de Margarida Adão, música do genérico de Tiago Orato, ilustrações de José Carvalheiro e produção executiva de Amílcar Correia. A série narrativa, de sete episódios, vai além da reconstrução dos crimes cometidos por João Pedro Oliveira. Recupera a história das vítimas e do homem que as matou ao mesmo tempo que escrutina o sistema. Para conhecer a história toda, ouça os próximos seis episódios. Se precisa de ajuda, ligue para o Serviço de Informação às Vítimas de Violência Doméstica da CIG: 800 202 148. Ou para a linha de Apoio à Vítima da APAV: 116 006. Outros créditos: som recolhido em manifestação em Lisboa, em 2024, de grupo de mulheres a cantar Canción Sin Miedo, com música e letra de Vivir Quintana; trailer Retrato de Dorian Gray, filme de 2009, realizado por Oliver Parker, com guião de Toby Finlay, a partir da obra homónima de Oscar Wilde. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Couto: “Tive uma psicose puerperal e sobrevivi” 22 Sep 2026

Ana Couto era mãe havia apenas 15 dias quando uma psicose puerperal a levou a um internamento compulsivo numa unidade de psiquiatria. Sozinha, de colo vazio, sem perceber o que lhe estava a acontecer, “ou que crime havia cometido para ficar presa”. Enfermeira de neonatologia, nunca tinha ouvido falar da perturbação que lhe mudou a vida e que testou todos os seus limites. “De repente eu vivia numa realidade paralela, era outra pessoa”. O caso de Lindsay Clancy, que enfrenta nos EUA um julgamento por homicídio, acusada da morte dos três filhos, trouxe para a esfera pública uma discussão sobre a saúde mental no pós-parto e tornou mais visível uma condição ainda desconhecida para muitas pessoas: a psicose puerperal. Afecta uma a duas mulheres em cada mil, é o mais grave quadro psiquiátrico que pode ocorrer após o nascimento de um bebé e caracteriza-se por sintomas como desorganização mental, delírios, alucinações e perda de contacto com a realidade. Antes do internamento, Ana Couto passou por diferentes profissionais de saúde sem que o seu estado fosse identificado. Acabou por ser o marido a perceber que alguma coisa estava errada, ao detectar comportamentos que lhe pareciam desadequados à sua personalidade. A sua experiência levanta uma das questões centrais deste episódio do podcast Um Género de Conversa: se uma enfermeira de neonatologia nunca tinha ouvido falar de psicose puerperal, como podem as mulheres e as famílias, sem formação em saúde, reconhecer os sinais de alarme? Ana Couto defende que é preciso preparar melhor os profissionais de saúde para identificarem alterações da saúde mental no período perinatal. Os 15 dias de internamento pareceram-lhe uma eternidade. Fortemente medicada, conserva falhas de memória desse período, mas recorda episódios que a levam a questionar a forma como uma mulher no pós-parto, com todas as especificidades decorrentes desta condição, é tratada numa unidade psiquiátrica. Por exemplo, continuava a extrair leite, acreditando que este seria entregue à filha — a sua “única forma de sensação de controlo da situação naquele estado” — até perceber que o leite era deitado fora, sem que ninguém lhe explicasse porquê. Quando recebeu a visita da sua bebé, Ana já não conseguiu largá-la. A separação à força acabou por ser, nas suas palavras, mais traumática do que benéfica. A unidade onde esteve internada não permitia a permanência do bebé, como acontece noutros países. Para Ana Couto, uma mulher com psicose puerperal não pode ser tratada apenas na sua dimensão psiquiátrica. Há também um corpo que acabou de dar à luz, a recuperação física, a amamentação e a construção do vínculo com o bebé, todos eles factores que foram em boa parte alienados durante o seu internamento. Mais de dois anos depois, fala da experiência sem esconder o medo ou a ambivalência que podem acompanhar a maternidade. E sublinha uma distinção essencial: os pensamentos não são acções. Ninguém escolhe ter uma psicose puerperal, “ninguém tem culpa se passar por isso”, frisa. Escrever ajudou-a a processar o que tinha vivido. Dessa necessidade nasceu o livro “Tive uma psicose puerperal e (sobre)vivi”. O que começou como uma forma de catarse ganhou outro propósito: chegar a outras mulheres que possam ter passado pelo mesmo e mostrar-lhes que não são as únicas. E que é possível recuperar a felicidade depois de um evento tão transformador quanto este. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Veronyka Gimenes: “Quando tudo é gratuito, provavelmente você é o produto” 16 Sep 2026

Tecnologia, soberania digital, manipulação de massas, regulação, poder e participação cívica: a convidada deste episódio do podcast Um Género de Conversa é considerada por muitos uma verdadeira justiceira do universo da inteligência artificial, algo que lhe tem valido reconhecimento internacional. Citando Eduardo Galeano, a hacker brasileira Veronyka Gimenes recorda que “somos o que fazemos para mudar o que somos” e acrescenta o quão importante é o processo de nos irmos hackeando, transformando tudo o que a gente é em algo que faça mais sentido para o momento.” Esta ideia ganhou um significado particular depois da experiência que viveu em 2024, quando um episódio do podcast Entre Amigues, dedicado à diversidade dentro da comunidade LGBTQIA+, saiu da sua esfera habitual de ouvintes e se tornou viral por causa da menção à expressão boyceta. “Depois que você fura a bolha, acreditem, você quer voltar para a sua bolha”, admite, descrevendo a onda de violência online que se seguiu. Perante milhares de ameaças e comentários de ódio, a activista e co-fundadora da associação Código Não Binário decidiu, em conjunto com a sua equipa, responder ao ataque, recorrendo à própria tecnologia. Desenvolveu um modelo de inteligência artificial em código aberto, de língua portuguesa, capaz de identificar diferentes formas de violência online. O trabalho de rastreio e análise de mais de 12 mil conteúdos revelou aquilo que considera ser uma hierarquia de prioridades das plataformas digitais. “A gente viu, por exemplo, que se a gente denunciava o ódio como propriedade intelectual, copyright, aí saía do ar na hora o conteúdo de ódio. Agora, se a gente denunciava como discurso de ódio, não saía.” Os dados recolhidos serviram também de base a uma acção judicial contra vários gigantes da tecnologia. “É ousado, a gente fica com um pouco de receio”, assume Gimenes, que reconhece a dimensão do desafio. “Mas, ao mesmo tempo, é algo que precisa começar a acontecer. Não somos totalmente impotentes.” Considera que um dos desafios centrais da actualidade é a tendência de se confundir inteligência artificial com os produtos desenvolvidos somente pelas grandes tecnológicas, portanto, começou também a dar formação sobre como usar de forma consciente as novas tecnologias e que alternativas existem. “Quando a gente não diferencia a inteligência artificial da big tech das outras, a gente acaba servindo a big tech. Porque exactamente o que eles querem é que a gente pense que os produtos deles são sinónimo do sector inteiro. Não são.” Num momento em que os dados pessoais, a desinformação, os deepfakes e a concentração de poder tecnológico ocupam o centro do debate público, Veronyka Gimenes recusa o fatalismo. “Não basta a gente simplesmente acompanhar esse fim do mundo e entender que as coisas estão piorando e piorando e piorando. É o momento de agir.” Defensora do software livre e da tecnodiversidade, argumenta que a tecnologia não é um destino inevitável, mas um processo que pode ser transformado. “As tecnologias são como processos, os processos mudam, você actualiza”, afirma. A mesma lógica aplica-se aos sistemas de IA, que, sim, podem reproduzir desigualdades, mas também podem ser desenhados de forma diferente e servir as populações. “Qualquer pessoa pode programar hoje. Isso é muito importante para a gente definir os rumos da internet”. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sónia Duarte Lopes: "O tráfico de bebés na internet tem vindo a crescer” 09 Sep 2026

Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, Sónia Duarte Lopes, psicóloga clínica e coordenadora regional da Delegação de Lisboa da Associação para o Planeamento da Família, desmonta alguns dos maiores mitos em torno de um dos crimes mais lucrativos do mundo. "A invisibilidade do tráfico de seres humanos não existe apenas para quem está de fora. Muitas vezes, as próprias vítimas não reconhecem que estão a ser exploradas", afirma. Um especialista explica que a vulnerabilidade é a principal arma dos traficantes. “As vítimas de tráfico humano estão, invariavelmente, em contextos de vulnerabilidade”, sublinha. A pobreza, a falta de educação, o desconhecimento da língua e dos direitos próprios levam muitas pessoas a aceitarem situações de exploração na esperança de uma vida melhor. “Acreditam que, se se sujeitarem, virá a recompensa”. Uma crença que se começa a discutir quando surgem os invariáveis ciclos de violência, as ameaças e o medo pela própria vida. Um dos exemplos mais marcantes relatados por Sónia Duarte Lopes é o de uma vítima de escravidão em território nacional. "Uma pessoa esteve 18 anos a ser explorada numa quinta de pessoas abastadas. Quando foi retirada, já não se lembrava nem do nome das cores, nem conseguiu contar até 10, tal era o isolamento e os maus-tratos executados." O caso ilustra uma realidade muitas vezes difícil de compreender para quem está de fora, incluindo as autoridades. "Não é a porta aberta que faz com que elas fujam. O que as prende é uma vulnerabilidade tão profunda que não permite pedir ajuda." Nestes 50 minutos de conversa, aborda ainda a exploração sexual de mulheres e meninas, uma realidade marcada por mecanismos de controlo psicológico. “Invariavelmente, essas mulheres ficam isoladas, muitas vezes nem sequer sabem o sítio do país em que estão. São ameaçadas pela vergonha de serem denunciadas à família”, explica. "Há muita coação psicológica e muita dificuldade em romper com o que se está a passar." Os perigos do recrutamento através das plataformas digitais são outros dos temas envolvidos, a par de fenómenos emergentes, como a venda de bebés através da internet. “A venda de bebés tem vindo a surgir nos últimos tempos, e não me admiro que apliquem mais casos, porque é muito difícil chegar a quem está por trás”, alerta, referindo o escudo do anonimato e a exposição proporcionada pelas redes sociais. Desafiando a ideia de que o tráfico de seres humanos é um problema distante, Sónia Duarte Lopes realça uma realidade incómoda: há portugueses a serem traficados em Portugal. Aliás, o número de casos sinalizados por cá tem registos batidos, tal como mostramos os dados do último RASI. Aqui ou além-fronteiras, nenhum centro de todas estas formas de exploração está sempre o exercício do poder sobre quem se encontra numa posição mais frágil. “Mas é importante perceber que o uso do poder sobre outra pessoa não precisa de ser físico. Muitas vezes é um poder psicológico, estrutural”, afirma. “Pode vir do simples fato de uma pessoa ter uma posição social diferente e a outra estar numa situação de grande vulnerabilidade.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Markl: “Já pensei em tirar as mamas para viver sossegada” 02 Sep 2026

Entre a ansiedade, a maternidade após os 40, a perimenopausa e o receio que regressa a cada rastreio do cancro da mama, Ana Markl protagoniza uma das conversas mais íntimas da nova temporada de Um Género de Conversa, onde fala também da síndrome do impostor e da quase perda do irmão. Conhecida do público pela rádio, televisão, livros e podcasts, Ana Markl revela uma faceta menos visível: a de alguém que continua a questionar-se e a desafiar-se. "O meu grande medo é cair no ridículo e achar que sou uma coisa que não sou", confessa. Mas há outro receio que atravessa a conversa: "O meu grande medo é acabar a vida sem fazer tudo o que me apetece fazer." Foi essa inquietação que a levou a voltar a estudar. Jornalista de formação, decidiu regressar à universidade para frequentar Psicologia, uma decisão que a própria explica ter surgido da vontade de compreender melhor os outros, mas também da busca de novas possibilidades para si própria. "Voltei a estudar aos 40 anos porque ainda queria mudar de vida", afirma. E resume o objectivo numa frase simples: "Quero ser livre." Ao longo de quase uma hora de conversa, Ana Markl fala ainda da maternidade e das expectativas que continuam a ser depositadas sobre as mulheres. "A maternidade não nos salva de nós próprias", afirma, numa reflexão sobre culpa, exigência e os desafios emocionais associados ao papel de mãe. Sem romantizações nem fórmulas mágicas, Ana Markl descreve também uma convivência diária com a ansiedade. "Ela nunca desaparece, aprendemos a viver com ela", diz, explicando a importância da terapia no reconhecimento de padrões de pensamento e comportamento. A conversa passa também pelo impacto do AVC sofrido pelo irmão, Nuno Markl, e pela forma como esse episódio reforçou um sentido de responsabilidade familiar que sempre sentiu. A perimenopausa ocupa igualmente um lugar de destaque neste episódio. Ana Markl descreve uma fase em que deixou de reconhecer a pessoa que era e critica a falta de informação em torno desta etapa da vida. "Se não fosse saber que a perimenopausa existia, eu era levada a crer que era um lixo", confessa, defendendo a necessidade de maior literacia e de preparação médica para acompanhar as mulheres neste processo. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Lúcia Vicente: “É mais eficaz ter mulheres a convencer outras mulheres a perderem direitos” 26 Aug 2026

Durante décadas, o feminismo procurou ampliar a liberdade, os direitos e as oportunidades das mulheres. Hoje, porém, cresce um movimento que o aponta como responsável por muitos dos males da sociedade. E não são apenas os gurus da machosfera a fazê-lo. Como alerta a historiadora Lúcia Vicente, também há mulheres que defendem um regresso aos papéis tradicionais de género. Sob a bandeira das tradwives, promovem a submissão feminina, a dependência económica e a esfera doméstica como caminho privilegiado para a felicidade. Tradwives, redpill, machosfera, feminismo reaccionário ou gurus digitais deixaram de ser simples chavões da internet para se tornarem movimentos com influência crescente sobre a forma como milhares de jovens olham para as mulheres, os homens e a própria democracia. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, Lúcia Vicente, autora de Portuguesas com M Grande e Feminismo de A a Ser, traça o retrato de um universo que cresce à velocidade dos algoritmos. “Temos mesmo de ensinar as pessoas mais novas a questionar o mundo e as consequências destas ideias na vida dos outros”, defende. Ao longo de 50 minutos de conversa, a investigadora explica como estes movimentos exploram inseguranças e recuperam discursos antigos, revestindo-os de uma estética apelativa e de uma linguagem aparentemente moderna. “É o regresso do grande macho, de uma masculinidade performativa, exagerada, violenta, profundamente ligada ao antifeminismo e à misoginia”, afirma, preferindo o termo “machosfera” a “manosfera”. A preocupação, contudo, não se limita aos rapazes. Lúcia Vicente alerta para comunidades dirigidas às mulheres, como as tradwives, que promovem o regresso aos papéis tradicionais de género e apresentam a submissão feminina, o papel exclusivo de cuidadora e os valores cristãos como caminhos para a felicidade. “O patriarcado percebeu que a forma mais eficaz de convencer as mulheres a abdicar de direitos era utilizar outras mulheres para lhes dizer que isso era bom para elas”, ressalva. Tal como na machosfera, também aqui o feminismo surge como a causa de todos os males: a liberdade sexual feminina é um problema, assim como a visão interseccional da sociedade, cuja suposta “ordem natural” das responsabilidades de homens e de mulheres tem de ser reposta. A estratégia parece funcionar, como mostram conteúdos crescentes nas redes sociais em que jovens mulheres de 18 anos expõem as suas vidas após as abandonarem para casar, ter filhos e depender financeiramente dos maridos, a quem estão, inclusive, dispostas a ceder o seu direito ao voto. Um fenómeno alimentado por influenciadoras conservadoras, amiúde ligadas a partidos de extrema-direita e movimentos religiosos, que, apesar de defenderem a submissão feminina, construíram negócios milionários que lhes garantem autonomia e poder. Para contrariar estas “narrativas manipuladoras”, a historiadora defende que o feminismo deve envolver também os homens. “Se o patriarcado tem no homem o seu maior aliado, por que razão não estamos também a educar homens para serem feministas e para desconstruírem o privilégio?”, questiona. A reflexão estende-se à influência dos algoritmos, à captação de adolescentes por discursos extremistas e à necessidade urgente de capacitar pais, professores e educadores para reconhecer estes fenómenos. "Primeiro, temos de educar quem educa. Pais, mães, professores e avós precisam de conhecer esta linguagem, estes símbolos e estes movimentos. Só assim conseguirão reconhecer os sinais”, explica a escritora. "As crianças já não brincam na rua, porque achamos que é perigoso, mas depois deixamos que passem horas a conversar com desconhecidos através dos jogos online. É aí que também precisamos estar atentos." See omnystudio.com/listener for privacy information.

Marta Crawford: “O tão glorioso pénis tem muito menos prazer do que o clítoris” 19 Aug 2026

Já passaram mais de 20 anos desde que Marta Crawford entrou na casa dos portugueses, em horário nobre, para falar de temas que faziam corar muita gente — e que talvez ainda hoje deixem alguns desconfortáveis. As redes sociais ainda não faziam parte do nosso dia-a-dia, e ver uma mulher em directo na televisão a responder, com naturalidade, a perguntas sobre sexo oral, métodos contraceptivos ou disfunção eréctil tinha tudo para ser um escândalo. Mas a sexóloga conseguiu fazê-lo como poucos: com boa disposição e seriedade, tal como se apresentou neste episódio do podcast Um Género de Conversa. Psicóloga e terapeuta familiar, conhece como poucos os medos, os preconceitos e a falta de literacia que ainda rodeiam a sexualidade, mesmo nas gerações mais novas. “Ainda há muito pudor quanto ao prazer, independentemente da idade. Mesmo os jovens, que imaginamos que têm mais liberdade e acesso à informação, às vezes têm uma mentalidade mais retrógrada do que a minha avó. Aceitar fazer sexo sem vontade é um exemplo, como se fosse uma função da relação”, conta Marta Crawford. Nestes 50 minutos de conversa, a especialista explica que ainda há uma necessidade de corresponder a um padrão masculino em que “o prazer está centrado na penetração, num vai e vem que dá a maior das satisfações sexuais às mulheres”. Porém, desconstrói esse mito: “Não é de todo assim, o clítoris é que é uma super-heroína, tem mais de 10 mil terminações nervosas. Deve fazer parte de todo o jogo erótico e sexual, e não é um jeitinho que se dá, porque a mulher, coitadinha, precisa. É porque é uma fonte fundamental de prazer feminino.” A sexóloga aborda também alguns dos principais desafios do presente, desde “os problemas de performance” provocados pela pornografia, “que é a nova educação sexual”, até uma generalizada “crise profunda” da intimidade: “Essa partilha, essa honestidade estão cada vez mais difíceis. Os casais não conseguem comunicar.” Já sobre a pressão que ainda recai em tantas mulheres para voltarem à actividade sexual após o nascimento de um bebé, tantas vezes alimentada também pelos próprios profissionais de saúde, Marta Crawford é peremptória: “Dizer a alguém ‘tem de ir ao castigo’ é uma violência. Sexo sem disponibilidade mental não faz sentido”, frisa a sexóloga. “Em encontros com ginecologistas e obstetras, digo muitas vezes: ‘Vocês são responsáveis pela consulta após um mês do parto e por dizerem 'agora já podem ter sexo. E essa é a pior mensagem que podem passar. Digam antes: faça-o apenas quando se sentir preparada e comece com calma, nada muito exigente sexualmente’.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sofia Aparício: "Se os governos falham, temos dever de tomar conta uns dos outros" 02 Sep 2025

Atriz, manequim, humanista, voz incansável na defesa dos direitos fundamentais: Sofia Aparício faz parte da mais recente missão da Flotilha Humanitária, que visa romper o cerco israelita a Gaza e entregar ajuda àquela população. Antes de embarcar, falou-nos não só sobre as suas inquietações quanto a esta viagem, mas também do que a motiva a envolver-se nas mais variadas demandas sociais enquanto cidadã e figura pública. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sara Larcher: "Temos de tratar do trauma colectivo?" 26 Aug 2025

Licenciada e mestre em Direito, e trabalhou durante mais de vinte anos em multinacionais. Porém, foi no estudo da mente e das emoções que encontrou o seu rumo, após se fartar da busca impossível pela perfeição na trindade mãe, mulher e profissional. Licenciou-se em Psicologia e há vários anos que é Terapeuta Integrativa e Sistémica. Pelo caminho lançou o best-seller “Eu Sou Porque Eles Foram” e mais recentemente o livro “Sara-te! - As Mulheres e o seu Legado Transgeracional”. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Filipa Martins: "Não tinha capacidade para pagar uma renda de casa" 19 Aug 2025

Filipa Martins começou a competir na ginástica aos 4 anos de idade. Hoje, é considerada a segunda melhor ginasta da Europa, a primeira portuguesa a classificar-se para uma final de All Around nos Jogos Olímpicos e também é a única que tem um elemento com o seu nome. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria João Faustino: "É o momento mais desafiador das nossas vidas" 12 Aug 2025

Maria João Faustino é doutorada em Psicologia pela Universidade de Auckland. Tem feito investigação sobre violência sexual e respetivas dinâmicas genderizadas. Há mais de dez anos que estuda estas questões e nesta conversa explica os tempos que estamos a viver. E deixa um recado: temos de resistir. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Bia Caboz: "O maior investimento que eu fiz foi na minha cara" 05 Aug 2025

Bia Caboz é afilhada de Ana Moura no fado, mas o seu percurso musical é o da fusão musical. A sua persona artística levou-a a fazer cirurgias na cara e fala disso abertamente. Não esconde a sua ansiedade e o seu percurso feito com o apoio de muitas mulheres. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Tânia Ganho: "A violência sexual no digital vai chegar a todos, homens incluídos" 29 Jul 2025

Neste episódio gravado ao vivo na icónica livraria Buchholz, a escritora Tânia Ganho teve como ponto de partida o universo do seu último romance, “Lobos”. Com a coragem e a clareza que lhe são conhecidas, fala sobre as teias complexas da violência psicológica na intimidade, os perigos da adulteração de imagens no contexto digital, a perda do direito à privacidade e os malefícios de uma masculinidade assente em estereótipos físicos e de agressividade, que está a arrastar cada vez mais jovens para práticas que põem as suas vidas em risco. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mariana van Zeller: "A maior vantagem da minha vida tem sido ser mulher" 22 Jul 2025

Muitos descrevem-na como uma “badass”, e não é para menos: Mariana van Zeller é a autora da série documental “Na Rota do Tráfico”, onde revela os segredos do submundo do crime. Vive há mais de vinte anos nos EUA, onde dá cartas no jornalismo de investigação, arrecada prémios – é vencedora de nove Emmys - e explora histórias que muitos consideram demasiado perigosas. Uma conversa que vai desde a perseguição aos imigrantes pela administração de Trump à gestão do medo em cenários de vida ou de morte, passando pela importância da conexão humana enquanto jornalista e ainda a vantagem que tem ao ser subestimada enquanto mulher quando aborda criminosos. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Irene Flunser Pimentel: "Já tive mais jeito para ficar calada" 15 Jul 2025

Irene Flunser Pimentel: historiadora, antifascista, defensora da democracia, a liberdade é o que a move. Estudou a PIDE, o Estado Novo, as manhas do regime de Salazar, ganhou o Prémio Pessoa e é criticada por muitos por ser demasiado assertiva. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, fala sobre a possibilidade de já estarmos a viver uma terceira guerra mundial, pasma-se com o estado ”enlouquecido” da política nacional e internacional, aponta o dedo ao discurso anti-imigração e relembra como era a vida das mulheres na ditadura. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Célia Metrass: "Inveja do pénis? Nem deve dar jeito nenhum" 08 Jul 2025

Célia Metrass é uma figura histórica do feminismo Portugal. Foi co-fundadora do Movimento de Libertação das Mulheres, o primeiro movimento pós-25 de Abril com enfoque na luta contra a discriminação de género, e escreveu o primeiro — e por mais de uma década o único — livro sobre aborto em Portugal, em co-autoria com Maria Teresa Horta e Helena de Sá Medeiros. Volvidos 50 anos, reflete sobre as ameaças a direitos femininos conquistados a pulso, como o da IVG, mas também sobre “o grande trambolhão” que os homens tiveram no que toca ao conceito de masculinidade. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Clarrise Machanguana: "Um mês após dar à luz já estava a jogar (na WNBA)" 01 Jul 2025

Clarrise Machanguana foi a primeira moçambicana a conquistar a liga feminina de basquetebol dos Estados Unidos. Dentro do universo do desporto de alta competição, os obstáculos à maternidade, as disparidades salariais e a saúde mental levada ao limite são temas que conhece de cor. Quando deixou WNBA, criou uma fundação com o seu nome em Moçambique, e aí dedica-se a apoiar mulheres, jovens e crianças através da saúde, educação e desporto. Já ajudou mais de 25 mil pessoas, mas sente que continua tudo por fazer. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Inês Marinho: "Tu agora és 'a porca'" 24 Jun 2025

Inês Marinho viu a sua vida e intimidade violada através de imagens suas publicadas na Internet por alguém que lhe era próximo. Não é caso único: diariamente, em plataformas como o Telegram ou o Reditt, milhares de homens partilham, comentam e expõem mulheres sem o seu consentimento. A sociedade continua a ser permeável ao julgamento moral: eles, amiúde, são os garanhões, elas são “as porcas”. Inês decidiu combater isto e criou a associação Não Partilhes, onde lhe chegam pedidos de ajuda de mulheres, dos nove anos aos 60, vítimas de abuso através de imagens. See omnystudio.com/listener for privacy information.

“Os homens andaram a sustentar as mulheres? Essa é para rir.” 01 Apr 2025

Investigadora, jurista, ex-Secretária de Estado para a Igualdade, Maria do Céu da Cunha Rego é uma figura histórica da luta pelas licenças de paternidade e a conciliação do trabalho, da família e da vida privada. Nascida no Alentejo, em 1950, soma prémios pelo relevante contributo da sua atividade profissional e cívica. Com um sentido de humor ímpar, continua a esmiuçar ideias feitas sobre o que é ser homem ou mulher ou quais os papéis prescritos pela sociedade para uns e outras. See omnystudio.com/listener for privacy information.

“Nove em cada dez mulheres autistas são violentadas, é assustador” 25 Mar 2025

Sara Rocha é autista e uma voz forte na defesa dos direitos na deficiência, tanto em Portugal como a nível internacional. Nas redes sociais, não só publica informação empírica, como rebate ideias feitas e partilha as suas vivências pessoais. Fora da web, é Presidente da Associação Voz do Autista e trabalha na Escola de Medicina Clínica da Universidade de Cambridge. A criminalização da esterilização forçada de pessoas com deficiência é uma das suas maiores lutas, uma das múltiplas formas de violência a que principalmente as meninas e mulheres continuam a estar sujeitas em Portugal. See omnystudio.com/listener for privacy information.

“O meu pai promoveu a minha auto estima” 18 Mar 2025

Catarina Rochinha é uma voz forte contra estereótipos de género, ativista pela positividade corporal e agitadora de consciências para a importância da diversidade. Não tem vergonha do seu corpo e pratica a aceitação do que vê ao espelho como um mantra diário. Nas redes sociais, despe-se de filtros e de preconceitos. Neste episódio, a conversa versa ideais de beleza, o policiamento aos corpos femininos, inclusive no seio da família, o peso de validação estética, o impacto do bullying e a importância de maior transparência por parte de quem produz conteúdos digitais (e não só). See omnystudio.com/listener for privacy information.

"Demorei a perceber que fui violada" 11 Mar 2025

Joana Dias foi alvo de violência doméstica. Fala abertamente sobre o que viveu, como foi agredida, o que a limitou. A escritora, criadora de conteúdos e autora do podcast e da série “A Mim, Nunca”, não gosta da palavra vítima, mas reconhece que a cicatriz não sara com facilidade. Dez anos depois, ainda procura respostas. O livro, Nós, as indecentes, sendo ficção é um retrato que se constrói a partir da realidade vivida. See omnystudio.com/listener for privacy information.

“Quanto mais ignorantes formos, mais somos metidas em manada” 04 Mar 2025

Sandra Ribeiro é a Presidente da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, o organismo responsável pela promoção e defesa do princípio da igualdade entre mulheres e homens. É, portanto, nos seus ombros que recaem as matérias que muitos ainda insistem em considerar ora um perigo, ou uma moda ideológica. Do combate à violência doméstica à importância da educação para a cidadania, das disparidades laborais ao desprimor dos seus próprios pares quanto às suas lutas, traça-nos um cenário realista sobre onde está Portugal hoje quando falamos de igualdade. Não tem dúvidas: o mais difícil de mudar são as mentalidades See omnystudio.com/listener for privacy information.

Júlia Pinheiro: “A minha libido ficou falecida (na menopausa)” 25 Feb 2025

Júlia Pinheiro já fez quase todos os formatos televisivos que existem e é um nome incontornável na comunicação social portuguesa. Neste 50 minutos de conversa, conta quão tormentosa foi para si a menopausa, uma altura de “sofrimento profundo”, pautada pela falta de resposta médica adequada. Fala também sem pudor sobre como é envelhecer em direto na televisão nacional, de como se mantém um casamento longo, da relação com os filhos, da inversão de papéis para passar a ser cuidadora da mãe e da eterna dificuldade feminina de encontrar espaço para o auto-cuidado, ao qual não foi imune. Descuidou-se durante muito tempo, porque era preciso cumprir com várias frentes. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Bárbara Pedrosa: "Tinha um trabalho para viver e outro para pagar a clínica" 18 Feb 2025

A escritora Ana Bárbara Pedrosa decidiu que queria ser mãe, desde sempre. Mergulhou num processo de fertilização e fê-lo sozinha. Guardou dinheiro durante anos, planeou tudo com cuidado e seguiu o seu plano. O processo foi longo, sofreu os revezes, driblou expectativas e sobreviveu às frustrações, gastou muito dinheiro. Três inseminações e três ciclos de FIV depois, nasceram a Maria e o David. A conversa neste episódio é sobre essa opção de ser mãe acima de tudo. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Fernanda de Almeida Pinheiro: "Porque sou filha de uma cozinheira e um mecânico acham que não tenho direito a ser eleita Bastonária" 11 Feb 2025

Fernanda de Almeida Pinheiro é Bastonária da Ordem dos Advogados, a terceira mulher a ocupar o cargo. Nunca fez parte das grandes sociedades de advogados, não alinha “em tachos” e defende com determinação os pilares da igualdade. Características que lhe renderam a alcunha de “sindicalista” e os mais diversos insultos públicos. Uma conversa sobre as fragilidades da advocacia em Portugal, onde o direito a baixa médica ou licença parental continuam a ser uma miragem. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Matilde Breyner: “Há muitas mulheres a passar por isto (perda gestacional) em silêncio. Porquê?” 04 Feb 2025

Atriz reconhecida da televisão nacional, Matilde Breyner tem dado também a cara enquanto mulher que quer quebrar o silêncio que ainda envolve a perda gestacional. Sofreu uma primeira às 6 semanas de gravidez, outra aos seis meses. Conhece bem as dores físicas e psicológicas desta realidade e usa a sua história e experiência para ajudar outras pessoas que estejam a passar pelo mesmo. São 50 minutos de conversa sem filtros sobre trauma, culpa, luto, esperança e amor. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Isabel Moreira: “Gostava de ser Presidente da República, mas não agora” 28 Jan 2025

É jurista de formação, deputada à Assembleia da República e uma mulher de causas, desde a luta pelo casamento gay à eutanásia. Criar uma identidade que a distinguisse da família católica e de direita deixou cicatrizes, mas não lhe roubou o amor incondicional dos pais. Nestes 50 minutos de conversa, Isabel Moreira fala sobre a sua infância, o ‘coming out’ à esquerda, os insultos e ameaças de que é alvo, mesmo dentro do Parlamento, da perda da fé em Deus, do obstáculo que maternidade ainda é para as mulheres e das suas ambições políticas, quiçá, até à Presidência da República. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial Reis | “Os homens acham sempre que têm pénis pequenos”, Vânia Beliz 06 Jan 2024

Em dia de Reis, relembramos a nossa rainha de audiência: Vânia Beliz é uma das maiores especialistas em sexologia do país e dedica boa parte do seu tempo à educação para sexualidade, tema que considera ser essencial logo no pré-escolar. “Estas aulas não servem só para falar de sexo e biologia. Prazer, afetos, consentimento, respeito, autoestima, tudo isso faz parte”. Tanto ensina crianças como alunos da terceira idade, e com ela não há eufemismos: sexo é sexo, pénis é pénis, vulva é vulva. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa - o mais ouvido de sempre, até hoje - abordou-se ainda a crise de identidade masculina, inclusive debaixo dos lençóis, e o sexo por obrigação nas relações. Sigam-nos no Instagram para mais novidades: https://www.instagram.com/podcast_umgenerodeconversa/ See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mais ouvidos 2023 | Capicua: “Nunca estive dentro do padrão. Essa liberdade é um statement” 05 Jan 2024

Relembremos os episódios mais ouvidos de 2023: Cronista, letrista, rapper, Ana Matos Fernandes, mais conhecida como Capicua, é uma mulher do Norte, que se assume como é e que não pede desculpas por ser o que entende ser. Da música como carreira inesperada, à maternidade, o seu “único sonho”, da “misoginia que existe no rap” ao poder terapêutico e militante das palavras, a artista abre a porta do seu mundo neste episódio do podcast Um Género de Conversa. Sigam-nos também no Instagram para mais novidades: https://www.instagram.com/podcast_umgenerodeconversa/ See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mais ouvidos 2023 | Menopausa: o fim do prazo de validade das mulheres? 04 Jan 2024

Relembremos os mais ouvidos de 2023: Na Idade Média, acreditava-se que as mulheres na menopausa retinham o “sangue venenoso”, podendo matar bebés com o olhar. Muito mudou, é certo, mas a desinformação continua. Quem o diz é Cristina Oliveira, autora do livro “Descomplicar a Menopausa”, que serviu de ponto de partida para este episódio do podcast Um Género de Conversa. Entre informação prática e muitas gargalhadas, a especialista fala desde a perda de desejo sexual aos afrontamentos, e da medicação aos estigmas sociais que persistem. Sigam-nos também no Instagram para mais novidades: https://www.instagram.com/podcast_umgenerodeconversa/ See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mais ouvidos 2023 | Marta Bateira: “Quando engravidei diziam que nem devia saber quem era o pai, que sou uma galdéria” 03 Jan 2024

Relembremos os mais ouvidos de 2023: Mais conhecida como Beatriz Gosta, Marta Bateira é sinónimo de uma liberdade feminina que ainda incomoda. Nestes 50 minutos de conversa com Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto, a humorista aborda os estigmas que enfrenta por falar de sexo sem pudor publicamente, o impacto da perda precoce da sua mãe, o burnout materno e os obstáculos das famílias monoparentais: “Desde que fui mãe sinto muita revolta. As leis não estão a proteger nem as crianças, nem as mulheres”. Sigam-nos no Instagram para outras novidades: https://www.instagram.com/podcast_umgenerodeconversa/ See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ivvi Romão: "Portugal é o país onde mais sofri violência por ser trans, preta, emigrante" 10 Oct 2023

Apresenta-se como mulher emigrante, artista, comunicadora, sonhadora e sempre apaixonada. Nos últimos anos, tornou-se voz ativa contra a ignorância face à transsexualidade. Da adolescência conturbada, aos preconceitos dentro do próprio movimento feminista ou à redescoberta do prazer sexual, fala sobre tudo. Brasileira nordestina, 24 anos de idade, Ivvi Romão é a convidada do último episódio da segunda temporada do podcast Um Género de Conversa, de Paula Cosme Pinto e Patrícia Reis. See omnystudio.com/listener for privacy information.

“Tenho mais experiência de guerra que a maioria dos nossos militares” 03 Oct 2023

Helena Ferro de Gouveia foi correspondente e repórter de guerra, ajudou a montar redes de rádio em geografias remotas, deu aulas em campos de refugiados e é hoje rosto famoso na televisão como comentadora de assuntos internacionais. O seu livro “Mulheres na Guerra” foi o ponto de partida para este episódio do podcast Um Género de Conversa, gravado ao vivo na Humanity Summit. “As mulheres são só cuidadoras, boazinhas, incapazes de matar? Não. Elas matam como um homem”. See omnystudio.com/listener for privacy information.

“Lembremos as mulheres que faziam abortos a si próprias com agulhas de tricô. Eram situações de desespero” 26 Sep 2023

Membro-fundadora da UMAR, Manuela Tavares é um ícone nacional da luta pelos direitos femininos, entre eles a despenalização do aborto. Foi uma das mulheres que, em 1982, se mostraram nas galerias da Assembleia da República envergando T-shirts com a frase "Eu abortei", desafiando tudo e todos, chocando boa parte do país. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, fala sobre essa longa luta e ressalva: “Existir uma lei que despenaliza o aborto não obriga nenhuma mulher a abortar”. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Infertilidade: “Tive de construir a minha felicidade com essa traição do corpo” 19 Sep 2023

Muitos conhecem-na como curadora, galerista ou a neta de José Saramago. Mas poucos a conhecerão como a mulher que sonhava engravidar e não conseguiu, até porque a privacidade é algo que Ana Matos muito preza. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, abre a exceção e fala da sua experiência neste tema tabu: “Não há uma substituição da maternidade para quem quer ter filhos. Se existir pacificação é melhor, mas não há uma fórmula para, passado três meses, estar sanada”. See omnystudio.com/listener for privacy information.

“A guarda partilhada não significa não ter de pagar pensão de alimentos” 12 Sep 2023

Paula Costa é juíza da área da Família e Menores, defende a custódia partilhada como opção mais saudável e deixa claro: “Os filhos não são propriedades dos pais”. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, fala sobre a forma como muitos adultos instrumentalizam as crianças amiúde “na guerra” do divórcio, da sobrecarga de uns e da desresponsabilização de outros, e dos porquês dos tempos “morosos” da Justiça. See omnystudio.com/listener for privacy information.

“Das três vezes que me divorciei foi sempre para proteger a minha saúde mental" 05 Sep 2023

Soma 46 anos de idade, trocou uma carreira no universo da gestão pelo mundo da espiritualidade, tem dois ex-maridos e está a separar-se do terceiro, um homem quinze anos mais novo. Convenções sociais sobre os certos e os errados da vida no feminino não são com Joana Dias, a convidada desta semana do podcast um Género de Conversa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Violência Sexual: "Ainda temos de pedir justiça 'com jeitinho', às migalhas" 29 Aug 2023

“Vivemos numa cultura de proteção dos agressores e de culpabilização das vítimas". Quem o diz são as investigadoras Isabel Ventura e Maria João Faustino. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, juntámo-las numa reflexão que vai desde as dinâmicas de poder e de impunidade às lacunas do sistema judicial ou ao mito das falsas denúncias. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria de Jesus Moura: “Temos de ouvir as crianças com cancro” 22 Aug 2023

Autora do livro “Cancro Pediátrico - Desafios para os Pais”, desde 1993 que Maria de Jesus Moura trabalha na Unidade de Psicologia do Instituto Português de Oncologia. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, explica o quão complexo é comunicar com famílias que enfrentam este tipo de crise. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Capicua: “Nunca estive dentro do padrão. Essa liberdade é um statement” 16 Aug 2023

Cronista, letrista, rapper, Ana Matos Fernandes, mais conhecida como Capicua, é uma mulher do Norte, que se assume como é e que não pede desculpas por ser o que entende ser. Da música como carreira inesperada, à maternidade, o seu “único sonho”, da “misoginia que existe no rap” ao poder terapêutico e militante das palavras, a artista abre a porta do seu mundo neste episódio do podcast Um Género de Conversa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sandra Pereira: “Ninguém quer que o filho ou filha estude para ser prostituta, ou trabalhadora sexual” 08 Aug 2023

Eurodeputada pelo PCP, Sandra Pereira foi responsável por um dos maiores relatórios referentes à igualdade entre homens e mulheres na União Europeia. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, fala da infância na sua aldeia, onde vivem apenas 27 pessoas, do gosto pela linguística, do partido, do pai sindicalista e das suas causas mais próximas, entre elas, as múltiplas formas de exploração feminina e os direitos sexuais e reprodutivos. “Não é a despenalização que leva as pessoas a abortar”. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Thalita Rebouças: “Eu estou gostosa, gata e sarada” 01 Aug 2023

É uma das escritoras brasileiras mais bem-sucedidas, vendeu mais de dois milhões de livros, alguns transpostos para cinema, e começa a fazer furor na Europa. Thalita Rebouças prima pelo humor, embora escreva sobre temas difíceis como homofobia, transtornos alimentares, bullying e, até mesmo, suicídio. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, aborda ainda a relação abusiva que viveu na primeira pessoa e os estigmas que enfrenta por não querer ter filhos. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Marta Bateira: “Quando engravidei diziam que nem devia saber quem era o pai, que sou uma galdéria” 25 Jul 2023

Mais conhecida como Beatriz Gosta, a humorista é sinónimo de uma liberdade feminina que ainda incomoda. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, fala sobre os estigmas que enfrenta por falar de sexo sem pudor publicamente, do impacto da perda precoce da sua mãe e dos obstáculos das famílias monoparentais: “Desde que fui mãe sinto muita revolta. As leis não estão a proteger nem as crianças, nem as mulheres”. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Podcasts relacionados