Matar o Papa
Observador
Esta é a história do padre espanhol que tentou matar o Papa João Paulo II em Portugal. E é também a história do misterioso segredo, fechado durante décadas num cofre do Vaticano, que conduziu estes dois homens, o Papa e o padre que o queria matar, a Fátima em maio de 1982. Exatamente um ano antes João Paulo II tinha sido vítima de um atentado a tiro em plena Praça de São Pedro e esteve entre a vida e a morte. Foi ainda deitado numa cama de hospital, em Roma, que o Papa se apercebeu de um facto que recusou encarar como uma mera coincidência: tinha sobrevivido à tentativa de assassinato no dia 13 de maio, praticamente à mesma hora das aparições de 1917, na Cova da Iria. Só podia significar uma coisa: tinha sido salvo pela Virgem de Fátima. Foi para agradecer essa proteção divina que João Paulo II, já então um Papa estrela, que movia multidões, viajou até Portugal, um ano mais tarde. O que não lhe poderia passar pela cabeça é que à sua espera estaria outro homem que também o queria assassinar: o padre Juan Fernández Krohn, que acreditava que a terceira parte do segredo de Fátima o legitimava para matar o Papa. Narração: Pedro Laginha Banda sonora: Rodrigo Leão Voz em português de Juan Fernández Krohn: Adriano Luz Guião: João Francisco Gomes Entrevistas: João Francisco Gomes Sonoplastia e pós-produção áudio: Bernardo Almeida Design gráfico: Miguel Feraso Cabral Edição: Tânia Pereirinha e João Santos Duarte Coordenação: Miguel Pinheiro, Filomena Martins, Pedro Jorge Castro, Ricardo Conceição e Sara Antunes de Oliveira.
Esta é a história do padre espanhol que tentou matar o Papa João Paulo II em Portugal. E é também a história do misterioso segredo, fechado durante décadas num cofre do Vaticano, que conduziu estes dois homens, o Papa e o padre que o queria matar, a Fátima em maio de 1982. Exatamente um ano antes João Paulo II tinha sido vítima de um atentado a tiro em plena Praça de São Pedro e esteve entre a vida e a morte. Foi ainda deitado numa cama de hospital, em Roma, que o Papa se apercebeu de um facto que recusou encarar como uma mera coincidência: tinha sobrevivido à tentativa de assassinato no dia 13 de maio, praticamente à mesma hora das aparições de 1917, na Cova da Iria. Só podia significar uma coisa: tinha sido salvo pela Virgem de Fátima. Foi para agradecer essa proteção divina que João Paulo II, já então um Papa estrela, que movia multidões, viajou até Portugal, um ano mais tarde. O que não lhe poderia passar pela cabeça é que à sua espera estaria outro homem que também o queria assassinar: o padre Juan Fernández Krohn, que acreditava que a terceira parte do segredo de Fátima o legitimava para matar o Papa. Narração: Pedro Laginha Banda sonora: Rodrigo Leão Voz em português de Juan Fernández Krohn: Adriano Luz Guião: João Francisco Gomes Entrevistas: João Francisco Gomes Sonoplastia e pós-produção áudio: Bernardo Almeida Design gráfico: Miguel Feraso Cabral Edição: Tânia Pereirinha e João Santos Duarte Coordenação: Miguel Pinheiro, Filomena Martins, Pedro Jorge Castro, Ricardo Conceição e Sara Antunes de Oliveira.
Episódio 3. As 45 horas antes do crime | As Sombras de Duarte Lima
Episódios
Duarte Lima chega ao Brasil 45 horas antes de Rosalina Ribeiro ser assassinada. Tinha um encontro marcado com a milionária no Rio de Janeiro mas aterra em Belo Horizonte. Há-de fazer a viagem entre as duas cidades de carro e o trajeto levanta várias dúvidas aos investigadores. Na reconstituição dos movimentos do advogado, a polícia percebe outro dado. Duarte Lima nunca usou o telemóvel pessoal no Brasil. Mas foram detectados contactos a partir de dois telefones portugueses e um suíço. Um deles liga várias vezes para a casa de Rosalina, incluindo poucos minutos antes de ela sair para o encontro. Por esta altura, a investigação leva já alguns meses. Duarte Lima continua a ser o principal suspeito do crime. E a polícia não tem dúvidas: o advogado mentiu. "As Sombras de Duarte Lima" é o novo Podcast Plus do Observador. É narrado por João Reis e tem banda sonora original de Filipe Raposo. Pode ouvir semanalmente os episódios de"As Sombras de Duarte Lima" na playlist própria do podcast na Apple Podcasts, Spotify, Youtube ou outras plataformas de podcast. See omnystudio.com/listener for privacy information.
No segundo episódio de "As Sombras de Duarte Lima", a polícia brasileira recebe um fax de Domingos Duarte Lima. O advogado português admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida.Diz que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, Rosalina lhe pediu que a levasse a Maricá, onde tinha encontro marcado com uma mulher chamada Gisele. A versão que Duarte Lima apresenta sobre a última noite de vida da herdeira de Lúcio Tomé Feteira levanta dúvidas às autoridades brasileiras. Os dados não batem certo com as provas que já conseguiram recolher. Além disso, o advogado esquiva-se a prestar mais esclarecimentos. Ao fim de algum tempo, Duarte Lima torna-se o principal suspeito do homicídio. E perde força outra linha de investigação, centrada em Olímpia Feteira, filha do falecido companheiro de Rosalina, Lúcio Tomé Feteira. Olímpia era inimiga assumida da milionária mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. "As Sombras de Duarte Lima" é o novo Podcast Plus do Observador. É narrado pelo ator João Reis e tem banda sonora original de Filipe Raposo. Pode ouvir semanalmente os episódios na playlist própria do podcast na Apple Podcasts, Spotify, Youtube ou outras plataformas de podcast. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Na noite de 7 dezembro de 2009, Rosalina Ribeiro, uma das herdeiras do milionário português Lúcio Tomé Feteira, sai de casa, na zona sul do Rio de Janeiro, para se encontrar com o seu advogado português, o ex-deputado e antigo líder parlamentar do PSD Domingos Duarte Lima — e nunca mais volta a ser vista com vida. Na manhã seguinte, a mais de 60 quilómetros de distância, numa estrada isolada, é encontrado o corpo de uma mulher sem identificação. Tinha sido assassinada, com dois tiros, um no peito, outro na cabeça. Só alguns dias mais tarde é que a polícia brasileira vai associar os dois casos e identificar o cadáver. E é aí que a investigação verdadeiramente começa. "As Sombras de Duarte Lima" é o novo Podcast Plus do Observador. É narrado pelo ator João Reis e tem banda sonora original de Filipe Raposo. Pode ouvir semanalmente os episódios na playlist própria do podcast na Apple Podcasts, Spotify, Youtube ou outras plataformas de podcast. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Mais de trinta anos depois do brutal homicídio de três mulheres em Lisboa, o mistério em torno da identidade do autor dos crimes permanece. A Polícia Judiciária investigou vários suspeitos, mas nunca foi possível chegar a uma conclusão. A uma semana da estreia do teatro imersivo sobre esta história, vamos voltar a abrir o caso num episódio especial do Podcast Plus “A Caça ao Estripador de Lisboa”. Como é que o Estripador conseguiu escapar? Que pontas soltas há ainda sobre este caso? Se os crimes acontecessem hoje, o que mudaria na investigação? E qual seria a probabilidade de o assassino ser apanhado? Para tentar responder a estas perguntas, Maria João Simões conversa com Carlos Ademar Fonseca, antigo inspetor da brigada de Homicídios da Judiciária que investigou o caso do Estripador; a psicóloga Cristina Soeiro, que ainda hoje está na Polícia Judiciária, e ainda com a jornalista Tânia Pereirinha, que investigou e escreveu os guiões de “A Caça ao Estripador de Lisboa". O espectáculo imersivo, que tem o mesmo título, estreia a 28 de Outubro no Centro Hindu de Lisboa, no Lumiar. Os bilhetes estão à venda aqui. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Último episódio. Ao fim de várias décadas, a terceira parte do segredo de Fátima é finalmente revelada no ano 2000, durante a terceira e última visita de João Paulo II a Portugal. A mensagem que o Vaticano revela não é nada daquilo que Juan Fernández Krohn imaginava, e que o tinha levado a tentar matar o papa em Fátima. No sexto e último episódio, o desfecho do julgamento de Krohn e a vida após a tentativa de atentado que o levou a ser conhecido em todo o mundo. Quarenta e dois anos depois, quem é Krohn hoje em dia, onde está e como olha para o ato radical que teve em Fátima? See omnystudio.com/listener for privacy information.
O Papa está vivo e o padre Krohn está preso. Na óptica do padre espanhol significa que correu tudo mal: se o plano tivesse resultado, por esta altura estariam ambos mortos — e Krohn seria um mártir. Em vez disso, vai passar os próximos meses a ser interrogado pelas autoridades portuguesas, a quem decide contar tudo, desde o primeiro instante. Em outubro desse mesmo ano, quando começa o julgamento, a situação vai piorar ainda mais: os juízes vão ter dúvidas sobre a sua capacidade de ser julgado. É verdade que confessou tudo, mas Krohn será um verdadeiro criminoso ou apenas um louco? Para responder a essa pergunta vão ser precisos meses — e muitas horas de conversa, de testes e de avaliações psiquiátricas. Seria preciso esperar bem mais para decifrar o mistério do sangue encontrado nas roupas de João Paulo II na noite do atentado: só em 2008, três anos depois da morte do Papa e mais de 25 anos depois do atentado, é que o seu secretário particular vai finalmente quebrar o silêncio. See omnystudio.com/listener for privacy information.
12 de maio de 1982, a noite do ataque. Há um milhão de pessoas em Fátima. João Paulo II reza o terço na Capelinha das Aparições. Quando está a começar a subir a escadaria rumo à basílica, onde vai assistir à procissão das velas, a situação fica fora de controlo. Um padre salta as barreiras e tenta passar para lá dos seguranças. Grita-lhes que só quer beijar o Papa, mas a expressão agressiva que tem no rosto faz adivinhar o contrário. Nesse momento ninguém vê que, dentro da pasta castanha que traz na mão, o sacerdote tem um sabre afiado. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Roma, maio de 1981. Ainda na cama do hospital onde foi internado depois de o turco Ali Agca o ter tentado matar a tiro, João Paulo pede que lhe levem um misterioso documento guardado há décadas num cofre no Vaticano: a terceira parte do segredo de Fátima. Quando lê o texto percebe imediatamente que a sua vida está ligada a Fátima. Mais: atribui à Virgem, que em 1917 apareceu aos três pastorinhos Lúcia, Francisco e Jacinta, a sua salvação. Krohn, por seu turno, também tem uma teoria sobre o terceiro segredo e sobre os motivos por que, tantos anos depois, sucessivos Papas continuam a recusar revelá-lo. E é por isso mesmo que decide matar João Paulo II em Fátima. Traça o plano minuciosamente. Mas não contou com outro homem que vai fazer tudo para o impedir. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Quem é Juan Fernández Krohn, e por que motivo quer matar João Paulo II? Krohn nasce em 1949, em Madrid, em plena ditadura franquista, numa família católica conservadora. Na universidade, já assumidamente anticomunista, desilude-se com o Concílio Vaticano II e com as reformas introduzidas na Igreja. Dá os primeiros passos rumo a uma radicalização que, no início da década de 1980, o há de levar a fazer planos para matar o Papa. Entretanto, na Polónia o comunismo começa a fraquejar e João Paulo II, o primeiro Papa de Leste, ajuda a inspirar o nascimento do “Solidariedade”, um sindicato independente do Partido Comunista. Nada disso faz com que Krohn tire da cabeça a ideia de que o Papa é, na verdade, um aliado dos comunistas que está deliberadamente a destruir a Igreja Católica por dentro. Em 1981, o padre espanhol vê na televisão o assassinato do presidente egípcio Anwar Sadat e percebe que pode fazer o mesmo. Tem dificuldade em escolher uma arma, só acerta à terceira. Inicialmente, começa a fazer planos para matar o Papa em Roma. Mas o anúncio da viagem do Papa a Fátima vai mudar tudo. See omnystudio.com/listener for privacy information.
12 de maio de 1982. Juan Fernández Krohn chega finalmente a Lisboa, depois de seis meses a arquitetar um plano para matar o Papa. Não marcou hotel nem traz bagagem: está preparado não apenas para assassinar João Paulo II, mas também para morrer. Horas depois, o padre espanhol ultraconservador já está à espera em Fátima quando o Papa aterra em Lisboa e dá início à primeira visita oficial a Portugal. Uma viagem que, explica João Paulo II desde o início, só tem um propósito: agradecer por ter sobrevivido ao atentado de que foi alvo um ano antes na praça de São Pedro, em Roma. Um atentado que aconteceu no dia 13 de maio de 1981, no mesmo dia e praticamente à mesma hora das aparições de 1917, na Cova da Iria. “Matar o Papa” é o novo Podcast Plus do Observador. É narrado por Pedro Laginha e a banda sonora original é de Rodrigo Leão, com participação especial de Adriano Luz na voz portuguesa de Juan Fernández Krohn. Pode ouvir os episódios de “Matar o Papa” na playlist própria do podcast na Apple Podcasts, Spotify, Youtube Music ou outras plataformas de Podcast. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Em maio de 1982, o Papa João Paulo II veio pela primeira vez a Portugal, exatamente um ano depois de ter sido alvejado por Mehmet Ali Agca, em plena Praça de São Pedro. O objetivo da visita, explicou desde o início, era só um: agradecer à Virgem de Fátima por estar vivo. O que não poderia imaginar é que, no santuário, à espera dele, estava outro homem que também o queria matar: Juan Fernández Krohn, um padre espanhol ultraconservador. “Matar o Papa” é o novo Podcast Plus do Observador, com estreia a 13 de maio. É narrado por Pedro Laginha e a banda sonora original é de Rodrigo Leão, com participação especial de Adriano Luz na voz de Juan Fernández Krohn. Pode ouvir semanalmente os episódios de “Matar o Papa” na playlist própria do podcast na Apple Podcasts, Spotify, Youtube Music ou outras plataformas de Podcast. See omnystudio.com/listener for privacy information.